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sexta-feira, 17 de abril de 2026

Neurosis - An Undying Love for a Burning World (2026)

Permanecemos em território dos “States” para falar de uma banda que para além das várias reviews é bastante referenciada aqui no blog. Dizer que este regresso é inesperado é um eufemismo, eu arriscaria dizer que é literalmente a surpresa da década (até porque passaram exatamente dez anos desde o seu ultimo álbum), refiro-me aos carismáticos Neurosis a propósito do seu mais recente trabalho ‘An Undying Love for a Burning World’. Sem qualquer tipo de aviso prévio os Neurosis anunciam no mesmo dia o lançamento de ‘An Undying Love for a Burning World’ e em simultâneo a adição de Aaron Bradford Turner como o seu novo guitarrista em substituição de de Scott Kelly, quando no seio dos seus fãs até já corria o rumor que os Neurosis nunca mais iriam lançar um álbum de originais. ‘An Undying Love for a Burning World’ soa mais do que qualquer outra coisa a... Neurosis, e não, isto não é uma afirmação simplesmente redundante, é que os Neurosis são uma das mais influentes bandas de Metal das ultimas três décadas, aliás são inúmeras as bandas que desde então têm várias similaridades com o quinteto Norte-Americano ou não fossem eles os pioneiros do Atmospheric Sludge Metal que viria pouco depois a derivar no Post-Metal. A grande conclusão a tirar de ‘An Undying Love for a Burning World’ é que a banda conseguia ser bastante abrangente nas composições, eu diria que com a excepção dos seus dois primeiros álbuns todo o resto da sua carreira está refletido no álbum. Um equilíbrio gerido de forma cirúrgica entre o peso gravitacional e claustrofóbico e a harmonia atmosférica que os Neurosis se foram aprimorando fazem de ‘An Undying Love for a Burning World’ um regresso em grande confirmando uma qualidade inerente muito para além do simples efeito surpresa.

8/10

[Sample] 

sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

Neurosis - A Sun That Never Sets (2001)

Depois de analisar minuciosamente a “versão” 90’s dos icónicos Neurosis vamos agora dar palco à primeira manifestação sonora da banda após a viragem do milénio, ou seja, o seu sétimo álbum de originais ‘A Sun That Never Sets’. É um verdadeiro desafio fazer uma crítica a ‘A Sun That Never Sets’ não porque seja difícil falar sobre os Neurosis mas sim porque é precisamente a partir deste álbum que a banda começar a deixar cair as características que eu mais admiro, o Sludge Metal monólito com uma força gravitacional exponencialmente densa e impiedosa vai progressivamente dando lugar à melodia com contornos depressivos dentro de um vasto manancial de experimentalismo com ramificações que chegam até ao Folk. Todavia apesar de não ser para mim dos melhores álbuns dos Neurosis e mantendo a imparcialidade possível tenho de mencionar que ‘A Sun That Never Sets’ foi dos álbuns que mais projectou a banda para o pódio de bandas de culto no seio da música mais pesada. Para se ter uma ideia do quanto os Neurosis estavam à frente do seu tempo, 2001 foi o ano em que um verdadeiro “tsunami” de Nu-Metal assolava os Estados Unidos enquanto isso os Neurosis absortos do que se passava à sua volta começavam a criar as fundações do que viria anos mais tarde a ser designado como Post-Metal.

7.5/10

[Sample] 

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Neurosis - Times Of Grace (1999)

Quando estamos em verdadeiros “Times of disgrace” vamo-nos precisamente debruçar sobre o sexto álbum de estúdio dos Norte-Americanos Neurosis de seu nome ‘Times Of Grace’. Os Neurosis são uma banda com uma impressionante singularidade, começaram a sua carreira no longínquo ano de 1987 com um som assumidamente Punk Hardcore mas desde muito cedo perceberam que lhes estava destinado um caminho inédito. Habitualmente creditados pela criação do Subgénero Post-Metal os Neurosis são talvez a par dos Meshuggah a banda que mais influenciou o Metal depois da viragem do milénio, e engane-se quem pensa que o seu som se restringe ao Post-Metal, aliás os Neurosis conseguem desde tenra idade pulverizar qualquer infrutífera tentativa de compartimentalizar as suas sonoridades pois elas vão desde o Post-Metal ao Atmospheric Sludge Metal passando pelo Doom, Progressive, Folk, Tribal, Post-Hardcore e Sludge comprovando desde logo a sua incrível e estonteante evolução musical. ‘Times Of Grace’ é um dos mais emblemáticos álbuns da banda e um ponto crucial nessa fantástica e constante metamorfose sonora, sempre com um ambiente dissonante, denso, pesado e inóspito e extraordinárias variações de intensidade e obscuridade quer entre as faixas quer inclusive na mesma faixa, exponenciam-se riffs encorpados e opacos aglomerados a uma dinâmica e tribal secção rítmica e viscerais e desobedientes vocalizações. Apesar do incontornável ambiente compacto e indivisível de ‘Times Of Grace’ seria incompreensível não destacar a magnífica ‘The Doorway’ tal como o tema título ‘Times Of Grace’ muito possivelmente as duas melhores faixas que os Neurosis já alguma vez compuseram. 

8.5/10

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quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Neurosis - Souls At Zero (1992)

Voltamos à música e novamente aos Norte-Americanos Neurosis, mais precisamente ao seu terceiro álbum de originais ‘Souls At Zero’. ‘Souls At Zero’ é o álbum onde os Neurosis cortam em definitivo com seu início voltado para o Hardcore, e uma espécie de prelúdio para o seu sucessor ‘Enemy Of The Sun’ que seria lançado um ano depois, o álbum tem no entanto uma essência muito própria, muito mais directo e menos ambiental do que os Neurosis nos habituaram ‘Souls At Zero’ empurra-nos para uma exótica e surpreendente experiência musical. Assente num dinâmico e orgânico Sludge Metal onde tudo é possível, desde a recorrente alternância de tipos de vozes, sintetizadores, arranjos acústicos, ritmos tribais e até uma ténue mas marcante aproximação ao Progressivo sem desprezar a sua vertente mais psicadélica. Destaque para a sensacional e ultra bizarra ‘Flight’, e a aditiva e soberba ‘A Chronology For Survival’ onde sobressaem o groove da linha de baixo e as distorções nas vocalizações. ‘Souls At Zero’ marca o inicio da independência musical dos Neurosis, foi a partir daqui que a banda começou a sua longa e distinta peregrinação de experimentalismo e pulverização de barreiras musicais.  

7.5/10 

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sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Neurosis - Through Silver In Blood (1996)

Outro dos álbuns mais emblemáticos da carreira dos ultra subvalorizados Neurosis é a sua obra-prima de 1996 ‘Through Silver In Blood’ considerado pela crítica especializada como o primeiro álbum de sempre de Post-Metal. ‘Through Silver In Blood’ reúne todos os condimentos para se ter tornado num álbum imprescindível não só da carreira dos Neurosis como do universo do Metal, massivo, visceral, cru, abrasivo e denso não chega para sequer começar a descrever a essência de ‘Through Silver In Blood’. ‘Through Silver In Blood’ começa com o tema título, uma viagem de 12 minutos onde se destacam o tribal e hipnótico ritmo de bateria envolto num decadente ambiente de Noise trespassado por ultra pesados e dissonantes riffs de um Sludge Metal lento e pestilento a fazer até lembrar Drone Metal. Seguem-se a rude e directa descarga de Sludge de ‘Eye’, a progressiva e temporizada ‘Purify’ que culmina num magnético, épico e holístico final e ‘Locust Star’ onde predomina o Post-Metal só para destacar algumas faixas. ‘Through Silver In Blood’ é de facto um álbum monumental onde além da fantástica produção também se pode realçar a sua própria mística e intensidade. Numa espécie de prelúdio para ‘Times Of Grace’ já nesta altura os Neurosis desprezavam qualquer tipo de “fronteiras” musicais que pudessem de alguma maneira bloquear a fluidez da sua criatividade. 

8.5/10

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quarta-feira, 11 de novembro de 2020

Neurosis - Enemy Of The Sun (1993)

Não conseguindo atingir o mesmo patamar dos seus sucessores ‘Through Silver In Blood’ e ‘Times Of Grace’, o quarto álbum de originais do Californianos NeurosisEnemy Of The Sun’ lançado em 1993 já espelha muito bem no entanto a invulgar e inesgotável capacidade da banda, não só de aglomerar subgéneros de Metal como de usar o experimentalismo em prol da criatividade. É praticamente um cliché para qualquer álbum dos Neurosis mas também ‘Enemy Of The Sun’ não é um álbum fácil de “digerir”, são precisas várias audições para se absorver todas as camadas desta intensa amálgama sonora. Logo na inicial ‘Lost’ é evidente o uso de “samples falados” um dos experimentalismos que é consequente ao longo do album, só esta faixa representa e de que maneira o que se segue, uma intensa e atordoante onda crescente de sujo e pungente Sludge com resquícios de Doom e Post-Metal. Segue-se ‘Raze The Stray’ que com um começo numa toada depressiva e lenta vai aumentando progressivamente de intensidade até se transformar numa verdadeira parede sonora onde se evidenciam mais uma vez os crus e ríspidos riffs de Sludge. Destaque ainda para a doentia e sinistra epopeia de Noise de ‘Cold Ascending e ‘Lexicon’ e para o tema título onde o seu assustador e titubeante início não faz prever o clímax de agressividade acumulada que se segue. Intensidade, experimentalismo, e uma muito generosa dose de criatividade fazem de ‘Enemy Of The Sun’ um álbum que tanto tem de invulgar como de irresistível. 

7.5/10 

[Sample]