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terça-feira, 18 de junho de 2024

Urzah - The Scorching Gaze (2024)

São uma estreia aqui no Espelho Distópico até porque a sua estreia absoluta em termos de álbuns de originais só aconteceu no passado mês de Maio através de ‘The Scorching Gaze’, falo dos Britânicos Urzah. Com uma clara aposta numa mescla naturalmente estável entre Post-Metal/Sludge e Progressivo, o quarteto oriundo de Bristol saiu do anonimato com o ambicioso objectivo de conquistar o seu espaço num subgénero que tem “engordado” bastante nos últimos anos. Sem uma declarada meta de ofuscar outras bandas com quem partilham grande parte da sua sonoridade (Dvne, Gloson, Sorxe ou The Ditch And The Delta) só para mencionar algumas, mas sim com o desejo de fazer prevalecer o seu talento, criatividade e capacidade técnica. ‘The Scorching Gaze’ agrega uma interessante e coesa amplitude de influências que vão desde o Doom ao Sludge e não de uma forma alternada mas sim com uma dinâmica de interligação tão forte que elas se tornam quase indistinguíveis. Aos riffs com a vincada marca do Progressivo e do Sludge muito ao estilo dos primeiros álbuns dos icónicos Mastodon ou dos prodigiosos The Ocean, incorpora-se uma atmosfera inóspita e desafiante embriagada de Post-Metal austero e cruel. O destaque vai precisamente para os temas que iniciam e encerram ‘The Scorching Gaze’, ‘I, Empyriam’ e ‘Thera II: Embers Of Descent’. 

8/10 

[Sample]

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

Death Engine - Ocean (2023)

Directamente da França e completamente alinhados com a vaga de frio deste começo de ano chegam os Death Engine e trazem na “bagagem” o seu terceiro álbum de originais simplesmente intitulado ‘Ocean’. ‘Ocean’ representa neste caso um oceano gélido, irredutível e impiedoso alimentado por um Post-Metal por vezes severo e monolítico como os Dinamarqueses LLNN noutras porém o domínio é assumido pelo Atmospheric Sludge Metal que embora tenha “nascido” no berço dos Neurosis depressa se foi tornando essencial numa interessante e fascinante “segunda vaga” de Sludge Metal onde se vão destacando bandas como Bossk, Sorxe, The Ditch And The Delta ou Gloson. ‘Ocean’ é aditivo, bastante aditivo mas uma adição pouco saudável como uma comida que sabemos que é tóxica mas não conseguirmos para de a comer. Tenho de destacar a demolidora imponência do tema ‘Lack’ a melhor faixa de ‘Ocean’ a meu ver, uma verdadeira onda “oceânica” vigorosa e intransponível, mas também ‘Mess’ e ‘Dying Alone’, temas mais tranquilos e compassados ainda que carregados de uma intensa e perturbadora energia emocional.

7.5/10

[Sample] 

segunda-feira, 31 de outubro de 2022

Generation Of Vipers - Howl and Filth (2011)

Tal como o famoso whisky Jack Daniels também eles são oriundos do Tennessee, falo do trio Norte-Americano Generation Of Vipers a propósito do seu terceiro álbum de originais ‘Howl and Filth’ que remonta a 2011. A indissociável aliança ente o Sludge Metal e o Post-Metal por certo que estado em grande evidência aqui no blog, contudo é sempre possível encontrar alguma banda que passou despercebida até agora. ‘Howl and Filth’ é um álbum que roça o perfeito, um verdadeiro petardo de Sludge Metal com contornos de Post-Metal onde sobressaem os riffs orgânicos, sujos, contundentes e graves, as vocalizações rudes e furiosas e a adequada envolvência dissonante e austera, tudo isto consolidado por uma produção de excelência. Se os temas ‘Ritual’, ‘Eternal’ e ‘Slow Burn’ tem tanto de fascinante como de aditivo o que dizer da formidável ‘The Misery Coil’, a faixa que encerra o álbum, uma verdadeira parede sonora, monolítica e imponente. Tal como os seus conterrâneos The Ditch And The delta e Sorxe também os Generation Of Vipers ganharam o merecido espaço de destaque no disputado domínio do Sludge Metal/Post-Metal. 

9/10

[Sample] 

sexta-feira, 16 de julho de 2021

Bossk - Migration (2021)

Uma pausa no separador do cinema para voltarmos a falar de música, começando desde já por analisar o segundo álbum de originais dos Ingleses Bossk, ‘Migration’. Engane-se quem pensa que os Bossk são uma banda recente pois apesar de apenas ter dois álbuns no cardápio este quinteto Britânico já leva nada mais, nada menos do que 15 anos de carreira. ‘Migration’ é um que álbum que tanto tem de interessante como de esquizofrénico, interessante devido a particular abordagem dos Bossk à quase indissociável mistura entre Sludge Atmosférico e Post-Metal que apesar de ter nascido no seio dos Neurosis tem sendo duvida evoluído e adquirindo várias roupagens ao longo dos anos, sendo que a dos Bossk revela algumas convergências com a dos Sorxe e a dos The Ditch And The Delta. A parte da esquizofrenia explica-se pela vincada dicotomia de ‘Migration’ entre as faixas ‘White Stork’, ‘Iter’ e ‘Kibo’ que nos dão a conhecer uma vertente ambiental pautada pelo Noise e o Electrónico e ‘Menhir’, ‘HTV-3’ e ‘Lira’ onde sobressai toda a energia contida da banda num Sludge maciço, mastodôntico e severo. ‘Migration’ conta também com as participações de Johannes Persson (Cult Of Luna), Josh Mckeown (Palm Reader) e vários membros dos Japoneses Endon.

7.5/10

[Sample] 

 

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Hymn - Breach Us (2020)


O Doom/Sludge tem sido um subgénero que tem proliferado bastante no Metal desde o começo do milénio no entanto não é comum a sua proveniência ser Norueguesa, ainda assim os Hymn aí estão com seu segundo trabalho ‘Breach Us’ para quebrar a regra. ‘Breach Us’ é composto apenas por quatro faixas e ao contrário do seu primeiro álbum desta vez a banda faz uma aposta muito mais forte no Sludge deixando para segundo plano o Doom Metal. O álbum começa com o tema titulo, uma intensa infusão de Sludge abrasivo e lento deixando transparecer que os Hymn poem um vigor em cada riff que desafia a própria gravidade, segue-se a sensacional ‘Exit Through Fire’ para mim melhor faixa do álbum, uma imensa carga de imponentes riffs a destilar Sludge austero, pesado e impetuoso a fazer lembrar os fantásticos The Ditch And The Delta. Nas duas ultimas faixas, ‘Crimson’ e ‘Can I Carry You’ aqui sim os Hymn recuperam a sua vertente ambiental realçando um Doom com inequívocas influências dos lendários Neurosis. Alem de ser uma das boas supressas de 2020 é também um excelente presságio para a carreira dos Hymn.

7.5/10