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quinta-feira, 23 de julho de 2026

Moonspell - Far From God (2026)

Eles são de facto uma banda a sério, falo dos Moonspell a propósito do seu décimo terceiro álbum de originais ‘Far From God’. E porquê uma banda a sério? os Moonspell são detentores de uma carreira invejável que ultrapassa os 30 anos onde já quase tudo foi experimentado, desde infindáveis tours, versões acústicas, versões com orquestra, projectos paralelos (Dæmonarch) e várias transformações de identidade musical, tudo isto foi glorificado com um enorme sucesso internacional e um tardio reconhecimento nacional, ora com toda esta bagagem para onde caminha o mais prestigiado quinteto Português de Metal? Depois de ‘Hermitage’ aparentemente os Moonspell decidiram recuperar a sua vertente mais dirigida para o Gothic Rock/Metal, uma decisão sagaz mas que teve longe de correr conforme o idealizado. O grande “pecado” de ‘Far From God’ não se prende com a sua orientação musical mas sim com uma clara falta de criatividade quem vem assombrando a banda há mais de uma década, três dos últimos quatro álbuns dos Moonspell (‘Extint’, ‘Hermitage’ e ‘Far From God’) deixam bastante a desejar. Os temas sucedem-se quase sempre numa toada de pseudo-balada de Gothic Rock, insípidos, entediantes, desinteressantes quase a roçar a vulgaridade. Existem algumas exceções? Claro que sim, ‘The Great Wolf In The Sky’, ‘Your Promise Of Light’ e ‘Our Freedom To Fall’ serão porventura faixas que entrariam de forma natural no “cardápio” de um ‘Darkness And Hope’ mas que ainda assim seriam provavelmente das mais fracas desse álbum. É caso para dizer que ‘Far From God’ está “far from good”.

6/10 

sexta-feira, 5 de março de 2021

Moonspell - Hermitage (2021)

Faz hoje precisamente uma semana que os Moonspell, a mais reconhecida e bem-sucedida banda portuguesa de Metal de sempre lançou o seu 12º álbum de originais ‘Hermitage’. ‘Hermitage’ é provavelmente um dos primeiros álbuns onde são claramente evidentes os efeitos da pandemia que todos estamos a passar, desde logo no tema escolhido mas também no seu ambiente introspectivo e melancólico. Se existe banda que, apesar da sua sólida e longa carreira não tem medo de arriscar são sem dúvida os Moonspell e se isso é notório em ‘1755’, ‘Hermitage’ comprova mais uma vez a sua capacidade camaleónica, desta vez a banda aproxima o seu característico Dark Gothic Metal ao Rock Progressivo. Se em termos de ambiente e produção ‘Hermitage’ cumpre os seus objectivos já em termos de composição musical a tarefa parece-me que ficou aquém do esperado, a capacidade técnica de Ricardo Amorim é inquestionável no entanto dificilmente pode ser acompanhada pelo resto da banda numa arriscada incursão a um Progressivo ao jeito de Porcupine Tree ou Riverside. Mantendo a coerência, se critiquei na altura a “estagnação” musical evidenciada em ‘Extinct’ tenho de exultar agora o mérito dos Moonspell em enveredar novamente pelo experimentalismo no entanto, ao contrário do que por exemplo exibiram os Katatonia em ‘City Burials’, o Rock Progressivo não será porventura a melhor direcção para a banda exponenciar as suas melhores qualidades. Destaco ‘Common Prayers’, ‘Apophthegmata’ e o tema título ‘Hermitage’ como as faixas mais consistentes do álbum. 

6/10

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Moonspell - Extinct (2015)


É já longa a carreira dos Moonspell, e é sem dúvida a banda de Metal com mais sucesso no panorama nacional, no entanto do longínquo início do death/black pouco melódico com claras alusões a alguns ícones portugueses (o que não é nada fácil de fazer no Metal diga-se) e depois de vestirem varias “peles musicais” na maioria das vezes com êxito, chega este ano o “Extinct”, e a minha reacção a quando da 1ª audição é que este é muito provavelmente o pior álbum de Moonspell. Se o “Alpha Noir” já deixou bastante a desejar o que dizer então deste “Extinct”, o entusiasmo parece ter desaparecido da banda, as musicas são banais na senda das milhentas bandas do gothic/death melódico que para ai há hoje em dia, e não há sequer, talvez pela primeira vez em álbum de Moonspell, uma única musica que se destaque. Salva-se a arte gráfica do álbum, que é de facto, excelente.

 4/10

domingo, 5 de novembro de 2017

Moonspell - 1755 (2017)



Depois do que foi para mim uma grande desilusão com “Extinct” os Moonspell estão de volta, e se há mérito para a mais reconhecida banda de Metal portuguesa é precisamente a sua capacidade de se reinventarem, pois saiu na passada sexta-feira “1755” e desta vez os Moonspell mudaram tudo sem dúvida. Completamente diferente de “Extinct”, “1755” Como se percebe pelo nome é um álbum conceptual sobre o devastador terramoto que se abateu sobre Lisboa nesse preciso ano e pela primeira vez na sua já longa carreira completamente cantado em português. Estava bastante curioso sobre como iria soar este “1755” confesso, e se nas primeiras audições parece soar estranho, a conclusão é que o álbum tem de facto qualidade e sentido. Não renegando a sua matriz de Gothic Metal, “1755” está carregado de arranjos Sinfónicos e orquestrais (tão comuns em bandas como Therion ou Septicflesh) e coros que dão uma vertente obscura e religiosa que assenta e de que maneira no tema do álbum. Destaco “1755”, “Abanão”, “Ruínas” e “Todos Os Santos” como as melhores faixas.

7.5/10

sábado, 25 de maio de 2019

Schammasch - Triangle (2016)


Outra recente proposta auditiva que cativou a minha atenção foram os Helvéticos Schammasch com o seu último álbum “Triangle”. O álbum tem várias particularidades, desde logo é um álbum triplo e se já não são novidade nenhuma os álbuns duplos (Opeth com “Deliverance” ou Moonspell com “Alpha Noir”) mas triplo, não digo que seja caso único mas é altamente invulgar. A primeira parte de “Triangle” é de longe a melhor na minha opinião, a predominância do Black Metal moderno e contundente com ténues infusões de Avant-Garde deriva em viciantes riffs acompanhados de um frenético ritmo de bateria e vocalizações sui generis muito na linha dos Code ou dos Voices. Se “In Dialogue With Death” já é uma faixa de elevada qualidade e densidade o que dizer da fantástica “Awakening from the Dream of Life”?! A segunda parte do álbum [Metaflesh] tem um paradigma ligeiramente diferente, embora a base ainda seja o Black Metal desta feita este tende a perder agressividade em prol do experimental com várias similaridades com Ihsahn. Já a última parte de “Triangle” transporta-nos ao longo de uma verdadeira viagem sensorial onde sobressai a contínua hipnose ambiental. Os Schammasch demostram com “Triangle” toda a sua amplitude sonora em simultâneo com a sua capacidade de composição. 

7/10