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sexta-feira, 17 de abril de 2026

Neurosis - An Undying Love for a Burning World (2026)

Permanecemos em território dos “States” para falar de uma banda que para além das várias reviews é bastante referenciada aqui no blog. Dizer que este regresso é inesperado é um eufemismo, eu arriscaria dizer que é literalmente a surpresa da década (até porque passaram exatamente dez anos desde o seu ultimo álbum), refiro-me aos carismáticos Neurosis a propósito do seu mais recente trabalho ‘An Undying Love for a Burning World’. Sem qualquer tipo de aviso prévio os Neurosis anunciam no mesmo dia o lançamento de ‘An Undying Love for a Burning World’ e em simultâneo a adição de Aaron Bradford Turner como o seu novo guitarrista em substituição de de Scott Kelly, quando no seio dos seus fãs até já corria o rumor que os Neurosis nunca mais iriam lançar um álbum de originais. ‘An Undying Love for a Burning World’ soa mais do que qualquer outra coisa a... Neurosis, e não, isto não é uma afirmação simplesmente redundante, é que os Neurosis são uma das mais influentes bandas de Metal das ultimas três décadas, aliás são inúmeras as bandas que desde então têm várias similaridades com o quinteto Norte-Americano ou não fossem eles os pioneiros do Atmospheric Sludge Metal que viria pouco depois a derivar no Post-Metal. A grande conclusão a tirar de ‘An Undying Love for a Burning World’ é que a banda conseguia ser bastante abrangente nas composições, eu diria que com a excepção dos seus dois primeiros álbuns todo o resto da sua carreira está refletido no álbum. Um equilíbrio gerido de forma cirúrgica entre o peso gravitacional e claustrofóbico e a harmonia atmosférica que os Neurosis se foram aprimorando fazem de ‘An Undying Love for a Burning World’ um regresso em grande confirmando uma qualidade inerente muito para além do simples efeito surpresa.

8/10

[Sample] 

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Conjurer - Unself (2025)

Apesar de se ter tornado um subgénero bastante popular nos últimos quinze anos não o é particularmente no Reino Unido todavia os Conjurer têm sido uma espécie de porta-estandarte do Post-Metal em terras de sua majestade. Três anos depois de ‘Páthos’ os Conjurer voltam a conjurar ("Pun intended"), desta feita o seu terceiro trabalho de originais ‘Unself’. Completamente libertos de dogmas musicais, eu diria que os Conjurer exteriorizam com ‘Unself’ a sua versão mais Neurosis, um álbum que agrega o Post-Metal ao seu indissociável e fiel aliado Sludge Metal com uma carga simultaneamente emocional e gravitacional digna de registo. Se no tema ‘All Apart’ a banda mostra que a impetuosa e pulsante onda de Sludge Metal também é compatível com infusões de Black Metal temos por exemplo ‘This World Is Not My Home’ou ‘Let Us Live’ onde sobressai um arrastamento mais compatível com o Doom Metal mas se preferirem faixas mais em concordância com as sonoridades dos “padrinhos” da mescla Sludge/Post-Metal (os já referidos Neurosis), eu aconselharia ‘There Is No Warmth’ ou ‘Foreclosure’, o ponto mais alto de ‘Unself’ no meu ponto de vista. Não diria que ‘Unself’ confirma em definitivo a inequívoca qualidade dos Conjurer, ‘Páthos’ já tinha cumprido esse desígnio, eu acho que ‘Unself’ mostra sim que a banda ainda tem muito potencial de expansão em termos de criatividade e de identidade.  

7.5/10

[Sample] 


terça-feira, 30 de setembro de 2025

Ashbreather - La Grande Bouffe (2025)

Depois de uma alucinante e desconcertante epopeia de sci-fi em ‘Hivemind’ os Canadianos Ashbreather estão de regresso com uma nova insanidade intitulada ‘La Grande Bouffe’. Vagamente inspirado pelo filme Ítalo-Francês de 1973 com o mesmo nome desta feita o conceito do álbum passa por uma insaciável e nojenta sociedade distópica norteada pela gula que se alimenta através de uma rede de condutas directamente ligada às habitações sendo que o feijão é a base dessa mesma alimentação ‘The Bean Pipe’. ‘La Grande Bouffe’ não é apenas bizarro no que diz respeito ao seu conceito como também na sua vertente instrumental. Os Ashbreather já nos habituaram a uma verdadeira miscelânea de subgéneros e o álbum confirma mais uma vez essa tendência do trio Canadense. Uma assimétrica, instável e imprevisível mistura de Sludge Metal com Progressivo por vezes a fazer lembrar Mastodon dos tempos de ‘Blood Mountain’ ou mesmo ‘Souls At Zero’ dos emblemáticos Neurosis, já noutras fases sobressai o ambiente putrefacto, carnavalesco e doentio que tem sido explorado com grande mestria por bandas como The Lion's Daughter ou Lord Mantis. Se a criatividade é sem dúvida o recurso mais valioso dos Ashbreather mais uma vez manifestamente comprovado em ‘La Grande Bouffe’ o grande contra do álbum é a sua produção, mesmo considerando que o Sludge Metal é suposto soar “sujo” a produção fica aquém do padrão actual. 

7.5/10

[Sample]  


terça-feira, 24 de setembro de 2024

Norna - Norna (2024)

É estreita e intensa a ligação entre a Pelagic Records e o Post-Metal, existe abundância e qualidade em simultâneo sendo que um dos últimos projectos “temperado” na “fornalha” Pelagic dá pelo nome de Norna e estreou-se em 2022 com ‘Star Is Way Way Is Eye’. Ora dois anos passaram e o trio composto por uma dupla Suíça (Christophe Macquat e Marc Theurillat) e um Sueco (Tomas Liljedahl) volta a marcar presença com o seu segundo álbum de originais ‘Norna’. Confesso que ainda não ouvi o seu álbum de estreia contudo dizer que ‘Norna’ me deixou atordoado é um eufemismo. Este triunvirato sabe bem ao que vem, ‘Norna’ transpira intensidade, emoção e ansiedade tudo heterogeneamente mesclado num Post-Metal dono de uma apoteótica força gravitacional. Os últimos três temas do álbum (‘Shine By Its Own Light’, ‘Shadow Works’ e ‘The Sleep’) são simplesmente sensacionais, em cima de uma aura atormentada por um Post-Metal traçado com Sludge sobressaem os riffs musculados e compassados bafejados por uma ténue inspiração de Doom Metal. A quase obrigatória influência dos míticos Neurosis está presente tal como a partilha de algum "território" sonoro com os seus colegas de editora LLNN ainda que os Norna já tenham delineado perfeitamente as principais características da sua singular abordagem ao Post-Metal. ‘Norna’ é também ele um dos álbuns de referência de 2024.

8.5/10

[Sample]

sábado, 23 de setembro de 2023

Herod - They Were None (2014)

A ideia de misturar influências de Meshuggah e Neurosis num álbum de estreia não só seria à partida completamente lunática como seriamente impraticável tal não é o grau de exigência associado, todavia os Suíços Herod aparentemente não se amedrontam com dificuldades. Passava o ano de 2014 quando a banda que nos presenteou com os incríveis ‘Sombre Dessein’ e ‘Iconoclast’ (já este ano), fazia a sua estreia relativamente a LP’s com ‘They Were None’. ‘They Were None’ não é simplesmente um bom álbum de estreia, eu arriscava mesmo o título de fabuloso, embriagado por uma assimétrica e poderosíssima mescla de Post-Hardcore/Progressivo/Sludge Metal/Math Metal e Post-Metal onde se destacam as reminiscências de uns The Ocean muito “adolescentes” mas essencialmente a destreza técnica exponenciada pelos já referidos Meshuggah entrelaçada com a austeridade dos emblemáticos Neurosis. Ao ouvirmos faixas como ‘The Fall’, ‘The Glory North’, ‘Inner Peace’, ‘Northern Lights’ ou ‘Betraying Satan’ apercebemo-nos quase de imediato que, não só elas vão ser repetidas até à exaustão como da formidável mestria dos Herod. ‘They were None’ é para mim não só o melhor álbum da banda até ao momento (mesmo considerado a inerente qualidade dos seus sucessores) como um dos melhores álbuns que ouvi ultimamente, peso aliado a criatividade de uma forma absolutamente genial. 

9.5/10 

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domingo, 23 de abril de 2023

Sunrot - The Unfailing Rope (2023)

Directamente de New Jersey para o mundo os Sunrot vieram para se estabelecer como uma vigorosa e violenta força de agustia reprimida. ‘The Unfailing Rope’ é o segundo álbum da banda e vale bem a pena ser “digerido” e escalpelizado. Ao Sludge Metal ardiloso, fedorento e desolador carregado por uma inspiração claramente decalcada da fase mais abrasiva dos seus conterrâneos Neurosis, os Sunrot adicionam a aura negra, sôfrega e torturante do Doom Metal oferecendo uma espécie de hipnose que deixa a sensação que os temas são mais curtos do que realmente são. ‘The Unfailing Rope’ fica também marcado por incluir faixas dominadas pelo Noise (‘Descent’, ‘The Cull’ e ‘Love’) como uma espécie de preliminar para uma nova descarga de Sludge austero e rugoso. Se em termos líricos ‘The Unfailing Rope’ aborda temas com uma elevada carga emocional em termos sonoros o álbum é uma verdadeira descarga de riffs sujos, impetuosos e decadentes cuidadosamente condicionados por um ambiente simultaneamente hostil e desolador. Destaco as formidáveis ‘Trepanation’, ‘Gutter’, ‘Patricide’ e ‘Tower Of Silence’, faixas repletas de um poder gravitacional que só o Sludge Metal pode gerar.  

8/10

[Sample]