sábado, 18 de julho de 2026

ΦΩΣ - I Am The Light (2025)

Outro regresso importante em 2025 foi o do Grego Athanasios "Thespieus" Papangelis, ele que já tinha entusiasmado os aficionados do Black Metal mais tradicional com o seu projecto Svet particularmente através do seu excelente álbum de estreia simplesmente intitulado ‘The Truth’ em 2022. Pois bem Athanasios voltou ao activo em 2025 mas com um outro projecto desta vez identificado por ΦΩΣ que significa (Phos) ou luz no alfabeto Grego através do álbum ‘I Am The light’. A obsessão de Athanasios com a palavra luz é tão evidente que me obrigou a confirmar que ΦΩΣ não seria apenas uma alteração de nome dos Svet. Tal como no projecto Svet também aqui Athanasios é o responsável por toda a concepção musical e também aqui o Black Metal tem o papel principal das sonoridades da banda. Um Black Metal num formato bastante tradicional quase em jeito de tributo ao Black Metal Escandinavo do inicio da década de 90, contudo os ΦΩΣ aproveitam (e bem) algum do Folk Helénico para aprimorar uma atmosfera mística que acaba também ela por ser uma característica marcante das sonoridades da banda. Resta abordarmos a perspectiva lírica de ‘I Am The light’, que, como seria de esperar revolve em torno do significado de “luz”, da ambivalência entre o fogo e o Sol (duas importantes fontes de luz) e o seu contraste com a escuridão. Em tempos onde escasseiam lançamentos de qualidade intrínseca no domínio do Black Metal ‘I Am The light’ é uma importante e empolgante excepção.

7.5/10

[Sample]  

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Urzah - A Tranquil Void (2026)

Dois anos depois de uma auspiciosa estreia com ‘The Scorching Gaze os Britânicos Urzah estão de regresso com o seu segundo álbum de estúdio intitulado ‘A Tranquil Void’. Entraram com impacto no domínio do Post-Metal/Sludge intrincado com Progressivo e agora o grande desafio seria a confirmação, não só da sua identidade musical como da qualidade evidenciada na sua estreia. Em abono da verdade talvez ‘A Tranquil Void’ não tenha atingido exatamente o mesmo patamar qualitativo que o seu antecessor mas eu diria que por muito pouco, todavia no que à sua identidade sonora diz respeito o quarteto oriundo de Bristol mostra de forma inequívoca que o seu compósito de Post-Metal/Progressivo e Sludge Metal está cada vez mais consolidado. A grande diferença a registar quando comparado com o seu antecessor é que em ‘A Tranquil Void’ o Progressivo conquistou de facto mais algum espaço. Também na vertente ambiental a banda parece apresentar-se com uma outra maturidade exibindo uma interessante dinâmica entre o magnetismo e agressividade dos riffs com o carimbo Sludge e os segmentos mais atmosféricos. Destaco as incontornáveis ‘Infernal Star Ie
Infernal Star IIos dois temas onde mais sobressai a capacidade técnica dos Urzah mas também The Call Beneathe ‘In The Mouth Of The Wolf’, ambos a provocarem reminiscências dos Norte-Americanos Mastodon.

8/10

[Sample]  

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Combichrist - CMBCRST (2024)

Outro álbum que nos passou ao lado foi o décimo da já longa carreira de Andy LaPlegua e dos seus estimados CombichristCMBCRST’. O álbum que remonta a maio de 2024 vem cinco anos depois de ‘One Fire’ e apenas dois depois do EPHeads Off’ e a minha primeira critica acerca de ‘CMBCRST’ está precisamente relacionada com o já referido EP. Parece-me senso comum que um EP pode e deve funcionar como uma espécie de “aperitivo” para o que se sucede e no caso especifico dos Combichrist é mesmo o seu primeiro EP por muito estranho que pareça contudo a banda decidiu incorporar na totalidade ‘Heads Off’ em ‘CMBCRST’ o que a meu ver retira qualquer tipo de lógica ao lançamento de ‘Heads Off’. ‘CMBCRST’ é possivelmente o melhor álbum da banda em anos e porquê? Eu diria que a principal razão prende-se com o facto de Andy LaPlegua ter conseguido finalmente consolidar um difícil equilíbrio sonoro entre as duas assumidas vertentes da banda, Industrial Metal e Aggrotech. Tal como já tinha acontecido em ‘Heads Off’ também em ‘CMBCRST’ existem temas a gosto das duas “facções” que têm acompanhado a banda, Complianceou ‘Children of Violence’ para os mais aficionados do Eletrónico/Aggrotech ou ‘Planet Doom’ ou ‘D for Demonic’ (bem a puxar às sonoridades dos seus conterrâneos Ministry) para quem é mais apreciador de um Industrial com riffs bem orelhudos. Todavia penso que o grande mérito dos Combichrist neste ‘CMBCRST’ é terem alcançado esse já referido equilíbrio musical não só entre temas como também dentro do próprio tema, as formidáveis ‘Only Death Is Immortale ‘Through The Ravens Eyessão talvez os melhores exemplos disso mesmo. A dias do lançamento do seu décimo primeiro álbum as expectativas são muito boas.

8/10

[Sample]  

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Mantar - Post Apocalyptic Depression (2025)

Começo por pedir desculpa pelo atraso pois o álbum que vamos analisar remonta a Fevereiro de 2025 no caso o quinto da dupla Alemã Mantar intitulado ‘Post Apocalyptic Depression’. Depois de uma fase inicial em que os Mantar assentaram as suas sonoridades num mescla entre Sludge e Punk a banda foi evoluindo e modernizando as suas composições até The Modern Art Of Setting Ablaze’, a meu ver o ponto mais alto da sua carreira até ao momento contudo de forma algo estranha e até imprudente diria eu, a banda voltou alguns passos atrás com Pain Is Forever And This Is The Ende ‘Post Apocalyptic Depression’ continua nessa toada de regresso às origens. ‘Post Apocalyptic Depression’ é claramente o álbum mais Punk da banda, eu diria que todas as outras influências perderam bastante espaço, o álbum é cru, directo e rápido (não só em termos de vertigem mas também na duração das faixas), mas por outro lado também representa um óbvio retrocesso criativo pois a estrutura musical é agora bem mais elementar e vulgar. Apesar da sua assumida admiração pelo Grunge particularmente por uma fase precoce dos incontornáveis Nirvana os Mantar já provaram e de que forma que conseguem compor temas com um diferente nível de complexidade e relevância. Independentemente de um bom punhado de riffs dinâmicos, enérgicos e acima de tudo bem executados ‘Post Apocalyptic Depression’ não é um álbum que ascenda acima do satisfatório. Destaco os temas ‘Morbid Vocatione ‘Cosmic Abortioncomo os mais interessantes do álbum.

7/10 

[Sample] 

domingo, 12 de julho de 2026

Erdve - Epigrama (2026)

Eles são Lituanos e temos acompanhado ao pormenor a sua (ainda curta carreira) aqui no blog, falo dos Erdve a propósito do seu terceiro álbum de originais ‘Epigrama’. Cinco anos depois de Savigailaos Erdve regressam com uma nova proposta musical (‘Epigrama’) e a primeira consideração a reter sobre o álbum é a sua consistência, um factor que aliás têm sido habitual em todos os trabalhos da banda. Se é verdade que nenhum dos seus álbuns pode ser considerado “mind blowing” também não é menos verdade que todos eles se enquadram num nível alto. Os Erdve têm também traçado um caminho no qual conseguem sempre apresentar vitalidade nas suas sonoridades sem beliscar a sua vincada identidade musical e ‘Epigrama’ é mais um bom exemplo disso. Apesar de uma renuncia quase total às (cada vez menos frequentes) influências de Black Metal o seu híbrido de Hardcore, Sludge Metal e Post-Metal continua sólido, contemporâneo e impactante. ‘Epigrama’ destaca-se também por uma atmosfera com texturas de Post-Metal cada vez mais assíduas amplificadas por riffs (por vezes com uma afinação a puxar ao Djent), densos, implacáveis e crus a fazer lembrar bandas como LLNN ou Maussade. Na sua vertente lírica ‘Epigrama’ pode ser categorizado como um álbum que explora conceitos mundanos como o Niilismo, a decadência humana e social mas sempre numa perspectiva trágica e céptica. Saliento os temas ‘Nyra’, ‘Trukmė’, ‘Svertas’ e ‘Raukšlės’ como os mais impressionantes de Epigrama’, sem dúvida um dos álbuns a ter em conta em 2026.

7.5/10 

[Sample] 

 

terça-feira, 30 de junho de 2026

At The Gates - The Ghost of a Future Dead (2026)

É difícil de acreditar que ‘The Ghost of a Future Dead’ foi o titulo escolhido pelos Suecos At The Gates antes do precoce desaparecimento do seu icónico líder Thomas Lindberg. É impossível falarmos de ‘The Ghost of a Future Dead’ sem falar do inesperado falecimento de Lindberg até porque apesar do álbum ter sido lançado a titulo póstumo as vocalizações foram ainda inteiramente da sua responsabilidade. Lindberg vai por certo ser reconhecido como a mais emblemática personagem do chamando Gothenburg Metal, não só por ter participado de forma bastante activa na sua génese mas também pelo numero de projectos de edificou dentro deste particular sub-género (Nightrage e The Great Deceiver são bons exemplos). Feita a mais que justificada homenagem o foco centra-se agora no álbum. ‘The Ghost of a Future Dead’ (o oitavo e derradeiro álbum da banda) tem sido apontado como o melhor dos At The Gates desde o seu surpreendente regresso em 2014, eu diria que talvez a óbvia carga dramática esteja a influenciar de forma decisiva as opiniões e não é porque o álbum não seja consistente nada disso, todavia eu acho que com a excepção de ‘To Drink From The Night Itself(2018) que está a meu ver um furo abaixo, os outros três álbuns da banda desde o seu retorno estão a um nível muito semelhante. Ao contrário do que aconteceu em ‘The Nightmare OfBeingdeste vez os At The Gates voltaram às suas sonoridades primordiais onde de facto parece que conseguem sempre superar toda a concorrência, a receita do Gothenburg Metal é por demais conhecida e experimentada mas com os At The Gates ela leva sempre um condimento especial e secreto. É complicado escolher um destaque num álbum tão compacto e regular ainda assim arrisco o tema ‘A Ritual of Waste’, uma faixa bem característica das sonoridades típicas do aclamado quinteto Sueco. Um até sempre para Thomas Lindberg, o seu legado por certo perdurará.

7.5/10

[Sample] 

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Six Feet Under - Next To Die (2026)

A sua regularidade é de facto assinalável, os Norte-Americanos Six Feet Under lançaram no final do passado mês de Abril o seu décimo sexto álbum de originais ‘Next To Die’. Confesso que por esta altura o espírito para ouvir algo novo do quinteto Norte-Americano é o mesmo de encarar uma inevitabilidade como fazer o IRS ou ir ao dentista tal não é o nível de previsibilidade que a banda já nos acostumou. Se Nightmares Of The Decomposedfoi aceite de forma quase consensual como o ponto mais baixo da longa carreira da banda em Killing For Revengepelo menos esse declínio foi invertido portanto as expectativas para este ‘Next To Die’ nunca poderiam seriam muito altas. ‘Next To Die’ confirma que os Six Feet Under ainda têm “sumo”? Não necessariamente, eu diria que o álbum está ao nível do seu antecessor, consumível mas facilmente descartável e esquecível. A sua fórmula de Zombie Death Metal está esgotadíssima, quer nos temas quer nas composições musicais tudo parece uma espécie de reciclagem de musicas que a banda já previamente fez, dizer que os Six Feet Under estão no beco criativo por esta altura é um eufemismo. Ainda assim ‘Next To Die’ contém alguns temas comestíveis dentro da monotonia generalizada, ‘Wrath And Terror Takes Commande ‘Skin Coffinssão provavelmente os melhores exemplos disso em contraste ‘Mister Blood And Guts’, uma faixa completamente ridícula, embaraçosa e talvez mais consentânea com o actual momento da banda.

 6/10

domingo, 21 de junho de 2026

Goat The Head - Death By Default (2026)

Saiu no final do mês passado e marca o regresso do mais “cavernoso” quarteto Norueguês, falo de ‘Death By Default’, o álbum numero cinco para os vikings Goat The Head. Três anos depois de ‘Et lokalsamfunn I Sorg’ e cinco depois de ‘Strictly Physical’ (o ultimo que ouvi), os Goat The Head abandonam claramente uma fase mais experimental para voltarem à sua zona de conforto. Com seis temas e apenas 25 minutos de duração ‘Death By Default’ mostra-nos uns Goat The Head apostados em despejar o seu Death Metal agressivo, sujo e cru com pontos de contacto óbvios com o Death Metal Sueco dos anos 90 ou não tivesse a mistura do álbum ficado à responsabilidade do icónico Tomas Skogsberg (ele que produziu alguns dos mais emblemáticos álbuns de Entombed e Dismember no conhecido estúdio Sunlight Studios). ‘Death By Default’ acaba por ser um álbum consistente e intenso apesar de curto contudo também têm pontos fracos sendo que o principal eu diria que é a sua carência de risco e imaginação pois apesar da fase mais experimental da banda não ter corrido da melhor forma acho que não era caso para uma radicalização quase para o polo oposto. Ou seja, se pela perspetiva técnica ‘Death By Default’ é um álbum sólido no que à originalidade diz respeito deixa muito a desejar, a excepção talvez seja um riff bem ao estilo dos Deathspell Omega na faixa ‘Infernal Expulsion’. Uma ultima nota de destaque para os temas ‘Marok's Lot’, ‘Hungarian Finger’, os mais impactantes de ‘Death By Default’.  

7/10 

[Sample] 

terça-feira, 16 de junho de 2026

Dimmu Borgir - Grand Serpent Rising (2026)

Voltamos atenções para a musica até porque os lançamentos não param para falarmos do mais recente trabalho dos Dimmu BorgirGrand Serpent Rising’, o seu décimo álbum. Outrora a banda mais popular e prestigiada da tão badalada segunda vaga do Black Metal Norueguês os Dimmu Borgir foram perdendo fulgor de uma forma regular, a grande pergunta que se impõe é se essa perda de “gás” está estritamente relacionada com um declínio da qualidade das suas composições musicais, eu diria que sim embora de forma parcial. Na minha opinião, ao contrário de muitos dos seus pares os Dimmu Borgir não se souberam reinventar e como consequência disso o seu Black Metal foi-se paulatinamente afogando num pântano de Symphonic/Melodic Metal com esporádicas provocações de Industrial, esse longo caminho culminou em ‘Eonian’ (2018), o momento mais baixo da longa carreira da banda Norueguesa. É verdade que ‘Grand Serpent Rising’ supera ‘Eonian’ (seria o mínimo exigível) apesar de estar ainda longe da qualidade dos álbuns de referência da banda e certamente não contém a vitalidade que os Dimmu Borgir desesperadamente precisavam. Digamos que o ponto de partida de ‘Grand Serpent Rising’ também não foi o ideal pois em 2024 Galder (o lendário guitarrista e parte integrante do núcleo duro da banda) anunciou a sua saída, saída essa que teve efeitos incontornáveis na composição do álbum.‘Grand Serpent Rising’ sofre dos mesmos problemas que atormentaram os últimos álbuns da banda, uma desproporcional relação entre melodia e agressividade em favor da melodia, uma pouco saudável obsessão pelo Symphonic Metal, a produção demasiado polida e uma ligação distante e estagnada com o Black Metal, quase forçada e sem qualquer tipo de inovação ou risco. Destaco ainda assim ‘Ascent’ e ‘Phantom Of The Nemesis’ (um piscar de olho a “maldita” ‘Puritania’) como os melhores temas de um álbum que é na sua essência acima de tudo...aborrecido.

6.5/10 

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Good Luck, Have Fun, Don't Die (2025)

Foi uma das poucas boas surpresas cinematográficas de 2025, falo de ‘Good Luck, Have Fun, Don't Die’, um filme que consuma o regresso de Sam Rockwell num papel de grande destaque. Num argumento onde abunda a criatividade ‘Good Luck, Have Fun, Don't Die’ este contem de facto um pouco da excentricidade de Terry Gilliam e do futurismo caustico da série ‘Black Mirror’. A historia centra-se em The Man from the Future/Sam Rockwell, um homem que (como próprio nome indica) afirma ter vindo do futuro perante um céptica audiência numa cafetaria em Los Angeles, apesar da sua indumentária ser mais compatível com a de um sem-abrigo retro-futurista The Man from the Future consegue ganhar crédito perante os seus ouvintes contando-lhes pormenores secretos das suas vidas. Depois de garantir a atenção desta aleatória plateia The Man from the Future confessa que a sua missão é reunir ali mesmo uma equipa para o ajudar a evitar a activação de uma inteligência artificial que vai ser uma séria ameaça para a humanidade, e que o prazo para esta missão é de 24 horas. Confesso que no inicio da sua carreira Sam Rockwell não era um actor que me enchesse as medidas contudo foi ganhando o meu respeito e conseguiu consolidar uma mudança de opinião da minha parte com filmes como ‘Moon’, ‘Seven Psychopaths’ e ‘Three Billboards Outside Ebbing, Missouri’. Em ‘Good Luck, Have Fun, Don't DieRockwell volta a fazer um formidável papel ainda que completamente dentro da sua zona de conforto, destaque também para a participação de Juno Temple como Susan. ‘Good Luck, Have Fun, Don't Die’ acaba por ser um filme bastante interessante em virtude de um argumento imaginativo e imprevisível, uma raridade na actualidade da sétima arte. 

7/10

[Trailer]  

segunda-feira, 8 de junho de 2026

The Running Man (2025)

Lançado para o cinema no final do ano passado ‘The Running Man’ não é um simples remake do filme com o mesmo nome de 1987 protagonizado pelo carismático Arnold Schwarzenegger mas sim uma nova adaptação ao livro de Stephen King também ele intitulado ‘The Running Man’ escrito na altura sobre o pseudónimo de Richard Bachman tal como ‘The Long Walk’ (filme analisado recentemente aqui no blog). Anunciado como uma adaptação muito mais fiel à sua base literária do que a versão de 1987, ‘The Running Man’ é o que eu categorizo como uma verdadeira calamidade cinematográfica tendo em consideração o resultado final em relação ao investimento. O argumento é de alguma forma similar ao de ‘The Hunger Games’, numa sociedade futurista e distópica onde a divisão entre ricos e pobres é bastante vincada, Ben Richards/Glen Powell (um comum trabalhador de colarinho azul) num acto de desespero decide entrar numa espécie de caçada em modo reality Show na esperança de conseguir a verba necessária para salvar a sua família. Este concurso (The Running Man) consiste em sobreviver durante 30 dias a uma perseguição letal por parte de literalmente qualquer pessoa que decida entrar no jogo. Mesmo comparado com o filme de 1987, que nem sequer foi um dos êxitos contundentes de Schwarzenegger, The Running Man’ é um desastre, começando pela intragável personagem principal com uma interpretação medíocre e constrangida, diálogos completamente ocos e entediantes passando pelas sequencias de acção que raramente têm algum momento de credibilidade ou lógica, terminando na duração do filme que parece se eternizar numa amalgama de clichés e previsibilidades até levar o espectador a entrar em modo de suplica pelo final desta aberração cinematográfica. 

4/10 

domingo, 31 de maio de 2026

War Machine (2026)

Para quem esperava por um filme de acção crua, constante e intensa com um pedigree militar e desenfreadas vagas de testosterona pois bem a espera terminou. Com o selo NetflixWar Machine’ tem o inicio comum de um filme militar, numa missão no Afeganistão um grupo de soldados cai numa emboscada e apenas um sobrevive (81/Alan Ritchson), contudo uma das vitimas era o seu irmão mais novo que ele tenta estoicamente salvar apesar dos seus ferimentos, minutos antes deste acontecimento 81 tinha prometido ao seu irmão que o acompanharia numa recruta dos Rangers, a mais dura e desafiante recruta de todas as forças especiais Norte-Americanas. Dois anos depois 81 decide cumprir a promessa para a honrar a morte do seu irmão apesar do seu severo caso de Stress Pós-Traumático. Fisicamente 81 é um soldado exímio e vai sobrevivendo na recruta de forma exemplar, depois de várias filtragens e os candidatos ficarem reduzidos a um pequeno número a recruta termina com uma ultima missão, contudo essa missão revela-se muito mais difícil de que um ultimo teste pois o grupo é confrontado com um robô alienígena que é uma verdadeira maquina de guerra que aparentemente têm como único objectivo exterminar humanos. Com alguns pontos de contacto com filmes como ‘Predator’ (1987) e ‘War Of The Worlds’ (2005), ‘War Machine’ é um filme de acção contínua como há muito não se via, a partir do segundo terço do filme este entra num ritmo tão frenético que se torna avassalador, o nosso grupo de soldados literalmente não tem cinco minutos de descanso. Destaque para a excelente prestação de Alan Ritchson num papel que exige mais do que apenas encarnar o habitual “badass” quase indestrutível, para os efeitos visuais de bom nível com particular realce para o bem conseguido design do robô, e especialmente para a incrível intensidade do filme.

7/10 

[Trailer] 

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Sirât (2025)

Para além das duas nomeações para os Óscares foi colecionando vários prémios entre eles o prémio do júri do aclamado festival de Cannes, falo do filme independente ‘Sirât’. Depois de ver o filme confesso que fiquei com alguma pena de não o ter visto em cinema pois muito mais do que pela história ‘Sirât’ vale essencialmente pela experiência. A história essa é de fraco minimalista, um pai (Luis) acompanhado pelo seu filho menos (Esteban) procuram a sua filha numa rave ao ar livre no deserto Norte-Africano, mais concretamente em Marrocos. É verdade que o argumento é básico e pouco sedutor todavia em todas as outras vertentes cinematográficas ‘Sirât’ destaca-se. Um formidável trabalho de realização aliado a uma fantástica cinematografia oferecem a ‘Sirât’ uma atmosfera austera, intensa e angustiante sempre com o deserto como pano de fundo. Outro factor decisivo para o sucesso do filme é a sua incrível banda sonora, eu diria até que talvez seja uma peça essencial de ‘Sirât’, sonoridades dissonantes pautadas por uma espécie de Techno experimental e hipnótico. ‘Sirât’ tem também a particularidade de ser um filme inclusivo e sujeito a interpretações e teses, apesar de nos deixar algumas pequenas pistas sobre o que está a acontecer no mundo não fica claro “quando” se passa a história, apenas que algum tipo de conflito mundial está prestes a ocorrer. O ponto negativo do filme na minha opinião prede-se com a falta de profundidade das personagens (apesar da boa qualidade da generalidade das interpretações) e dos diálogos. Um filme refrescante e impactante com uma intensidade visceral e uma carga espiritual muito superior ao típico filme “road movie”.

7/10 

[Trailer] 

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Marty Supreme (2025)

Quem viu ‘Uncut Gems’ por certo estará familiarizado com o realizador Josh Safdie, pois bem é precisamente pelas mãos dele que Timothée Chalamet está de volta aos papéis de grande destaque depois de ‘Dune: Part Two com o filme ‘Marty Supreme’. Não sendo assumidamente um filme biográfico ‘Marty Supreme’ é no entanto inspirado na vida do tenista-de-mesa Marty Reisman. O filme conta-nos a história de um homem completamente lunático, obcecado e egocêntrico. Sendo um manipulador nato Marty é capaz de qualquer coisa para chegar ao seu objectivo não se importando com as consequências nem com os danos causados às pessoas em seu redor sendo que o seu objectivo (entrar num prestigiado torneio de ténis-de-mesa em solo Japonês) é a única coisa que importa. Depois de uma inesperada, angustiante e kármica derrota na final do torneio Marty consegue intensificar ainda mais sua obsessão desta vez com a rebuscada ideia de uma hipótese de desforra contra Koto Endo/Koto Kawaguchi. Com um ritmo frenético e sufocante ‘Marty Supreme’ é um filme interessante ainda que pelo seu tema possa não parecer, para isto contribui e de que maneira a fantástica interpretação de Marty por Timothée Chalamet, mais um papel formidável na sua curta carreira, um papel que reforça a tese de Chalamet ser o melhor actor da sua geração. ‘Marty Supreme’ comporta também ideias subjacentes a outros dois filmes na minha opinião, ‘The Wolf Of Wall Street’ pelas similaridades entre os dois protagonistas no que à mentira à burla e à manipulação diz respeito e ‘Pawn Sacrifice’ pelas semelhanças no grau de obsessão de um homem por um desporto.

 7.5/10

[Trailer] 

quarta-feira, 20 de maio de 2026

The Rip (2026)

Uma das duplas mais conhecidas do cinema está de regresso em 2026 com ‘The Rip’, falo de Matt Damon e Ben Affleck. Com a chancela Netflix e realizado por Joe Carnahan, ele que foi o autor do formidável ‘Smokin’ Aces’, ‘The Rip’ é o chamado Thriller Policial convencional. A história começa com o assassinato da capitã Jackie Velez o que leva a uma investigação interna da Tactical Narcotics Team onde se incluem precisamente o Tenente Dane Dumars/Matt Damon e o Sargento J.D. Byrne/Ben Affleck levada a cabo pelo FBI, entretanto Dane recebe uma pista anónima sobre uma grande quantia de dinheiro numa casa que alegadamente pertence a um cartel, e equipa consegue entrar na casa todavia percebe que o saque é bastante superior o que era suposto. Por entre desconfianças, tentações óbvias, possível corrupção e mentiras Dane tenta perceber em quem pode confiar e se de alguma forma esta dica está relacionada com a morte de Jackie. Vagamente inspirado no escândalo designado por ‘Miami River Cops’ o argumento de ‘The Rip’ pode não ser inovador mas apresenta vários motivos de interesse, não só pelo ambiente claustrofóbico suburbano com também pela tensão gerada em torno dos personagens com particular destaque para a boa dinâmica entre Damon e Afleck. Onde o filme deixa a desejar e perde algum do seu élan é na sua parte final pois a perspectiva psicológica é atirada para segundo plano em prol de um desfecho prolífico em acção previsível e vulgar.

7/10

[Trailer] 

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Predator: Badlands (2025)

O franchise ‘Predator’ tem passado por um sem fim de capítulos onde em cada um permanece a ambição de trazer o mesmo de volta à popularidade dos dois primeiros filmes, ‘Predator’ (1987) e ‘Predator 2’ (1990) ainda que a grande maioria dessas tentativas se tenham revelado fracassos. Desde 2022 tem sido o realizador Dan Trachtenberg através de produções Hulu que tem tentado revitalizar a franquia com ‘Prey’ (2022) e o filme de animaçãoPredator: Killer of Killers (2025), com algum sucesso diga-se. Pois bem ‘Predator: Badlands’ foi uma espécie de tira-teimas para Dan Trachtenberg que desta vez até pôde contar com o apoio dos estúdios Century Fox. A história de ‘Predator: Badlands’ centra-se em Dek, um Yautja (a denominação dada à espécie dos Predadores) adolescente que tarda em ser aceite pelo chefe do seu clã que é simultaneamente o seu pai pois é considerado demasiado fraco e como consequência tem de morrer. Numa luta até à morte com o seu irmão mais velho Kwei para provar de uma vez por todas o seu valor para receber o celebre dispositivo de camuflagem (um ritual de emancipação para a idade adulta dos Yautja) Dek sai derrotado contudo num volte-face o seu irmão sacrifica-se para que ele possa deslocar-se para o planeta Genna para caçar a implacável e invencível besta Kalisk como a derradeira tentativa de redenção. Apesar dos efeitos visuais competentes, das eficazes sequencias de acção e da reconhecida criatividade da concepção do planeta Genna (onde acontece a maior parte do filme), Predator: Badlands’ peca essencialmente na profundidade do seu conteúdo e na previsibilidade do desenrolar do enredo, pois se esmiuçarmos em pormenor a premissa do filme facilmente chegamos à conclusão que Dek é um Yautja com problemas comuns a um qualquer adolescente humano com “daddy issues”. Predator: Badlands’ acaba por ser mais uma oportunidade falhada de clarificar de forma mais detalhada a espécie Yautja, ao invés a aposta continua a ser a sua ridícula humanização.

6/10 

sábado, 16 de maio de 2026

Now You See Me: Now You Don't (2025)

Quando já se pensava que o franchise tinha sido abandonado em definitivo eis que os ‘Four Horsemen’ estão de regresso. Mais um exemplo da tese que em Hollywood nada termina de forma permanente, nove anos depois ‘Now You See Me 2’ a franquia volta a dar sinal de vida com ‘Now You See Me: Now You Don't’ (porque ‘Now You See Me 3’ seria porventura demasiado cliché). Superar o seu antecessor seria simultaneamente facílimo e obrigatório e de facto o filme cumpre esse objetivo contudo continua bem longe da qualidade apresentada no primeiro filme do franchise ‘Now You See Me’ (2013). Desta feita os nossos ‘Four Horsemen’ unem esforços com uma nova geração de ilusionistas que os veem como referencias para desmascarar Veronika Vanderberg, a CEO da Inter-Continental Chemical Industries, uma corporação que serve de fachada para crimes de corrupção e tráfico de armas entre outros, desta forma os ‘Four Horsemen’ mantêm a sua veia de justiceiros alinhados com a filosofia de Robin dos Bosques mas usando a sua arma de eleição...a magia. Tal como os seus antecessores o sucesso de ‘Now You See Me: Now You Don't’ está directamente ligado com a capacidade de surpreender o espectador utilizando para esse efeito os famosos “twists” todavia a fórmula já apresenta claros sinais de desgaste resultando numa evolução da história muito mais previsível do que seria pretendido. A adição de três novos personagens principais também nada acrescenta ao filme pois a sua falta de profundidade e de carisma é por demais evidente e apenas parecem servir como uma pouco disfarçada passagem de testemunho para possíveis sequelas já sem os ‘Four Horsemen’ originais. Por todos estes motivos ‘Now You See Me: Now You Don't’ acaba por ser um filme que resvala para a categoria do tédio e da previsibilidade.

6/10 

terça-feira, 12 de maio de 2026

One Battle After Another (2025)

Quatro anos depois de ‘Licorice Pizza’ o aclamado realizador Paul Thomas Anderson regressou com ‘One Battle After Another’, um filme que foi de forma geral muito bem recebido pela critica adquirindo mesmo o estatuto de um dos melhores filmes de 2025. E se ‘Licorice Pizza’ peca essencialmente pela falta de acção assente num argumento pouco impactante desta vez Paul Thomas Anderson inverteu por completo o tabuleiro. ‘One Battle After Another’ começa com uma operação do grupo de extrema esquerda French 75 onde se destacam os protagonistas Perfidia Beverly Hills/Teyana Taylor e Pat Calhoun/Leonardo DiCaprio, essa actividade consiste na libertação e ajuda a emigrantes ilegais que tentam entrar em solo Norte-Americano. Pouco tempo depois Perfidia é apanhada em flagrante a armadilhar uma bomba pelo incansável Coronel Steven J. Lockjaw/Sean Penn (um militar que apesar da sua obsessão em erradicar o grupo revolucionário French 75 não consegue conter uma inexplicável atração por Perfidia) que exige ter sexo com ela como moeda de troca para a sua libertação. Entretanto Pat e Perfidia tornam-se numa família com o nascimento de Charlene/Chase Infiniti, todavia a vida como casal têm um final abrupto pois Perfidia insiste em continuar as suas actividades no grupo French 75 enquanto Pat acha que ambos devem assentar e focar-se na educação de Charlene. A decisão de Perfidia em abandona-los veio a revelar-se péssima pois ela é novamente apanhada pelas forças policiais e desta vez obrigada a revelar os nomes e localizações do French 75. Graças às denuncias de Perfidia Lockjaw desmantela o infame grupo mas não se fica por aí pois 16 anos mais tarde ele consegue rastrear o paradeiro de Pat e Charlene (agora escondidos na pequena cidade de Baktan Cross) e prossegue a sua missão convencido que existe a possibilidade de Charlene ser sua filha. Com um argumento bem delineado e um ritmo intenso e quase sempre frenético ‘One Battle After Another’ é sem duvida um filme que entusiasma e “agarra” o espectador contribuindo também para isso uma generosa dose de boas interpretações onde tenho de destacar de forma particular a de Sean Penn, um papel verdadeiramente arrebatador. Uma ultima nota para a habitual excelência na arte da realização de Paul Thomas Anderson com o óbvio destaque para a parte final do filme.

 7.5/10

[Trailer] 

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Bugonia (2025)

Dois anos após o sucesso de ‘Poor Things’ a parceria entre o extravagante realizador Yorgos Lanthimos e Emma Stone volta a estar em evidência em ‘Bugonia’. Em comparação com ‘Poor Things’ a história de ‘Bugonia’ situa-se também ela no território da bizarria. Vivendo com o seu influenciável e ingénuo primo (Don/Aidan Delbis) numa casa relativamente isolada da sociedade Teddy Gatz/Jesse Plemons é um fiel adepto das mais absurdas teorias da conspiração entre elas particularmente uma em que ele acredita de forma incontestável de que vivem extraterrestres entre nós, norteado por essa inabalável fé ele resolve agir e raptar a CEO da Auxolith Biomedical Michelle Fuller/Emma Stone e aprisiona-la na cave da sua casa até ela confessar que é de facto uma extraterrestre disfarçada de humana. Se o argumento de ‘Bugonia não parece à partida capaz de cativar os espectadores mais exigentes na verdade a formidável interpretação de de Plemons só por si catapulta o nível do filme para um outro patamar. ‘Bugonia’ contem não só uma interessante e marcante perspectiva sobre as teorias da conspiração, seus respectivos fanáticos e como elas se constroem e florescem na actualidade mas também uma eficaz e pertinente critica ao corporativismo e às cada vez mais vincadas desigualdades entre classes sociais. ‘Bugonia’ é em suma um filme surpreendente e impactante que vale sobretudo pela riqueza do seu conteúdo.

7.5/10

[Trailer] 

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Wake Up Dead Man: A Knives Out Mystery (2025)

Três anos depois de ‘Glass Onion: A Knives Out Mystery’ o franchise ‘Knives Out’ está de regresso com o terceiro capitulo ‘Wake Up Dead Man: A Knives Out Mystery’. O factor que mais se evidencia logo à partida é o ambiente radicalmente oposto ao seu antecessor, a atmosfera veraneante de ‘Glass Onion: A Knives Out Mystery’ é desta feita drasticamente substituída pelo clima cinzento, soturno e severo dos subúrbios de Londres. Também o conteúdo do filme se revela significativamente diferente de ‘Glass Onion: A Knives Out Mystery’ pois a toada de humor negro dá agora a vez a um tom dramático e austero com um forte pendor religioso. Em ‘Wake Up Dead Man: A Knives Out Mystery’ o já nosso conhecido detective Benoit Blanc/Daniel Craig é convocado para resolver o possível assassinato do monsenhor Jefferson Wicks/Josh Brolin (o fanático e tendencioso pároco da paroquia ‘Our Lady of Perpetual Fortitude’, um assassinato? Que até tem contornos de ressurreição e que acontece pouco tempo depois da transferência do jovem padre Jud Duplenticy/Josh O’Connor para esta igreja (o óbvio suspeito principal). Se considerar-mos que o nível de qualidade de ‘Glass Onion: A Knives Out Mystery’ esta consideravelmente abaixo de ‘Knives Out’ podemos considerar que ‘Wake Up Dead Man: A Knives Out Mystery’ se situa algures entre os dois ainda que mais perto do nível qualitativo do primeiro filme da franquia. Se o argumento tem de facto um importante contributo no resultado final de um filme penso que neste caso o factor que mais pesou é mesmo o fantástico elenco que conta, para além dos nomes já referidos, com as participações de Jeffrey WrightAndrew ScottJeremy Renner, Mila Kunis e Glenn Close, todos eles com interpretações bastantes contundentes ainda que a de Josh Brolin atinja um patamar de excelência acima de qualquer outro.

7.5/10

[Sample]