domingo, 31 de agosto de 2025

Mission: Impossible - The Final Reckoning (2025)

Vai por certo ser o maior legado de Tom Cruise quando terminar a sua carreira, falo como é óbvio do franchise Mission Impossible, aliás Cruise tem estado envolvido na produção de vários filmes da saga. Dois anos depois de ‘Mission: Impossible - Dead Reckoning Part One’ chega a conclusão da história e quiçá mesmo do franchise (alguns acontecimentos em ambos os filmes parecem claramente indicar um fim de ciclo) com ‘Mission: Impossible - The Final Reckoning’. Ora o grande handicap de ‘Mission: Impossible - The Final Reckoning’ é que é inferior ao seu antecessor quando o desejável seria um final em grande, e são várias as explicações para isso, pra para começar a própria existência de uma segunda parte é discutível talvez um único filme com uma história mais compacta fosse a decisão mais acertada. ‘Mission: Impossible - The Final Reckoning’ vale essencialmente por duas longas sequências de acção pois praticamente todo o resto do filme é preenchido com detalhas e entediantes explicações acerca de tudo o que a equipa IMF se prepara para ir fazer. Outro destaque pela negativa de ‘Mission: Impossible - The Final Reckoning’ são os novos personagens e a suas respectivas ausências de carisma e evolução, com particular evidencia para o antagonista Gabriel/Esai Morales, uma personagem altamente previsível e fastidioso com uma distinta falta de gravitas. ‘Mission: Impossible - Dead Reckoning Part One’ prometia e acima de tudo merecia um final com outra qualidade. 

6.5/10 



sexta-feira, 22 de agosto de 2025

Deftones - Private Music (2025)

Vamos ter que ter uma conversa sobre o que significa “envelhecer bem”, a expressão que surge de forma quase natural quando se fala de um Whiskey de renome ou do icónico vinho do Porto com o tempo foi-se banalizando em muitas outras áreas. Ora foi precisamente no Porto (Primavera Sound) que vi pela terceira vez os Deftones, terminado o concerto o mais importante não foi achar que tinha acabado de ver o melhor concerto deles mais sim concluir que, “estes gajos realmente envelheceram muito bem”. Com trinta anos de carreira e com nove álbuns da bagagem o quinteto Norte-Americano decide-nos presentar com o seu décimo, ‘Private Music’. ‘Private Music’ mostra não só que a banda envelheceu bem como é bem possível que esteja num dos melhores momentos de forma da sua carreira, um álbum que reúne tudo o que de melhor existe na banda duma forma meticulosamente equilibrada e perfeita, a rebeldia aliada à criatividade e melodia numa amálgama simultaneamente agridoce, fluida, intensa e refrescante. Com uma inequívoca consistência ‘Private Music’ nem sem sequer tem um único tema a que se possa por o rótulo do “fazer número”, contudo gostava de destacar o single ‘My Mind Is A Mountain’ e as fantásticas ‘cXz’, ‘Milk Of The Madonna’ e ‘Cut Hands’. Agora que a quase interminável discussão do quão Nu-Metal são os Deftones já se tornou residual será que vamos passar a argumentar acerca do lugar que vai ocupar ‘Private Music’ na lista dos melhores álbuns da banda?! Eu apontava-o para o pódio. 

8.5/10

[Sample] 


quinta-feira, 21 de agosto de 2025

F1 (2025)

Depois do incontornável êxito da parceria Netflix/Fórmula 1 através da bem-sucedida série ‘Formula 1: Drive to Survive’ a Apple decidiu aproveitar o hype e investir “as fichas” num filme também ele focado no mais famoso deporto motorizado do mundo. O principal mérito de ‘F1’ é precisamente conseguir incorporar uma história ficcional na actualidade da Fórmula 1 com os pilotos, equipas, chefes de equipa e até jornalistas reais. A história de ‘F1’ centra-se em Sonny Hayes/Bratt Pitt, um antigo piloto de Fórmula 1 que se dedica agora a provas menos prestigiantes devido a um grave acidente em pista no passado, todavia após um convite do seu amigo de longa data Ruben Cervantes/Javier Bardem regressa ao circuito ainda que para conduzir numa equipa que não pontua há dois anos e com um colega de equipa rookie que aparentemente apenas está focado em demostrar valor para dar o salto para uma equipa mais poderosa. Visto com uma compreensível desconfiança Sonny têm uma missão árdua pela frente, mostrar que apesar da sua idade e das sequelas do acidente ainda têm valor para estar atrás do volante de um carro de F1. Excelentes interpretações de Bratt Pitt e Javier Bardem nos principais papéis que ajudam ‘F1’ a subir o nível ainda que o filme tenha outras mais-valias, desde logo um argumento bem elaborado mas também uma interessante cinematografia e uma injecção de drama com a dosagem certa.

7.5/10

[Sample] 

segunda-feira, 18 de agosto de 2025

The Phoenician Scheme (2025)

 

A par de Denis Villeneuve e Christopher Nolan, Wes Anderson é um dos mais “novos” realizadores a criar um inconfundível estilo de realização, no caso de Anderson um estilo onde o foco no detalhe e na simetria, o jogo de cores nos cenários, os diálogos acelerados e uma espécie de “marionetização” dos movimentos são as características principais. Na nova proposta de Anderson ‘The Phoenician Scheme’, Benicio Del Toro é Zsa-zsa Korda, um abastado homem de negócios eticamente questionável, depois de várias tentativas falhadas do seu assassinato Korda decide nomear a sua filha Leisl/Mia Threapleton como sua única herdeira todavia com algumas imposições sendo que a mais importante é Leisl ajuda-lo no seu derradeiro projecto megalómano The Phoenician Scheme. A história do filme vai-se desenrolando a um bom ritmo por entre intrigas, traições, espionagem e dilemas morais e uma comédia negra bem ao jeito de Wes Anderson. Como também já vai sendo hábito nos seus filmes o elenco conta com uma longa lista de “pesos pesados” do cinema (Scarlett Johansson, Benedict Cumberbatch, Bill Murray, Tom Hanks, Bryan Cranston, Willem Dafoe ou Jeffrey Wright), todos eles com papéis curtos. Os últimos destaques vão para a interessante interpretação de Michael Cera na pele de Bjorn Lund, o tutor da freira Leisl e não menos importante o mais que merecido regresso ao protagonismo de Benicio Del Toro, uma fabulosa interpretação num género de filme em que ele se sente particularmente confortável.

8/10

[Trailer] 

sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Thunderbolts (2025)

Já é praticamente um exercício Pavloviano fazer reviews de filmes como o Selo Disney/MCU. ‘Thunderbolts’ encerra a chamada fase cinco da MCU e esta review podia facilmente ser decalcada de qualquer outro filme desta fase do Universo Marvel, pois se os erros persistem os respectivos adjectivos também. ‘Thunderbolts’ é apenas e só mais uma verdadeira aberração cinematográfica para juntar a essa colossal pilha que a Marvel já colecciona. A uma história verdadeiramente boçal acrescentam-se personagens que ultrapassam todos os limites da vulgaridade, cada um mais irritante e presunçoso que o outro e quase todos eles com um dissimulado desejo de serem comediantes como se em cada super-herói houvesse um Deadpool escondido. A grande novidade acerca de ‘Thunderbolts’ é que desta vez nem a vilã demostra qualquer tipo de carisma ou importância, ela é Valentina Allegra de Fontaine/Julia Louis-Dreyfus, uma directora da CIA com delírios de grandeza. A grande pergunta que fica acerca de ‘Thunderbolts’ é a razão de ausência de Baron Zemo/Daniel Brühl, talvez o actor não se quisesse envolver em tamanha atrocidade cinematográfica. Termino com uma reflexão para futuras reviews deste género, talvez uma escala de 0 a 7 seja suficiente.

4.5/10

terça-feira, 12 de agosto de 2025

Mickey 17 (2025)

 

Vamos mudar de separador para falarmos de ‘Mickey 17’. A ideia de ‘Mickey 17’ não é nova aliás ela é uma espécie de miscelânea de ideias contrafeitas de outros filmes de ficção científica sendo que a mais evidente provém do formidável ‘Moon’ (uma das mais incríveis interpretações de Sam Rockwell). Num futuro relativamente próximo a raça humana aventura-se em colónias noutros planetas e um dos métodos de adaptação a cada novo planeta provem do programa ‘expendables’, uma programa que funciona através de uma máquina de clonagem que duplica um individuo depois da sua morte sendo que o objectivo é que este sirva como cobaia para os mais variados desafios que cada novo planeta oferece tornando esta “cobaia” dispensável pois basta fazer uma novo clone. Por entre acção, sci-fi e umas frustrantes tentativas de humor negro ‘Mickey 17’ é um filme que até nos proe alguma discussão sobre temas eticamente sensíveis. Todavia o filme peca essencialmente pela sua fraca originalidade enquanto filme de Sci-fi, praticamente todos os clichés deste género específico estão de alguma forma presentes em ‘Mickey 17’. Uma última nota para mencionar que a qualidade dos personagens (não necessariamente as respectivas interpretações), também está longe do que o filme precisava para elevar a sua consistência.

6.5/10 

sexta-feira, 8 de agosto de 2025

Sinsaenum - In Devastation (2025)

É curiosa a história dos Franceses Sinsaenum, a banda fundada por Frédéric Leclerq (o actual baixista dos Germânicos Kreator e ex-Dragonforce), Stéphane Buriez (ex-Seth) e Joey Jordinson (imagine-se) teve uma estreia não tão auspiciosa quanto seria de esperar com ‘Echoes Of The Tortured’ em 2016 seguindo-se ‘Repulsion For Humanity’ em 2018. Ora com o fatídico desaparecimento de Jordinson em 2021 pairou no ar que essa perda poderia despoletar o desmembramento da banda todavia quatro anos depois e uma reunião dos membros originais dos Sinsaenum pelo meio (com a óbvia excepção da bateria) eles estão finalmente de regresso com o terceiro álbum de originais ‘In Devastation’. Será justo dizer que apesar de não ser um álbum apaixonante ou um “game changer” ‘In Devastation’ é manifestamente o melhor álbum dos Sinsaenum até ao momento e penso que isso é fruto de uma clarificação sonora adoptada pela banda (já com algum atraso diria eu). Apesar de alguns tímidos experimentalismos aqui e ali ‘In Devastation’ é assumidamente um álbum de Death Metal, eu não arriscaria a chamar-lhe Death Metal “convencional” (se é que isso existe) pois são notórias as influências do Thrash Metal (‘Spiritual Lives’) ou do Groove (‘In Devastation’ e ‘Buried Alive’) mas é evidente que a enfadonha e asséptica fórmula de Blackened Death Metal foi definitivamente (?) abandonada pela banda. Uma última nota em jeito de publicidade para destacar que os Sinsaenum vão estar a promover ‘In Devastation’ em Lisboa no RCA Club no próximo dia 25 de Outubro.

7/10

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

Hemelbestormer - The Radiant Veil (2025)

 

 Quem também está de regresso são os Belgas Hemelbestormer com o seu quarto álbum de originais ‘The Radiant Veil’. Quatro anos após ‘Collide & Merge’ o quarteto retorna com esta nova proposta musical. O conceito de ‘The Radiant Veil’ assenta numa viagem ao sistema solar mas na perspectiva do povo Etrusco (uma antiga civilização que viveu numa zona que é hoje em dia conhecida como a Toscânia). Musicalmente a banda continua a optar por uma abordagem quase exclusivamente instrumental (excepções feitas aos tema ‘Turms’ e ‘Cel’), marcado por atmosferas com um interessante equilíbrio entre dissonância e melancolia. Uma agregadora e heterogénea mescla entre Post-Metal, Doom, Atmospheric Sludge Metal e Black Metal faz com que ‘The Radiant Veil’ seja um álbum a ter em conta. Todavia nem tudo são pontos positivos, o pecado original de ‘The Radiant Veil’ é a meu ver uma espécie de bipolaridade sonora, embora eu compreenda e até reconheça a importância da amplitude musical intrínseca a um álbum não acho que a alternância entre temas insuflados quase de forma exclusiva por um Atmospheric Doom (‘Turan’, ‘Cel’, ou ‘Tiur’), e outros suportados pela dicotomia entre o Progressivo e o Post-Metal (‘Usil’ou ‘Turms’) em nada esteja a ser benéfico para a consolidação da identidade musical dos Hemelbestormer.

7/10

[Sample]