quinta-feira, 16 de julho de 2026

Combichrist - CMBCRST (2024)

Outro álbum que nos passou ao lado foi o décimo da já longa carreira de Andy LaPlegua e dos seus estimados CombichristCMBCRST’. O álbum que remonta a maio de 2024 vem cinco anos depois de ‘One Fire’ e apenas dois depois do EPHeads Off’ e a minha primeira critica acerca de ‘CMBCRST’ está precisamente relacionada com o já referido EP. Parece-me senso comum que um EP pode e deve funcionar como uma espécie de “aperitivo” para o que se sucede e no caso especifico dos Combichrist é mesmo o seu primeiro EP por muito estranho que pareça contudo a banda decidiu incorporar na totalidade ‘Heads Off’ em ‘CMBCRST’ o que a meu ver retira qualquer tipo de lógica ao lançamento de ‘Heads Off’. ‘CMBCRST’ é possivelmente o melhor álbum da banda em anos e porquê? Eu diria que a principal razão prende-se com o facto de Andy LaPlegua ter conseguido finalmente consolidar um difícil equilíbrio sonoro entre as duas assumidas vertentes da banda, Industrial Metal e Aggrotech. Tal como já tinha acontecido em ‘Heads Off’ também em ‘CMBCRST’ existem temas a gosto das duas “facções” que têm acompanhado a banda, Complianceou ‘Children of Violence’ para os mais aficionados do Eletrónico/Aggrotech ou ‘Planet Doom’ ou ‘D for Demonic’ (bem a puxar às sonoridades dos seus conterrâneos Ministry) para quem é mais apreciador de um Industrial com riffs bem orelhudos. Todavia penso que o grande mérito dos Combichrist neste ‘CMBCRST’ é terem alcançado esse já referido equilíbrio musical não só entre temas como também dentro do próprio tema, as formidáveis ‘Only Death Is Immortale ‘Through The Ravens Eyessão talvez os melhores exemplos disso mesmo. A dias do lançamento do seu décimo primeiro álbum as expectativas são muito boas.

8/10

[Sample]  

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Mantar - Post Apocalyptic Depression (2025)

Começo por pedir desculpa pelo atraso pois o álbum que vamos analisar remonta a Fevereiro de 2025 no caso o quinto da dupla Alemã Mantar intitulado ‘Post Apocalyptic Depression’. Depois de uma fase inicial em que os Mantar assentaram as suas sonoridades num mescla entre Sludge e Punk a banda foi evoluindo e modernizando as suas composições até The Modern Art Of Setting Ablaze’, a meu ver o ponto mais alto da sua carreira até ao momento contudo de forma algo estranha e até imprudente diria eu, a banda voltou alguns passos atrás com Pain Is Forever And This Is The Ende ‘Post Apocalyptic Depression’ continua nessa toada de regresso às origens. ‘Post Apocalyptic Depression’ é claramente o álbum mais Punk da banda, eu diria que todas as outras influências perderam bastante espaço, o álbum é cru, directo e rápido (não só em termos de vertigem mas também na duração das faixas), mas por outro lado também representa um óbvio retrocesso criativo pois a estrutura musical é agora bem mais elementar e vulgar. Apesar da sua assumida admiração pelo Grunge particularmente por uma fase precoce dos incontornáveis Nirvana os Mantar já provaram e de que forma que conseguem compor temas com um diferente nível de complexidade e relevância. Independentemente de um bom punhado de riffs dinâmicos, enérgicos e acima de tudo bem executados ‘Post Apocalyptic Depression’ não é um álbum que ascenda acima do satisfatório. Destaco os temas ‘Morbid Vocatione ‘Cosmic Abortioncomo os mais interessantes do álbum.

7/10 

[Sample] 

domingo, 12 de julho de 2026

Erdve - Epigrama (2026)

Eles são Lituanos e temos acompanhado ao pormenor a sua (ainda curta carreira) aqui no blog, falo dos Erdve a propósito do seu terceiro álbum de originais ‘Epigrama’. Cinco anos depois de Savigailaos Erdve regressam com uma nova proposta musical (‘Epigrama’) e a primeira consideração a reter sobre o álbum é a sua consistência, um factor que aliás têm sido habitual em todos os trabalhos da banda. Se é verdade que nenhum dos seus álbuns pode ser considerado “mind blowing” também não é menos verdade que todos eles se enquadram num nível alto. Os Erdve têm também traçado um caminho no qual conseguem sempre apresentar vitalidade nas suas sonoridades sem beliscar a sua vincada identidade musical e ‘Epigrama’ é mais um bom exemplo disso. Apesar de uma renuncia quase total às (cada vez menos frequentes) influências de Black Metal o seu híbrido de Hardcore, Sludge Metal e Post-Metal continua sólido, contemporâneo e impactante. ‘Epigrama’ destaca-se também por uma atmosfera com texturas de Post-Metal cada vez mais assíduas amplificadas por riffs (por vezes com uma afinação a puxar ao Djent), densos, implacáveis e crus a fazer lembrar bandas como LLNN ou Maussade. Na sua vertente lírica ‘Epigrama’ pode ser categorizado como um álbum que explora conceitos mundanos como o Niilismo, a decadência humana e social mas sempre numa perspectiva trágica e céptica. Saliento os temas ‘Nyra’, ‘Trukmė’, ‘Svertas’ e ‘Raukšlės’ como os mais impressionantes de Epigrama’, sem dúvida um dos álbuns a ter em conta em 2026.

7.5/10 

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terça-feira, 30 de junho de 2026

At The Gates - The Ghost of a Future Dead (2026)

É difícil de acreditar que ‘The Ghost of a Future Dead’ foi o titulo escolhido pelos Suecos At The Gates antes do precoce desaparecimento do seu icónico líder Thomas Lindberg. É impossível falarmos de ‘The Ghost of a Future Dead’ sem falar do inesperado falecimento de Lindberg até porque apesar do álbum ter sido lançado a titulo póstumo as vocalizações foram ainda inteiramente da sua responsabilidade. Lindberg vai por certo ser reconhecido como a mais emblemática personagem do chamando Gothenburg Metal, não só por ter participado de forma bastante activa na sua génese mas também pelo numero de projectos de edificou dentro deste particular sub-género (Nightrage e The Great Deceiver são bons exemplos). Feita a mais que justificada homenagem o foco centra-se agora no álbum. ‘The Ghost of a Future Dead’ (o oitavo e derradeiro álbum da banda) tem sido apontado como o melhor dos At The Gates desde o seu surpreendente regresso em 2014, eu diria que talvez a óbvia carga dramática esteja a influenciar de forma decisiva as opiniões e não é porque o álbum não seja consistente nada disso, todavia eu acho que com a excepção de ‘To Drink From The Night Itself(2018) que está a meu ver um furo abaixo, os outros três álbuns da banda desde o seu retorno estão a um nível muito semelhante. Ao contrário do que aconteceu em ‘The Nightmare OfBeingdeste vez os At The Gates voltaram às suas sonoridades primordiais onde de facto parece que conseguem sempre superar toda a concorrência, a receita do Gothenburg Metal é por demais conhecida e experimentada mas com os At The Gates ela leva sempre um condimento especial e secreto. É complicado escolher um destaque num álbum tão compacto e regular ainda assim arrisco o tema ‘A Ritual of Waste’, uma faixa bem característica das sonoridades típicas do aclamado quinteto Sueco. Um até sempre para Thomas Lindberg, o seu legado por certo perdurará.

7.5/10

[Sample] 

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Six Feet Under - Next To Die (2026)

A sua regularidade é de facto assinalável, os Norte-Americanos Six Feet Under lançaram no final do passado mês de Abril o seu décimo sexto álbum de originais ‘Next To Die’. Confesso que por esta altura o espírito para ouvir algo novo do quinteto Norte-Americano é o mesmo de encarar uma inevitabilidade como fazer o IRS ou ir ao dentista tal não é o nível de previsibilidade que a banda já nos acostumou. Se Nightmares Of The Decomposedfoi aceite de forma quase consensual como o ponto mais baixo da longa carreira da banda em Killing For Revengepelo menos esse declínio foi invertido portanto as expectativas para este ‘Next To Die’ nunca poderiam seriam muito altas. ‘Next To Die’ confirma que os Six Feet Under ainda têm “sumo”? Não necessariamente, eu diria que o álbum está ao nível do seu antecessor, consumível mas facilmente descartável e esquecível. A sua fórmula de Zombie Death Metal está esgotadíssima, quer nos temas quer nas composições musicais tudo parece uma espécie de reciclagem de musicas que a banda já previamente fez, dizer que os Six Feet Under estão no beco criativo por esta altura é um eufemismo. Ainda assim ‘Next To Die’ contém alguns temas comestíveis dentro da monotonia generalizada, ‘Wrath And Terror Takes Commande ‘Skin Coffinssão provavelmente os melhores exemplos disso em contraste ‘Mister Blood And Guts’, uma faixa completamente ridícula, embaraçosa e talvez mais consentânea com o actual momento da banda.

 6/10

domingo, 21 de junho de 2026

Goat The Head - Death By Default (2026)

Saiu no final do mês passado e marca o regresso do mais “cavernoso” quarteto Norueguês, falo de ‘Death By Default’, o álbum numero cinco para os vikings Goat The Head. Três anos depois de ‘Et lokalsamfunn I Sorg’ e cinco depois de ‘Strictly Physical’ (o ultimo que ouvi), os Goat The Head abandonam claramente uma fase mais experimental para voltarem à sua zona de conforto. Com seis temas e apenas 25 minutos de duração ‘Death By Default’ mostra-nos uns Goat The Head apostados em despejar o seu Death Metal agressivo, sujo e cru com pontos de contacto óbvios com o Death Metal Sueco dos anos 90 ou não tivesse a mistura do álbum ficado à responsabilidade do icónico Tomas Skogsberg (ele que produziu alguns dos mais emblemáticos álbuns de Entombed e Dismember no conhecido estúdio Sunlight Studios). ‘Death By Default’ acaba por ser um álbum consistente e intenso apesar de curto contudo também têm pontos fracos sendo que o principal eu diria que é a sua carência de risco e imaginação pois apesar da fase mais experimental da banda não ter corrido da melhor forma acho que não era caso para uma radicalização quase para o polo oposto. Ou seja, se pela perspetiva técnica ‘Death By Default’ é um álbum sólido no que à originalidade diz respeito deixa muito a desejar, a excepção talvez seja um riff bem ao estilo dos Deathspell Omega na faixa ‘Infernal Expulsion’. Uma ultima nota de destaque para os temas ‘Marok's Lot’, ‘Hungarian Finger’, os mais impactantes de ‘Death By Default’.  

7/10 

[Sample] 

terça-feira, 16 de junho de 2026

Dimmu Borgir - Grand Serpent Rising (2026)

Voltamos atenções para a musica até porque os lançamentos não param para falarmos do mais recente trabalho dos Dimmu BorgirGrand Serpent Rising’, o seu décimo álbum. Outrora a banda mais popular e prestigiada da tão badalada segunda vaga do Black Metal Norueguês os Dimmu Borgir foram perdendo fulgor de uma forma regular, a grande pergunta que se impõe é se essa perda de “gás” está estritamente relacionada com um declínio da qualidade das suas composições musicais, eu diria que sim embora de forma parcial. Na minha opinião, ao contrário de muitos dos seus pares os Dimmu Borgir não se souberam reinventar e como consequência disso o seu Black Metal foi-se paulatinamente afogando num pântano de Symphonic/Melodic Metal com esporádicas provocações de Industrial, esse longo caminho culminou em ‘Eonian’ (2018), o momento mais baixo da longa carreira da banda Norueguesa. É verdade que ‘Grand Serpent Rising’ supera ‘Eonian’ (seria o mínimo exigível) apesar de estar ainda longe da qualidade dos álbuns de referência da banda e certamente não contém a vitalidade que os Dimmu Borgir desesperadamente precisavam. Digamos que o ponto de partida de ‘Grand Serpent Rising’ também não foi o ideal pois em 2024 Galder (o lendário guitarrista e parte integrante do núcleo duro da banda) anunciou a sua saída, saída essa que teve efeitos incontornáveis na composição do álbum.‘Grand Serpent Rising’ sofre dos mesmos problemas que atormentaram os últimos álbuns da banda, uma desproporcional relação entre melodia e agressividade em favor da melodia, uma pouco saudável obsessão pelo Symphonic Metal, a produção demasiado polida e uma ligação distante e estagnada com o Black Metal, quase forçada e sem qualquer tipo de inovação ou risco. Destaco ainda assim ‘Ascent’ e ‘Phantom Of The Nemesis’ (um piscar de olho a “maldita” ‘Puritania’) como os melhores temas de um álbum que é na sua essência acima de tudo...aborrecido.

6.5/10