Era o género de filme que faltava no diversificado reportório de Christopher Nolan? Desta vez Nolan conseguiu reunir bastantes anticorpos mesmo antes da estreia de ‘The Odyssey’. Acusações de influências do Wokismo ou mesmo cedência na política de quotas dos Óscares entre outras, confesso que talvez até inconscientemente eu também baixei as expectativas acerca de ‘The Odyssey’ mesmo considerando que Nolan é desde há muito tempo o meu realizador preferido. Sendo que podem ser válidos os argumentos de falta de rigor histórico especificamente na tonalidade de pele de Helen of Troy/Lupita Nyong'o ou na inclusão de Elliot Page (que já foi Ellen Page) como Sinon. É uma discussão um pouco similar a discutir os sexo dos anjos pois Odisseia é uma epopeia da Grécia antiga escrita por Homero, uma história que embora contenha factos reais também esta pejada de mitos e lendas, mas ainda existe uma razão mais contundente para tornar este debate inócuo, é que os personagens em questão são tão secundários que nem de forma residual influenciam o conteúdo de ‘The Odyssey’. Falando concretamente do filme posso dizer que fiquei surpreendido pela positiva, se nos aspectos técnicos Nolan já nos habituou a um invulgar padrão de excelência (desta vez até conseguiu cumprir o seu “fetiche” de filmar na integra com uma câmara IMAX), todavia foi na abordagem à mais que conhecida história que Nolan surpreendeu e de que maneira. O evento do cavalo de Troia sempre foi visto como um dos melhores golpes militares que há memória contudo Christopher Nolan interpreta-o de outra forma, e se as consequências de tal ataque tivessem sido tão traumáticas e permanentes que o triunfo militar resultante não tivesse merecido respectiva glorificação? A acção centra-se no regresso Odysseus/Matt Damon e a sua tripulação a Ithaca, uma longa e conturbada viagem onde vão enfrentando uma insólita panóplia de inimigos. Nas interpretações o destaque tem forçosamente que ir para Matt Damon bem acompanhado por Anne Hathaway/Penelope, Robert Pattinson/Antinous, John Leguizamo/Eumaeus e Charlize Theron como Calypso em contraste com a despontante performance de Tom Holland na pele de Telemachus (filho de Odysseus). Uma ultima nota até porque o post já vai bem longo para a ausência dos deuses, podemos dizer que a sua presença sente-se e está subentendida, até a aparição de Athena pode ser entendida apenas como uma manifestação do sentimento de culpa de Odysseus. Correu na altura um rumor não confirmado que Christopher Nolan estaria na calha para realizar ‘Troy’ acabando por ficar com ‘Batman Begins’ como prémio de consolação portanto respondendo à pergunta do inicio, com todos os defeitos que ‘The Odyssey’ pode ter Nolan teve condão de abrir uma nova perspectiva sobre uma das histórias mais icónicas da literatura antiga.
8/10






