quinta-feira, 16 de abril de 2026

Black Label Society - Engines of Demolition (2026)

Continuamos em solo Norte-Americano desta vez para falar de um regresso que tem tanto de importante como de inevitável, falo de Zakk Wylde e dos seus Black Label Society. ‘Engines of Demolition’, o álbum numero doze dos Black Label Society reúne a meu ver todos os requisitos para ser o melhor dos últimos 15 anos da banda, de facto desde o fantástico ‘Order Of The Black’ que o quarteto liderado por Zakk Wylde não “fabricava” um álbum tão bem conseguido. Como seria de esperar ‘Engines of Demolition’ não tem qualquer tipo de experimentalismos, aliás as sonoridades dos Black Label Society já estão tão consolidadas que poderiam ser patenteadas, o Southern Heavy Metal quase saturado de Groove é como é habitual...inconfundível. Talvez tenha sido o desaparecimento do seu eterno amigo Ozzy Osbourne que lhe tenha feito chegar uma inspiração extra mas a verdade é que ‘Engines of Demolition’ está repleto de malhas formidáveis que até fazem lembrar tempos mais áureos da banda, ao soberbo single ‘Name In Blood’ podemos muito bem juntar ‘Broken And Blind’, ‘The Gallows’ ou a sensacional ‘Lord Humungus’. Como não poderia deixar de ser ‘Engines of Demolition’ encerra com o tema ‘Ozzy's Song’, como o próprio nome indica a homenagem natural e merecida para a pessoa mais importante e influente na carreira de Zakk Wylde. ‘Engines of Demolition’ brinda-nos com um Zakk Wylde novamente num auge criativo a mostrar que mais do que o virtuosismo ainda tem um bom punhado de composições na “manga”. 

7.5/10

[Sample] 

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Exodus - Goliath (2026)

Outro lançamento ainda bem “fresquinho” de uma banda Norte-Americana é ‘Goliath’ dos Exodus, eles que passaram há bem pouco tempo pelo nosso país incluídos na tour mundial dos Kreator (Krushers Of The World Tour), mais precisamente no passado dia 20 de Março na Sala Tejo em Lisboa, curiosamente exatamente no dia em que saiu ‘Goliath’. Com uma capa bastante promissora, uma promoção de belo efeito, o re-regresso de Rob Dukes nas vocalizações e o foco (agora total) do carismático Gary Holt eu diria que estavam reunidas as condições para os Exodus voltarem aos grandes álbuns todavia é com muita pena que tenho de dizer que o conteúdo não corresponde ao “invólucro”. Apesar de não ser um álbum medíocre ‘Goliath’ vai tendencialmente acabar por ser uma das desilusões de 2026. O grande “pecado original” de ‘Goliath’ talvez tenha sido a tentativa da banda ser demasiado abrangente acerca das suas várias evoluções/transformações, se o Bay Area Thrash Metal é o seu alicerce mais do que natural é verdade que a banda deu passos largos na bem-sucedida tentativa de modernizar as suas sonoridades especialmente na década de 10 onde a inclusão de algum Groove e a migração para riffs mais sofisticados ofereceram uma revigorante e pulsante energia à banda na altura, ora seria mais do que previsível, ainda por cima com a mesma formação que esse caminho tivesse sido de alguma forma retomado agora. Faixas como ‘Beyond The Event Horizon’, ‘2 Minutes Hate’ ou tema titulo são bons exemplos do que acabei de referir e poderiam e deveriam muito bem ser a bitola de ‘Goliath’, em contraponto temos temas a roçar o básico como ‘Promise You This’ ou ‘The Changing Me’ com a participação especial de Peter Tägtgren (que eu pessoalmente admiro bastante) que desvirtua completamente o tema (não faria mais sentido um Chuck Billy ou um Randy Blythe) que simplesmente não resultam e desperdiçam o potencial de ‘Goliath’. 

6.5/10 

terça-feira, 14 de abril de 2026

Lamb Of God - Into Oblivion (2026)

2026 tem sido um ano especialmente fértil em lançamentos musicais “made in” Estados Unidos e ‘Into Oblivion’, o décimo álbum dos Lamb Of God é mais um dessa extensa lista. Falar dos Lamb Of God é da falar da mais consistente banda Norte-Americana desde a viragem do milénio, ou seja, desde o seu aparecimento, este quinteto apresenta por defeito uma solidez e uma pujança invejáveis para muitos dos seus conterrâneos e não só, tanto é que o nível dos seus álbuns apenas varia entre o excelente e o bom, então onde se situa ‘Into Oblivion’ nessa curta escala? Eu diria que está um furo abaixo dos seus dois últimos álbuns ‘Omens’ e ‘Lamb Of God’ e a razão para isso tem tanto de simples como de incontrolável, prende-se apenas com a inspiração. ‘Into Oblivion’ assenta mais um vez numa base de Groove/Tharsh Metal que os Lamb Of God tem “tricotado” durante toda a sua carreira aqui e ali com mais vertigem e raiva ou mais melodia e sentimentalismo mas sempre pautado por riffs imersos num Groove enérgico e orgânico projetado pela simultaneamente rancorosa e preponderante voz de Randy Blythe. Destaco os temas ‘St. Catherine's Wheel’, ‘Blunt Force Blues’ e ‘A Thousand Years’, este ultimo um pouco em modo saudosista dos primeiros álbuns da banda. E quanto a acusações de os Lamb Of God se “agarrarem” demasiado à sua fórmula, tem sido essa mesma estabilidade que lhes permitiu produzir dez álbuns de inequívoca qualidade em 26 anos de carreira.

7.5/10 

[Sample] 

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Rob Zombie - The Great Satan (2026)

Se estão à espera de um regresso bombástico pois bem a espera terminou, cinco anos depois Rob Zombie está de volta com o seu oitavo trabalho de originais ‘The Great Satan’. O anormalmente curto título do álbum pode ser considerado pretensioso todavia ainda que não seja “o grande Satanás” Rob Zombie já há muito tempo que cunhou para si próprio o rótulo de “rei do imaginário Hallowenesco”, tudo o que seja feitiçaria, monstros, extraterrestres, bruxas e anomalias em geral Rob Zombie tem adoptado com seus filhos se tratassem. ‘The Great Satan’ não é bom, mesmo considerado que não é fácil manter a imparcialidade, eu diria que é dificílimo não achar o álbum excelente. Depois de dois álbuns pouco entusiasmantes ‘The Great Satan’ atira Rob Zombie novamente para um nível que quase todos pensavam já não ser atingível, ainda que não supere a obra prima ‘Hellbilly Deluxe’ estará no mínimo ao nível de ‘The Sinister Urge’. E o que é que mudou? pois bem mudou o guitarrista, o retorno de Mike Riggs em subistituição de John 5 e o baxista Robert "Blasko" Nicholson em prol de Piggy D e de facto a diferença parece abismal. Riffs muito mais directos, intensos, rápidos e Industrializados fazem de temas como ‘F.T.W. 84’, ‘Tarantula’, ‘(I'm A) Rock "N" Roller’, ‘Heathen Days’, ‘Black Rat Coffin’ e ‘Punks And Demons’ faixas como há muito não se ouvia com o selo Rob Zombie. Não tenho duvidas que ‘The Great Satan’ vai ser um dos álbuns de referência de 2026 mas pode muito bem também acabar por ser o mote para uma espécie de um re-despertar do Metal/Rock Industrial Norte-Americano adormecido já há algum tempo a esta parte. 

8.5/10 

[Sample] 

domingo, 12 de abril de 2026

Clawfinger - Before We All Die (2026)

Outro regresso ainda que neste caso completamente inesperado foi o dos Suecos Clawfinger com o seu oitavo álbum de originais ‘Before We All Die’ 19 anos depois de ‘Life Will Kill You’. Foram considerados como uma das primeiras bandas a trilhar caminho no que viria mais tarde a ser designado como Nu Metal ainda que a maioria desses créditos tenham recaído sobre os Norte-americanos Korn, e tiveram de facto um promissor inicio de carreira que foi perdendo gás a partir de ‘A Whole Not Of Nothing’, na altura (2001) o seu quarto álbum de originais. Foi também nesta época que me fui desligando da banda contudo ‘Before We All Die’ despertou-me uma óbvia curiosidade. ‘Before We All Die’ está longe de ser o regresso bombástico que os Clawfinger talvez tivessem em mente, não porque o mundo não esteja claramente a precisar de bandas com critica social e política acutilante, o grande dilema de ‘Before We All Die’ não está aí mas sim na sua vertente instrumental. Apesar de das características principais da banda assentes num Metal Alternativo com uma generosa dose de distorção, riffs directos e potentes e as habituais vocalizações secas e lineares por vezes a derraparem para o rap de Zak Tell, continuarem bem vincadas o álbum carece de criatividade e qualidade na generalidade dos temas sendo que o primeiro single ‘Scum’ será a principal excepção. Tal como já tinha acontecido na altura com ‘A Whole Not Of Nothing’ também em ‘Before We All Die’ os restantes temas não estão sequer perto nível apresentado no single. Eu diria que não me parece que o regresso dos Clawfinger seja de todo despropositado e a janela para o mesmo talvez até tenha sido bem escolhida todavia com 19 anos de paragem os Clawfinger tinham de facto obrigação de apresentar um punhado de composições com outro nível de qualidade e impacto. 

6/10 

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Mayhem - Liturgy of Death (2026)

Os meses de Fevereiro e Março foram especialmente abundantes em termos de propostas musicais e temos de começar por alguma, desta feita a análise vai ser ao sétimo álbum de originais dos Noruegueses Mayhem,Liturgy of Death’. Os Mayhem são provavelmente a banda mais lendária de Black Metal de sempre e o seu legado fala por si todavia eles não têm limitado a gerir os dividendos desse mesmo legado não porque ainda tenham algo a provar mas sim porque ainda têm muito conteúdo para oferecer. Sete anos depois de ‘Deamom’ e com o EP Atavistic Black Disorder/Kommando pelo meio o infame quinteto está de regresso com ‘Liturgy of Death’, não será porventura um chamado “game changer” contudo não deixa de ser um excelente álbum. Muitos dos seus pares foram divergindo por entre múltiplas evoluções tais como, Folk, Progressivo, Post-Black Metal e Avantgarde Black Metal, os Mayhem todavia continuam fiéis ao seu “tradicional” Black Metal negro, intenso, demoníaco e orgânico, é verdade que podem sempre ser acusados do “fantasma” da repetibilidade ainda que essa acusação esteja longe de ser justa. ‘Liturgy of Death’ contem de facto um disfarçado mas intencional regresso aos tempos do icónico ‘De Mysteriis Dom Sathanaslatente por exemplo no uso de vocalizações “limpas” por parte de Attila Csihar ainda que com sonoridades que substituíram o cru e a produção pseudo-amadora por uma intocável qualidade sonora. O que aparentemente nunca muda é a eximia execução técnica dos Mayhem comprovada de forma impactante em temas como ‘Aeon’s End’, ‘The Sentence Of Absolutionou a magnifica ‘Propitious Death’, uma verdadeira exaltação à distinta perícia de Jan Axel Blomberg (A.K.A. Hellhammer). Uma ultima nota para a participação de Kristoffer "Garm" Rygg dos seus conterrâneos Ulver no tema ‘Ephemeral Eternity’. Muito mais do que viver do legado Liturgy of Death’ é mais uma prova de que os Mayhem continuam a ser uma das melhores bandas no espectro do Black Metal

8/10

[Sample] 

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Formula 1: Drive to Survive - Season 8 (2026)

Terminamos (para já) esta verdadeira epopeia de análises no âmbito das series com um habitue aqui do blog… a review da temporada 8 de ‘Formula 1: Drive to Survive’. Na verdade sendo uma espécie de série documental a qualidade de cada temporada de ‘Formula 1: Drive to Survive’ esta estreitamente relacionada com o nível de interesse da própria época da Fórmula 1 em questão todavia nesta Season 8 isso não foi assim tão linear pois numa época altamente fascinante a temporada de ‘Formula 1: Drive to Survive’ correspondente não reflete esse mesmo fascínio. Existem algumas razões práticas para este fenómeno ter acontecido, desde logo a redução de dois episódios nesta temporada em particular revelou-se um erro, erro esse que está intimamente ligado à discutível escolha de temáticas para os episódios, dando de barato seriam obrigatórios os episódios sobre Chris Horner, os rookies, a ascensão da Williams e a confirmação da Maclaren já não é assim tão explicável a falta de um episódio focado na Ferrari ou mesmo na estreia da Sauber. Ou seja com um número mais reduzido de episódios à partida a minha critica para esta Season 8 de ‘Formula 1: Drive to Survive’ vai precisamente para o discutível critério na escolha dos temas particularmente o episódio 7What Happens In Vegas’. Ainda assim ‘Formula 1: Drive to Survive’ consegue na generalidade replicar a emoção e o dramatismo que nos tem habituado ao longo de oito temporadas culminando numa prova final com três pilotos com hipótese de serem campeões. 

7/10 

[Trailer]