sábado, 31 de janeiro de 2026

Megadeth - Megadeth (2026)

Vai por certo ser um dos acontecimentos marcantes de 2026, foi já no final do ano passado que, com toda a pompa e circunstância Dave Mustaine anunciou não só o final dos Megadeth como simultaneamente o lançamento de um último álbum e uma ultima tour (que se avizinha bastante longa), tour essa que já tem data reservada para Portugal a 5 de Julho no Festival Evil Live no Meo Arena em Lisboa. O álbum apropriadamente intitulado ‘Megadeth’ antevia-se impactante todavia as espectativas podem ter “inchado” demasiado. A abordagem de Mustaine para o décimo sétimo e derradeiro álbum da banda foi um foco na execução em detrimento da complexidade, talvez acusando um compreensível desgaste criativo ou apenas cansaço. Carregado de mensagens assim não tão subliminares sobre o capítulo final da banda ‘Megadeth’ está recheado de refrões simples e orelhudos apoiados em riffs melódicos e rápidos projectados por um Thrash Metal directo e convencional. Destaco os temas ‘Tipping Point’, ‘Puppet Parade’, ‘Obey The Call’ e ‘I Am War’ como os mais interessantes de um álbum que vale essencialmente pela fantástica execução e produção e onde Mustaine deliberadamente não quis elevar o grau de dificuldade. Uma última nota para uma última provocaçãozinha aos seus conterrâneos Metallica a que Mustaine não resistiu, uma competente (ainda que desnecessária) cover de ‘Ride The Ride The Lightning’. Um até sempre aos Megadeth e ao seu icónico líder Dave Mustaine.

7.5/10

[Sample] 

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Kreator - Krushers Of The World (2026)

É o primeiro grande destaque musical de 2026, falo de ‘Krushers Of The World’ , o décimo terceiro álbum dos Germânicos Kreator. Já com data marcada para o nosso país a Krushers Of The World Tour traz-nos uns Kreator com um álbum novo e com muito boa companhia, Carcass, Nails e Exodus dia 20 de Março na sala Tejo em Lisboa. Longevidade, perseverança e inconformismo são as palavras que a meu ver melhor descrevem a carreira dos icónicos Kreator, depois de algumas apostas arriscadas antes da viragem do milénio ‘Violent Revolution’ marcou o início de uma espécie de segunda vida do quarteto Germânico e ‘Krushers Of The World’ é mais uma iteração desta segunda fase que, mesmo com alguns altos e baixos tem sido pautada pela consistência. ‘Krushers Of The World’ mostra uns Kreator que apesar do estatuto não se limitam a aplicar a sua oleada fórmula de Thrash Teutónico ficando na sua zona de conforto. É verdade que o seu fio condutor é esse mas a banda vai dinamizando cada música com variações de peso, de velocidade e até de impetuosidade, por entre refrões orelhudos e riffs que passados todos estes anos ainda conseguem sacar um involuntário headbang ao mais sisudo anti-Thrasher. Destaco as “melódicas” ‘Satanic Anarchy’ e ‘Combatants’, as bombásticas e directas ‘Psychotic Imperator’ e ‘Deathscream’, o hino ao Heavy Metal de ‘Loyal To The Grave’ e o Groove suculento do tema título até a fazer um pouco lembrar o longínquo ‘Outcast’ 1997. 

7.5/10

[Sample] 

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

O legado de David Lynch

 


Faz no próximo dia 16 de Janeiro precisamente um ano que o mundo do cinema perdeu uma das suas maiores pérolas, falo do conceituado realizador David Lynch. Entre todas as suas faculdades que vão desde argumentos, escrita, musica entre outras foi na arte da realização que Lynch mais se destacou. Se filmes como ‘Eraserhead’ (1977), ‘The Elephant Man’ (1980) e ‘Blue Velvet’ (1986) foram-lhe dando protagonismo ainda numa fase inicial da sua carreira foram ‘Dune’ (1984) e muito particularmente a icónica série ‘Twin Peaks’ (1989) que o elevaram a realizador de culto, todavia a meu ver a melhor fase de Lynch ainda não tinha chegado. ‘Lost Highway’ (1997) e ‘Mulholland Dr.’(2001) esses sim são os filmes que colocam Lynch no estatuo de génio da sétima arte, dois argumentos fantásticos com personagens escritas de forma brilhante com as respectivas interpretações de altíssimo nível tudo meticulosamente articulado pela mestria de David Lynch. Extravagante no seu talento Lynch consegue marcar um estilo muito próprio de fazer cinema, uma espécie de surrealismo cinematográfico centrado nas personagens e numa tensão quase insuportável que ele tão bem sabia criar. Os seus filmes também se destacam por serem inconclusivos ou muito difíceis de decifrar, exigem bastante esforço mental por parte do espectador e dão azo a múltiplas conclusões. Outra vertente que Lynch se foi especializando foi no uso do som e banda sonora como efeito intensificador, aliás intensidade será mesmo a melhor palavra para descrever um filme do "laboratório" Lynch, uma intensidade tal que, mesmo ainda que não se perceba muito do que está a acontecer no filme já estamos completamente investidos no mesmo. Em jeito de conclusão o falecimento de David Lynch é uma perda irreparável no cinema, o seu legado sem dúvida que vai permanecer mas dificilmente vai haver algum tipo de continuidade neste modo de desenvolver cinema. Uma última nota em tom de crítica para a incompreensível falta de um Óscar para este mestre do cinema, o tempo irá trazer o mais que merecido reconhecimento da sua importância e influência no cinema já que a Academia nunca o fez.

sábado, 10 de janeiro de 2026

Os melhores de 2025

  

 

Para primeiro post temos no menu o habitual top musical, desta feita o de 2025. Queria também aproveitar a oportunidade de desejar um excelente 2026 aos leitores do Espelho Distópico, aos mais fiéis e mesmo aos “turistas. Sem mais demoras aqui ficam os melhores de 2025. 

 

Top 15 melhores álbuns de 2025

 

 1.    Psychonaut - World Maker (Post-Metal/Progressive/Sludge Metal) [9/10]

 2.    This Gift Is A Curse – Heir (Black Metal/Sludge Metal/Hardcore) [9/10]

 3.   The Young Gods - Appear Disappear (Industrial Rock/Electronic) [8.5/10]

 4.    Deftones- Private Music (Alternative metal) [8.5/10]

 5.   Pothamus - Abur (Post-Metal) [8/10]

 6.   Adur- We Fail To Love Ourselves (Sludge Metal/Post-Metal) [8/10]

 7.   Dephosphorus - Planetoktonos (Blackened Death Metal/Grindcore) [8/10]

 8.   Between The Buried And Me - The Blue Nowhere (Progressive Metal) [8/10]

 9.   Decline Of The I - Wilhelm (Black Metal/Post-Black Metal) [8/10]

 10. Medico Peste - Aesthetic Of Hunger (Black Metal) [8/10]

 11.  Tombs - Feral Darkness (Post Black Metal/Death Metal/Doom Metal) [8/10]

 12.  Biohazard - Divided We Fall (Hardcore) [7.5/10]

 13.  Scour - Gold (Black Metal) [7.5/10]

 14.  Bleed From Within - Zenith (Metalcore) [7.5/10]

 15.  Paradise Lost - Ascension (Doom/Gothic Metal) [7.5/10]

 

 

 Maior desilusão de 2025    

 Arch Enemy - Blood Dynasty (Gothenburg Metal) [5.5/10]

 

   Melhor Surpresa de 2025

  Biohazard - Divided We Fall (Hardcore) [7.5/10]

 

   Melhor álbum de estreia de 2025

   Adur - We Fail To Love Ourselves (Sludge Metal/Post-Metal) [8/10]

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Os Óscares: Edição 97

Mantendo a tradição o último post do ano vai ser acerca da edição 97 dos Óscares da Academia, fica a nota prévia que esta vai ser última vez que o post vai ser feito nestes moldes dado que já desisti de ver a cerimónia há largos anos e não consegui ver cerca de metade dos filmes nomeados. Em 2026 vai existir um post com os melhores do ano do cinema mas escolhidos pelo blog como já existe na vertente musical, talvez com as mesmas categorias consideradas nos Óscares e possivelmente com uma espécie de comparativo com a escolha da Academia…mas vamos ao que interessa.

Começamos desta vez pelos Óscares mais absurdos e logo para entrada temos a Cinematografia. O prémio caiu para ‘The Brutalist’ e é verdade que juntamente com ‘Nosferatu’ ambos tinham justificada ambição para tal mas isso era se não existisse ‘Dune: Part Two’, aliás Cinematografia é talvez a maior especialidade de Denis Villeneuve, fica aqui registada uma das maiores injustiças da noite.

Passamos para os Argumentos com ‘Anora’ a vencer na categoria de Original e na verdade a qualidade foi nivelada por baixo na minha opinião, a concorrência de ‘The Brutalist’ e o aberrante ‘The Substance’ não chegou para tirar o prémio a ‘Anora’. No Adaptado ‘Dune: Part Two’ foi mais uma vez assaltado pois inexplicavelmente nem nomeado estava, o trofeu foi atribuído a ‘Conclave’ e não posso comentar pois não vi nenhum dos filmes nomeados embora mesmo assim duvide muito que algum deles tenha o grau de exigência de adaptação de ‘Dune: Part Two’, David Lynch que o diga.

Passamos para os técnicos com o mais que esperado domínio de ‘Dune: Part Two’ arrebatando os Óscares de Melhores Efeitos Visuais (a milhas de 'Alien: Romulus', talvez o favorito entre os outros nomeados) e Melhor Som enquanto ‘Wicked’ triunfou na categoria de Melhor Guarda-Roupa apesar da forte concorrência de ‘Nosferatu’, ‘Conclave’ e ‘Gladiator II’ (a sua única nomeação). Já na Caracterização foi ‘The Substance’ que “sorriu” no que viria a ser o seu único Óscar. No Melhor Design de Produção o premiado voltou ser ‘Wicked’ num Óscar que ficaria bem entregue a qualquer um dos nomeados. Por ultimo a categoria de Melhor Edição onde o vencedor foi ‘Anora’ sem se perceber muito bem porquê, ‘The Brutalist’ seria para mim o obvio favorito e isto porque uma vez mais ‘Dune: Part Two’ não fez parte dos nomeados.

Passamos para os sempre sensíveis Óscares de interpretação. Zoe Saldaña venceu na categoria de Melhor Actriz Secundária com o filme ‘Emilia Pérez’ enquanto do lado masculino foi Kieran Culkin a levar o prémio pela sua interpretação em ‘A Real Pain’. Nos papéis principais ganharam os grandes favoritos. Adrien Brody (o seu segundo Óscar) pelo seu incrível papel em ‘The Brutalist’ e Mikey Madison na pele de Anora. Acho que de uma forma geral os prémios foram justos embora não tenha visto vários dos filmes nomeados.

E finalmente os dois Óscares mais importantes, Melhor Realizador e Melhor Filme. Cumpriu-se a tradição de ser o mesmo filme a arrebatar ambos, neste caso ‘Anora’ e eu concordo mas a minha escolha iria recair sobre ‘Dune: Part Two’ (sem supressa), do que vi para mim indiscutivelmente o único grande filme de 2025 num ano particularmente medíocre na sétima arte mesmo considerando o inegável declínio do cinema nas últimas duas décadas.