domingo, 22 de fevereiro de 2026

Devil May Cry - Season 1 (2025)

Têm-se sucedido os casos de sucesso de adaptações de videojogos ao formato de série, ‘The Last Of Us’, ‘Fallout’ e ‘Cyberpunk’ (no subgénero de animação) são algumas das mais recentes, seguindo esta linha a Netflix decidiu apostar na adaptação de ‘Devil May Cry’. Confesso que é complicado manter a imparcialidade quando se trata de um dos franchises de videojogos que mais aprecio contudo é desafiante tentar achar falhas na série. Com uma animação muito ao estilo de ‘Castlevania’ ‘Devil May Cry’ apresenta uma incrível bitola em praticamente todas as vertentes. Acção simultaneamente alucinante e intensa, uma história muito bem elaborada com um assinalável grau de complexidade e personagens bem escritas e marcantes fazem de ‘Devil May Cry’ uma adaptação muito bem gizada. Nota-se também o cuidado em respeitar a essência do argumento do franchise de videojogos até porque no caso da história ser muito alterada haveria por certo uma tendência para uma quebra de qualidade. Se querer exagerar nos spoilers até porque quem não conhece os videojogos pode eventualmente apreciar a série de igual forma, a história da série centra-se (como não podia deixar de ser) em Dante, um ser hibrido metade humano metade demónio e no seu enigmático passado, um passado que contem pistas para um presente em que o mundo é frequentemente visitado por demónios e que o inferno é bem real.

8.5/10

[Trailer] 

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Squid Game - Season 3 (2025)

Vamos “assentar” durante algum tempo no separador das séries até porque a lista é longa, começando desde já pela terceira temporada de ‘Squid Game’. Depois da novidade e da supressa vem invariavelmente uma espécie de descompressão e esta Season 3 também passou por este fenómeno mesmo que por si só não explique a mais que esperada degradação da série. A minha primeira crítica a esta Season 3 de Squid Game prende-se com o facto de esta temporada ser uma parte dois da Season 2, algo semelhante ao que já tinha acontecido em ‘La Casa de Papel’, uma tendência que apenas serve para aproveitar financeiramente o hype já existente. As falhas desta Season 3 são evidentes e elementares diria eu, aparentemente os produtores não faziam a mínima ideia de como encerrar a história portanto as decisões do rumo que o argumento deveria seguir são atabalhoadas, previsíveis e ilógicas a fazer lembrar o polémico final de Game of Thrones. Os jogos em si que são a parte mais interessante de ‘Squid Game’ vão ficando cada vez mais na categoria de “cenário” em prol de um manifesto exagero de cenas fora da ilha, completamente redundantes e enfadonhas. Mesmo os jogos em si vão sendo cada vez mais desinteressantes e incongruentes. Squid Game apareceu com um incrível hype mas acaba por sair pela porta pequena com responsabilidade directa dos produtores e argumentistas. 

6/10 


sábado, 31 de janeiro de 2026

Megadeth - Megadeth (2026)

Vai por certo ser um dos acontecimentos marcantes de 2026, foi já no final do ano passado que, com toda a pompa e circunstância Dave Mustaine anunciou não só o final dos Megadeth como simultaneamente o lançamento de um último álbum e uma ultima tour (que se avizinha bastante longa), tour essa que já tem data reservada para Portugal a 5 de Julho no Festival Evil Live no Meo Arena em Lisboa. O álbum apropriadamente intitulado ‘Megadeth’ antevia-se impactante todavia as espectativas podem ter “inchado” demasiado. A abordagem de Mustaine para o décimo sétimo e derradeiro álbum da banda foi um foco na execução em detrimento da complexidade, talvez acusando um compreensível desgaste criativo ou apenas cansaço. Carregado de mensagens assim não tão subliminares sobre o capítulo final da banda ‘Megadeth’ está recheado de refrões simples e orelhudos apoiados em riffs melódicos e rápidos projectados por um Thrash Metal directo e convencional. Destaco os temas ‘Tipping Point’, ‘Puppet Parade’, ‘Obey The Call’ e ‘I Am War’ como os mais interessantes de um álbum que vale essencialmente pela fantástica execução e produção e onde Mustaine deliberadamente não quis elevar o grau de dificuldade. Uma última nota para uma última provocaçãozinha aos seus conterrâneos Metallica a que Mustaine não resistiu, uma competente (ainda que desnecessária) cover de ‘Ride The Ride The Lightning’. Um até sempre aos Megadeth e ao seu icónico líder Dave Mustaine.

7.5/10

[Sample] 

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Kreator - Krushers Of The World (2026)

É o primeiro grande destaque musical de 2026, falo de ‘Krushers Of The World’ , o décimo terceiro álbum dos Germânicos Kreator. Já com data marcada para o nosso país a Krushers Of The World Tour traz-nos uns Kreator com um álbum novo e com muito boa companhia, Carcass, Nails e Exodus dia 20 de Março na sala Tejo em Lisboa. Longevidade, perseverança e inconformismo são as palavras que a meu ver melhor descrevem a carreira dos icónicos Kreator, depois de algumas apostas arriscadas antes da viragem do milénio ‘Violent Revolution’ marcou o início de uma espécie de segunda vida do quarteto Germânico e ‘Krushers Of The World’ é mais uma iteração desta segunda fase que, mesmo com alguns altos e baixos tem sido pautada pela consistência. ‘Krushers Of The World’ mostra uns Kreator que apesar do estatuto não se limitam a aplicar a sua oleada fórmula de Thrash Teutónico ficando na sua zona de conforto. É verdade que o seu fio condutor é esse mas a banda vai dinamizando cada música com variações de peso, de velocidade e até de impetuosidade, por entre refrões orelhudos e riffs que passados todos estes anos ainda conseguem sacar um involuntário headbang ao mais sisudo anti-Thrasher. Destaco as “melódicas” ‘Satanic Anarchy’ e ‘Combatants’, as bombásticas e directas ‘Psychotic Imperator’ e ‘Deathscream’, o hino ao Heavy Metal de ‘Loyal To The Grave’ e o Groove suculento do tema título até a fazer um pouco lembrar o longínquo ‘Outcast’ 1997. 

7.5/10

[Sample] 

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

O legado de David Lynch

 


Faz no próximo dia 16 de Janeiro precisamente um ano que o mundo do cinema perdeu uma das suas maiores pérolas, falo do conceituado realizador David Lynch. Entre todas as suas faculdades que vão desde argumentos, escrita, musica entre outras foi na arte da realização que Lynch mais se destacou. Se filmes como ‘Eraserhead’ (1977), ‘The Elephant Man’ (1980) e ‘Blue Velvet’ (1986) foram-lhe dando protagonismo ainda numa fase inicial da sua carreira foram ‘Dune’ (1984) e muito particularmente a icónica série ‘Twin Peaks’ (1989) que o elevaram a realizador de culto, todavia a meu ver a melhor fase de Lynch ainda não tinha chegado. ‘Lost Highway’ (1997) e ‘Mulholland Dr.’(2001) esses sim são os filmes que colocam Lynch no estatuo de génio da sétima arte, dois argumentos fantásticos com personagens escritas de forma brilhante com as respectivas interpretações de altíssimo nível tudo meticulosamente articulado pela mestria de David Lynch. Extravagante no seu talento Lynch consegue marcar um estilo muito próprio de fazer cinema, uma espécie de surrealismo cinematográfico centrado nas personagens e numa tensão quase insuportável que ele tão bem sabia criar. Os seus filmes também se destacam por serem inconclusivos ou muito difíceis de decifrar, exigem bastante esforço mental por parte do espectador e dão azo a múltiplas conclusões. Outra vertente que Lynch se foi especializando foi no uso do som e banda sonora como efeito intensificador, aliás intensidade será mesmo a melhor palavra para descrever um filme do "laboratório" Lynch, uma intensidade tal que, mesmo ainda que não se perceba muito do que está a acontecer no filme já estamos completamente investidos no mesmo. Em jeito de conclusão o falecimento de David Lynch é uma perda irreparável no cinema, o seu legado sem dúvida que vai permanecer mas dificilmente vai haver algum tipo de continuidade neste modo de desenvolver cinema. Uma última nota em tom de crítica para a incompreensível falta de um Óscar para este mestre do cinema, o tempo irá trazer o mais que merecido reconhecimento da sua importância e influência no cinema já que a Academia nunca o fez.

sábado, 10 de janeiro de 2026

Os melhores de 2025

  

 

Para primeiro post temos no menu o habitual top musical, desta feita o de 2025. Queria também aproveitar a oportunidade de desejar um excelente 2026 aos leitores do Espelho Distópico, aos mais fiéis e mesmo aos “turistas. Sem mais demoras aqui ficam os melhores de 2025. 

 

Top 15 melhores álbuns de 2025

 

 1.    Psychonaut - World Maker (Post-Metal/Progressive/Sludge Metal) [9/10]

 2.    This Gift Is A Curse – Heir (Black Metal/Sludge Metal/Hardcore) [9/10]

 3.   The Young Gods - Appear Disappear (Industrial Rock/Electronic) [8.5/10]

 4.    Deftones- Private Music (Alternative metal) [8.5/10]

 5.   Pothamus - Abur (Post-Metal) [8/10]

 6.   Adur- We Fail To Love Ourselves (Sludge Metal/Post-Metal) [8/10]

 7.   Dephosphorus - Planetoktonos (Blackened Death Metal/Grindcore) [8/10]

 8.   Between The Buried And Me - The Blue Nowhere (Progressive Metal) [8/10]

 9.   Decline Of The I - Wilhelm (Black Metal/Post-Black Metal) [8/10]

 10. Medico Peste - Aesthetic Of Hunger (Black Metal) [8/10]

 11.  Tombs - Feral Darkness (Post Black Metal/Death Metal/Doom Metal) [8/10]

 12.  Biohazard - Divided We Fall (Hardcore) [7.5/10]

 13.  Scour - Gold (Black Metal) [7.5/10]

 14.  Bleed From Within - Zenith (Metalcore) [7.5/10]

 15.  Paradise Lost - Ascension (Doom/Gothic Metal) [7.5/10]

 

 

 Maior desilusão de 2025    

 Arch Enemy - Blood Dynasty (Gothenburg Metal) [5.5/10]

 

   Melhor Surpresa de 2025

  Biohazard - Divided We Fall (Hardcore) [7.5/10]

 

   Melhor álbum de estreia de 2025

   Adur - We Fail To Love Ourselves (Sludge Metal/Post-Metal) [8/10]