domingo, 31 de maio de 2026

War Machine (2026)

Para quem esperava por um filme de acção crua, constante e intensa com um pedigree militar e desenfreadas vagas de testosterona pois bem a espera terminou. Com o selo NetflixWar Machine’ tem o inicio comum de um filme militar, numa missão no Afeganistão um grupo de soldados cai numa emboscada e apenas um sobrevive (81/Alan Ritchson), contudo uma das vitimas era o seu irmão mais novo que ele tenta estoicamente salvar apesar dos seus ferimentos, minutos antes deste acontecimento 81 tinha prometido ao seu irmão que o acompanharia numa recruta dos Rangers, a mais dura e desafiante recruta de todas as forças especiais Norte-Americanas. Dois anos depois 81 decide cumprir a promessa para a honrar a morte do seu irmão apesar do seu severo caso de Stress Pós-Traumático. Fisicamente 81 é um soldado exímio e vai sobrevivendo na recruta de forma exemplar, depois de várias filtragens e os candidatos ficarem reduzidos a um pequeno número a recruta termina com uma ultima missão, contudo essa missão revela-se muito mais difícil de que um ultimo teste pois o grupo é confrontado com um robô alienígena que é uma verdadeira maquina de guerra que aparentemente têm como único objectivo exterminar humanos. Com alguns pontos de contacto com filmes como ‘Predator’ (1987) e ‘War Of The Worlds’ (2005), ‘War Machine’ é um filme de acção contínua como há muito não se via, a partir do segundo terço do filme este entra num ritmo tão frenético que se torna avassalador, o nosso grupo de soldados literalmente não tem cinco minutos de descanso. Destaque para a excelente prestação de Alan Ritchson num papel que exige mais do que apenas encarnar o habitual “badass” quase indestrutível, para os efeitos visuais de bom nível com particular realce para o bem conseguido design do robô, e especialmente para a incrível intensidade do filme.

7/10 

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quarta-feira, 27 de maio de 2026

Sirât (2025)

Para além das duas nomeações para os Óscares foi colecionando vários prémios entre eles o prémio do júri do aclamado festival de Cannes, falo do filme independente ‘Sirât’. Depois de ver o filme confesso que fiquei com alguma pena de não o ter visto em cinema pois muito mais do que pela história ‘Sirât’ vale essencialmente pela experiência. A história essa é de fraco minimalista, um pai (Luis) acompanhado pelo seu filho menos (Esteban) procuram a sua filha numa rave ao ar livre no deserto Norte-Africano, mais concretamente em Marrocos. É verdade que o argumento é básico e pouco sedutor todavia em todas as outras vertentes cinematográficas ‘Sirât’ destaca-se. Um formidável trabalho de realização aliado a uma fantástica cinematografia oferecem a ‘Sirât’ uma atmosfera austera, intensa e angustiante sempre com o deserto como pano de fundo. Outro factor decisivo para o sucesso do filme é a sua incrível banda sonora, eu diria até que talvez seja uma peça essencial de ‘Sirât’, sonoridades dissonantes pautadas por uma espécie de Techno experimental e hipnótico. ‘Sirât’ tem também a particularidade de ser um filme inclusivo e sujeito a interpretações e teses, apesar de nos deixar algumas pequenas pistas sobre o que está a acontecer no mundo não fica claro “quando” se passa a história, apenas que algum tipo de conflito mundial está prestes a ocorrer. O ponto negativo do filme na minha opinião prede-se com a falta de profundidade das personagens (apesar da boa qualidade da generalidade das interpretações) e dos diálogos. Um filme refrescante e impactante com uma intensidade visceral e uma carga espiritual muito superior ao típico filme “road movie”.

7/10 

[Trailer] 

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Marty Supreme (2025)

Quem viu ‘Uncut Gems’ por certo estará familiarizado com o realizador Josh Safdie, pois bem é precisamente pelas mãos dele que Timothée Chalamet está de volta aos papéis de grande destaque depois de ‘Dune: Part Two com o filme ‘Marty Supreme’. Não sendo assumidamente um filme biográfico ‘Marty Supreme’ é no entanto inspirado na vida do tenista-de-mesa Marty Reisman. O filme conta-nos a história de um homem completamente lunático, obcecado e egocêntrico. Sendo um manipulador nato Marty é capaz de qualquer coisa para chegar ao seu objectivo não se importando com as consequências nem com os danos causados às pessoas em seu redor sendo que o seu objectivo (entrar num prestigiado torneio de ténis-de-mesa em solo Japonês) é a única coisa que importa. Depois de uma inesperada, angustiante e kármica derrota na final do torneio Marty consegue intensificar ainda mais sua obsessão desta vez com a rebuscada ideia de uma hipótese de desforra contra Koto Endo/Koto Kawaguchi. Com um ritmo frenético e sufocante ‘Marty Supreme’ é um filme interessante ainda que pelo seu tema possa não parecer, para isto contribui e de que maneira a fantástica interpretação de Marty por Timothée Chalamet, mais um papel formidável na sua curta carreira, um papel que reforça a tese de Chalamet ser o melhor actor da sua geração. ‘Marty Supreme’ comporta também ideias subjacentes a outros dois filmes na minha opinião, ‘The Wolf Of Wall Street’ pelas similaridades entre os dois protagonistas no que à mentira à burla e à manipulação diz respeito e ‘Pawn Sacrifice’ pelas semelhanças no grau de obsessão de um homem por um desporto.

 7.5/10

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quarta-feira, 20 de maio de 2026

The Rip (2026)

Uma das duplas mais conhecidas do cinema está de regresso em 2026 com ‘The Rip’, falo de Matt Damon e Ben Affleck. Com a chancela Netflix e realizado por Joe Carnahan, ele que foi o autor do formidável ‘Smokin’ Aces’, ‘The Rip’ é o chamado Thriller Policial convencional. A história começa com o assassinato da capitã Jackie Velez o que leva a uma investigação interna da Tactical Narcotics Team onde se incluem precisamente o Tenente Dane Dumars/Matt Damon e o Sargento J.D. Byrne/Ben Affleck levada a cabo pelo FBI, entretanto Dane recebe uma pista anónima sobre uma grande quantia de dinheiro numa casa que alegadamente pertence a um cartel, e equipa consegue entrar na casa todavia percebe que o saque é bastante superior o que era suposto. Por entre desconfianças, tentações óbvias, possível corrupção e mentiras Dane tenta perceber em quem pode confiar e se de alguma forma esta dica está relacionada com a morte de Jackie. Vagamente inspirado no escândalo designado por ‘Miami River Cops’ o argumento de ‘The Rip’ pode não ser inovador mas apresenta vários motivos de interesse, não só pelo ambiente claustrofóbico suburbano com também pela tensão gerada em torno dos personagens com particular destaque para a boa dinâmica entre Damon e Afleck. Onde o filme deixa a desejar e perde algum do seu élan é na sua parte final pois a perspectiva psicológica é atirada para segundo plano em prol de um desfecho prolífico em acção previsível e vulgar.

7/10

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segunda-feira, 18 de maio de 2026

Predator: Badlands (2025)

O franchise ‘Predator’ tem passado por um sem fim de capítulos onde em cada um permanece a ambição de trazer o mesmo de volta à popularidade dos dois primeiros filmes, ‘Predator’ (1987) e ‘Predator 2’ (1990) ainda que a grande maioria dessas tentativas se tenham revelado fracassos. Desde 2022 tem sido o realizador Dan Trachtenberg através de produções Hulu que tem tentado revitalizar a franquia com ‘Prey’ (2022) e o filme de animaçãoPredator: Killer of Killers (2025), com algum sucesso diga-se. Pois bem ‘Predator: Badlands’ foi uma espécie de tira-teimas para Dan Trachtenberg que desta vez até pôde contar com o apoio dos estúdios Century Fox. A história de ‘Predator: Badlands’ centra-se em Dek, um Yautja (a denominação dada à espécie dos Predadores) adolescente que tarda em ser aceite pelo chefe do seu clã que é simultaneamente o seu pai pois é considerado demasiado fraco e como consequência tem de morrer. Numa luta até à morte com o seu irmão mais velho Kwei para provar de uma vez por todas o seu valor para receber o celebre dispositivo de camuflagem (um ritual de emancipação para a idade adulta dos Yautja) Dek sai derrotado contudo num volte-face o seu irmão sacrifica-se para que ele possa deslocar-se para o planeta Genna para caçar a implacável e invencível besta Kalisk como a derradeira tentativa de redenção. Apesar dos efeitos visuais competentes, das eficazes sequencias de acção e da reconhecida criatividade da concepção do planeta Genna (onde acontece a maior parte do filme), Predator: Badlands’ peca essencialmente na profundidade do seu conteúdo e na previsibilidade do desenrolar do enredo, pois se esmiuçarmos em pormenor a premissa do filme facilmente chegamos à conclusão que Dek é um Yautja com problemas comuns a um qualquer adolescente humano com “daddy issues”. Predator: Badlands’ acaba por ser mais uma oportunidade falhada de clarificar de forma mais detalhada a espécie Yautja, ao invés a aposta continua a ser a sua ridícula humanização.

6/10 

sábado, 16 de maio de 2026

Now You See Me: Now You Don't (2025)

Quando já se pensava que o franchise tinha sido abandonado em definitivo eis que os ‘Four Horsemen’ estão de regresso. Mais um exemplo da tese que em Hollywood nada termina de forma permanente, nove anos depois ‘Now You See Me 2’ a franquia volta a dar sinal de vida com ‘Now You See Me: Now You Don't’ (porque ‘Now You See Me 3’ seria porventura demasiado cliché). Superar o seu antecessor seria simultaneamente facílimo e obrigatório e de facto o filme cumpre esse objetivo contudo continua bem longe da qualidade apresentada no primeiro filme do franchise ‘Now You See Me’ (2013). Desta feita os nossos ‘Four Horsemen’ unem esforços com uma nova geração de ilusionistas que os veem como referencias para desmascarar Veronika Vanderberg, a CEO da Inter-Continental Chemical Industries, uma corporação que serve de fachada para crimes de corrupção e tráfico de armas entre outros, desta forma os ‘Four Horsemen’ mantêm a sua veia de justiceiros alinhados com a filosofia de Robin dos Bosques mas usando a sua arma de eleição...a magia. Tal como os seus antecessores o sucesso de ‘Now You See Me: Now You Don't’ está directamente ligado com a capacidade de surpreender o espectador utilizando para esse efeito os famosos “twists” todavia a fórmula já apresenta claros sinais de desgaste resultando numa evolução da história muito mais previsível do que seria pretendido. A adição de três novos personagens principais também nada acrescenta ao filme pois a sua falta de profundidade e de carisma é por demais evidente e apenas parecem servir como uma pouco disfarçada passagem de testemunho para possíveis sequelas já sem os ‘Four Horsemen’ originais. Por todos estes motivos ‘Now You See Me: Now You Don't’ acaba por ser um filme que resvala para a categoria do tédio e da previsibilidade.

6/10 

terça-feira, 12 de maio de 2026

One Battle After Another (2025)

Quatro anos depois de ‘Licorice Pizza’ o aclamado realizador Paul Thomas Anderson regressou com ‘One Battle After Another’, um filme que foi de forma geral muito bem recebido pela critica adquirindo mesmo o estatuto de um dos melhores filmes de 2025. E se ‘Licorice Pizza’ peca essencialmente pela falta de acção assente num argumento pouco impactante desta vez Paul Thomas Anderson inverteu por completo o tabuleiro. ‘One Battle After Another’ começa com uma operação do grupo de extrema esquerda French 75 onde se destacam os protagonistas Perfidia Beverly Hills/Teyana Taylor e Pat Calhoun/Leonardo DiCaprio, essa actividade consiste na libertação e ajuda a emigrantes ilegais que tentam entrar em solo Norte-Americano. Pouco tempo depois Perfidia é apanhada em flagrante a armadilhar uma bomba pelo incansável Coronel Steven J. Lockjaw/Sean Penn (um militar que apesar da sua obsessão em erradicar o grupo revolucionário French 75 não consegue conter uma inexplicável atração por Perfidia) que exige ter sexo com ela como moeda de troca para a sua libertação. Entretanto Pat e Perfidia tornam-se numa família com o nascimento de Charlene/Chase Infiniti, todavia a vida como casal têm um final abrupto pois Perfidia insiste em continuar as suas actividades no grupo French 75 enquanto Pat acha que ambos devem assentar e focar-se na educação de Charlene. A decisão de Perfidia em abandona-los veio a revelar-se péssima pois ela é novamente apanhada pelas forças policiais e desta vez obrigada a revelar os nomes e localizações do French 75. Graças às denuncias de Perfidia Lockjaw desmantela o infame grupo mas não se fica por aí pois 16 anos mais tarde ele consegue rastrear o paradeiro de Pat e Charlene (agora escondidos na pequena cidade de Baktan Cross) e prossegue a sua missão convencido que existe a possibilidade de Charlene ser sua filha. Com um argumento bem delineado e um ritmo intenso e quase sempre frenético ‘One Battle After Another’ é sem duvida um filme que entusiasma e “agarra” o espectador contribuindo também para isso uma generosa dose de boas interpretações onde tenho de destacar de forma particular a de Sean Penn, um papel verdadeiramente arrebatador. Uma ultima nota para a habitual excelência na arte da realização de Paul Thomas Anderson com o óbvio destaque para a parte final do filme.

 7.5/10

[Trailer]