segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Madball - Not Your Kingdom (2026)

Continuamos em território Norte-Americano mais precisamente em Nova Iorque para analisarmos o décimo álbum de estúdio de uma das maiores lendas do Hardcore mundial (há quem diga que é mesmo a maior), não é muito difícil de adivinhar que falo dos Madball mas concretamente de ‘Not Your Kingdom’. Talvez espicaçados pelos seus companheiros de armas Biohazard com o lançamento de ‘Divided We Fall’ em 2025, os Madball respondem com este ‘Not Your Kingdom’ contudo se o regresso os Biohazard foi uma excelente surpresa no caso dos Madball não posso afirmar o mesmo. Oito longos anos de espera (a maior na longa carreira da banda), para ouvirmos finalmente o sucessor de ‘For The Cause’ e a desilusão vai-se instalando com o passar dos temas, nem vou à critica fácil da falta de originalidade pois estamos a falar de Hardcore no seu estado mais puro e ninguém está à espera que os Madball decidam enveredar pelo experimentalismo (seja lá o que isso for neste caso especifico) após mais de trinta e cinco anos de carreira. O que eu esperava sim eram malhas que se distinguissem o que não abunda em ‘Not Your Kingdom’. Com as honrosas exceções de ‘Stab Wounds’ e ‘Family First’ o álbum é composto maioritariamente por temas completamente básicos e vulgares, rápidos e curtos é verdade mas sempre a resvalarem para um Punk simplista e retrogrado reduzindo e de que maneira o espaço para os riffs carregados de Groove que os Madball tão bem sabem debitar. Concluo que ‘Not Your Kingdom’ não é de todo o álbum que se previa especialmente tento em conta a expectativa criada pelo anormal hiato de tempo e sobretudo pela inequívoca qualidade da banda.

6/10 

domingo, 23 de agosto de 2026

Devildriver - Strike And kill

Quem é que já tinha saudades dos Devildriver? Pois é a banda liderada pelo carismático Dez Fafara está de volta com o seu décimo álbum de originais ‘Strike And kill’ (sim estou a desconsiderar o álbum de covers ‘Outlaws 'Til The End, Vol. 1’). Depois de debelados os problemas de saúde pós pandemia de Dez Fafara a banda está de regresso deixando para trás um duplo álbum (‘Dealing With Demons Vol. Ie II’) que ficou aquém das expectativas. ‘Strike And kill’ trás-nos uns Devildriver de regresso ao seu melhor, por certo o regresso do seu baixista fundador (Jon Miller) teve o seu contributo para a consistência do álbum. Longe de ser um álbum inovador ‘Strike And kill’ consegue exibir uns Devildriver com “fome” de fazer estragos, o seu mix característico de Groove Thrash Metal e Death Metal Melódico tende a estar confinado a um particular estrangulamento criativo contudo desta feita a qualidade de vários temas do álbum fala por si, com o single ‘Dig Your Own Grave’ e ‘Sanctified In Scars’ à cabeça. Também os dois temas mais melódicos do álbum (‘In The Moonlight’ e ‘Summoning Shadows’) ganharam particular evidência não só por enriquecer a diversidade do álbum mas por oferecerem o “palco” ideal para Fafara exibir as suas formidáveis vocalizações em toda a sua incrível amplitude. Em suma ‘Strike And kill’ não é nem seria de esperar que fosse um álbum disruptivo todavia parece-me pacifico dizer que é o álbum mais competente da banda desde ‘Winter Kills’.

7.5/10

[Sample] 

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Combichrist - The Venom In The Mouth Of God (2026)

Ainda na ressaca do fantástico concerto no passado dia 9 em pleno Vagos Metal Fest dificilmente haveria melhor altura para uma review do mais recente trabalho dos CombichristThe Venom In The Mouth Of God’. Tem sido progressivo moroso o regresso dos Combichrist às suas origens todavia se a sua abrupta industrialização por certo agarrou alguns fãs do espectro da musica mais pesada é bem possível que esta lenta desindustrialização também esteja a recuperar os aficionados da musica mais Eletrónica. The Venom In The Mouth Of God’ é muito mais do que uma simples sucessão lógica ‘CMBCRST’, para além de entrar directamente para o pódio dos melhores álbuns da banda (quiçá mesmo o melhor) recupera a essência dos Combichrist, o Aggrotech personalizado e maturado com ténues insurgências de Industrial onde a batida Techno marca o ritmo intenso e constante. Se em termos líricos a banda continua a apostar em temáticas com uma forte carga anti-religiosa, Nietzschesiana sempre com o foco apontado à continua desumanização, na vertente sonora é gratificante e entusiasmante voltar a sentir o vigor da pulsante e vibrante energia do EBM/Aggrotech a fluir pelos treze temas que integram The Venom In The Mouth Of God’. É desafiante filtrar faixas num álbum com este tipo de consistência ainda assim arrisco ‘Desolation’, ‘Born Deströyer’, ‘Rise’ e ‘Venom’ como os temas “orelhudos” de The Venom In The Mouth Of God’, um dos mais fortes candidatos a melhor álbum de 2026. Uma ultima nota para Andy LaPlegua, que continua a ser um dos melhores vocalistas deste subgénero em particular.

8.5/10

[Sample] 



domingo, 16 de agosto de 2026

Maquina. - Body Transmission (2026)

Depois de um merecido descanso estamos de volta e continuamos em solo nacional. Ao chavão “em Portugal faz-se musica muito boa” (normalmente em resposta a um complexo de inferioridade mal camuflado), eu respondo com um não é bem assim, ou pelo menos no que à musica realmente inovadora ou fora da caixa diz respeito os exemplos são escassos. Precisamente para contrariar essa afirmação temos o caso do trio Lisboeta Maquina. composto por Halison Peres (bateria e voz), João Cavalheiro (guitarra) e José "Mendy" Rego responsável pelo baixo. Os Maquina. têm sido uma incrível surpresa e a meu ver a banda portuguesa mais entusiasmante nos últimos largos anos, para já vamos-nos debruçar sobre o seu ultimo lançamento ‘Body Transmission’ ficando desde já a promessa que iremos a seu tempo também analisar os seus dois primeiros trabalhos. ‘Body Transmission’, na minha opinião o melhor álbum da banda até ao momento mostra uns Maquina. como uma verdadeira máquina sonora no seu auge de eficácia, um pulsante e apaixonante turbilhão criativo que mistura a energia do EBM com o Post-Punk Eletrónico, o Noise, o Krautrock e o Industrial, uma amálgama sonora que ninguém consegue descrever de forma precisa mas que contagia até o ouvido mais céptico. De uma vertente mais estrutural as sonoridades dos Maquina. podem-se descrever partindo dos ritmos repetitivos e hipnóticos do baixo acompanhados de perto pela bateria pulsante e dinâmica e pelos riffs que conseguem confluir o Psicadélico, o Industrial e o Noise numa só essência. Sem temas descartáveis tenho de destacar ‘Collapsing’, ‘Agony’, ‘Simulation’ e ‘Step on Me’, faixas que certamente irão engrossar o já de si incrível “cardápio” da banda ao vivo. Não, não se faz assim tão boa musica em Portugal contudo de quando em vez surgem pérolas como ‘Body Transmission’. O mais inacreditável é que trio Lisboeta compõe musica com esta qualidade de forma tão fácil e genuína que para eles parece ser apenas mais um dia no escritório.

8.5/10

[Sample]  

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Moonspell - Far From God (2026)

Eles são de facto uma banda a sério, falo dos Moonspell a propósito do seu décimo terceiro álbum de originais ‘Far From God’. E porquê uma banda a sério? os Moonspell são detentores de uma carreira invejável que ultrapassa os 30 anos onde já quase tudo foi experimentado, desde infindáveis tours, versões acústicas, versões com orquestra, projectos paralelos (Dæmonarch) e várias transformações de identidade musical, tudo isto foi glorificado com um enorme sucesso internacional e um tardio reconhecimento nacional, ora com toda esta bagagem para onde caminha o mais prestigiado quinteto Português de Metal? Depois de ‘Hermitage’ aparentemente os Moonspell decidiram recuperar a sua vertente mais dirigida para o Gothic Rock/Metal, uma decisão sagaz mas que teve longe de correr conforme o idealizado. O grande “pecado” de ‘Far From God’ não se prende com a sua orientação musical mas sim com uma clara falta de criatividade quem vem assombrando a banda há mais de uma década, três dos últimos quatro álbuns dos Moonspell (‘Extint’, ‘Hermitage’ e ‘Far From God’) deixam bastante a desejar. Os temas sucedem-se quase sempre numa toada de pseudo-balada de Gothic Rock, insípidos, entediantes, desinteressantes quase a roçar a vulgaridade. Existem algumas exceções? Claro que sim, ‘The Great Wolf In The Sky’, ‘Your Promise Of Light’ e ‘Our Freedom To Fall’ serão porventura faixas que entrariam de forma natural no “cardápio” de um ‘Darkness And Hope’ mas que ainda assim seriam provavelmente das mais fracas desse álbum. É caso para dizer que ‘Far From God’ está “far from good”.

6/10 

sábado, 18 de julho de 2026

ΦΩΣ - I Am The Light (2025)

Outro regresso importante em 2025 foi o do Grego Athanasios "Thespieus" Papangelis, ele que já tinha entusiasmado os aficionados do Black Metal mais tradicional com o seu projecto Svet particularmente através do seu excelente álbum de estreia simplesmente intitulado ‘The Truth’ em 2022. Pois bem Athanasios voltou ao activo em 2025 mas com um outro projecto desta vez identificado por ΦΩΣ que significa (Phos) ou luz no alfabeto Grego através do álbum ‘I Am The light’. A obsessão de Athanasios com a palavra luz é tão evidente que me obrigou a confirmar que ΦΩΣ não seria apenas uma alteração de nome dos Svet. Tal como no projecto Svet também aqui Athanasios é o responsável por toda a concepção musical e também aqui o Black Metal tem o papel principal das sonoridades da banda. Um Black Metal num formato bastante tradicional quase em jeito de tributo ao Black Metal Escandinavo do inicio da década de 90, contudo os ΦΩΣ aproveitam (e bem) algum do Folk Helénico para aprimorar uma atmosfera mística que acaba também ela por ser uma característica marcante das sonoridades da banda. Resta abordarmos a perspectiva lírica de ‘I Am The light’, que, como seria de esperar revolve em torno do significado de “luz”, da ambivalência entre o fogo e o Sol (duas importantes fontes de luz) e o seu contraste com a escuridão. Em tempos onde escasseiam lançamentos de qualidade intrínseca no domínio do Black Metal ‘I Am The light’ é uma importante e empolgante excepção.

7.5/10

[Sample]  

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Urzah - A Tranquil Void (2026)

Dois anos depois de uma auspiciosa estreia com ‘The Scorching Gaze os Britânicos Urzah estão de regresso com o seu segundo álbum de estúdio intitulado ‘A Tranquil Void’. Entraram com impacto no domínio do Post-Metal/Sludge intrincado com Progressivo e agora o grande desafio seria a confirmação, não só da sua identidade musical como da qualidade evidenciada na sua estreia. Em abono da verdade talvez ‘A Tranquil Void’ não tenha atingido exatamente o mesmo patamar qualitativo que o seu antecessor mas eu diria que por muito pouco, todavia no que à sua identidade sonora diz respeito o quarteto oriundo de Bristol mostra de forma inequívoca que o seu compósito de Post-Metal/Progressivo e Sludge Metal está cada vez mais consolidado. A grande diferença a registar quando comparado com o seu antecessor é que em ‘A Tranquil Void’ o Progressivo conquistou de facto mais algum espaço. Também na vertente ambiental a banda parece apresentar-se com uma outra maturidade exibindo uma interessante dinâmica entre o magnetismo e agressividade dos riffs com o carimbo Sludge e os segmentos mais atmosféricos. Destaco as incontornáveis ‘Infernal Star Ie
Infernal Star IIos dois temas onde mais sobressai a capacidade técnica dos Urzah mas também The Call Beneathe ‘In The Mouth Of The Wolf’, ambos a provocarem reminiscências dos Norte-Americanos Mastodon.

8/10

[Sample]