quinta-feira, 23 de julho de 2026

Moonspell - Far From God (2026)

Eles são de facto uma banda a sério, falo dos Moonspell a propósito do seu décimo terceiro álbum de originais ‘Far From God’. E porquê uma banda a sério? os Moonspell são detentores de uma carreira invejável que ultrapassa os 30 anos onde já quase tudo foi experimentado, desde infindáveis tours, versões acústicas, versões com orquestra, projectos paralelos (Dæmonarch) e várias transformações de identidade musical, tudo isto foi glorificado com um enorme sucesso internacional e um tardio reconhecimento nacional, ora com toda esta bagagem para onde caminha o mais prestigiado quinteto Português de Metal? Depois de ‘Hermitage’ aparentemente os Moonspell decidiram recuperar a sua vertente mais dirigida para o Gothic Rock/Metal, uma decisão sagaz mas que teve longe de correr conforme o idealizado. O grande “pecado” de ‘Far From God’ não se prende com a sua orientação musical mas sim com uma clara falta de criatividade quem vem assombrando a banda há mais de uma década, três dos últimos quatro álbuns dos Moonspell (‘Extint’, ‘Hermitage’ e ‘Far From God’) deixam bastante a desejar. Os temas sucedem-se quase sempre numa toada de pseudo-balada de Gothic Rock, insípidos, entediantes, desinteressantes quase a roçar a vulgaridade. Existem algumas exceções? Claro que sim, ‘The Great Wolf In The Sky’, ‘Your Promise Of Light’ e ‘Our Freedom To Fall’ serão porventura faixas que entrariam de forma natural no “cardápio” de um ‘Darkness And Hope’ mas que ainda assim seriam provavelmente das mais fracas desse álbum. É caso para dizer que ‘Far From God’ está “far from good”.

6/10 

sábado, 18 de julho de 2026

ΦΩΣ - I Am The Light (2025)

Outro regresso importante em 2025 foi o do Grego Athanasios "Thespieus" Papangelis, ele que já tinha entusiasmado os aficionados do Black Metal mais tradicional com o seu projecto Svet particularmente através do seu excelente álbum de estreia simplesmente intitulado ‘The Truth’ em 2022. Pois bem Athanasios voltou ao activo em 2025 mas com um outro projecto desta vez identificado por ΦΩΣ que significa (Phos) ou luz no alfabeto Grego através do álbum ‘I Am The light’. A obsessão de Athanasios com a palavra luz é tão evidente que me obrigou a confirmar que ΦΩΣ não seria apenas uma alteração de nome dos Svet. Tal como no projecto Svet também aqui Athanasios é o responsável por toda a concepção musical e também aqui o Black Metal tem o papel principal das sonoridades da banda. Um Black Metal num formato bastante tradicional quase em jeito de tributo ao Black Metal Escandinavo do inicio da década de 90, contudo os ΦΩΣ aproveitam (e bem) algum do Folk Helénico para aprimorar uma atmosfera mística que acaba também ela por ser uma característica marcante das sonoridades da banda. Resta abordarmos a perspectiva lírica de ‘I Am The light’, que, como seria de esperar revolve em torno do significado de “luz”, da ambivalência entre o fogo e o Sol (duas importantes fontes de luz) e o seu contraste com a escuridão. Em tempos onde escasseiam lançamentos de qualidade intrínseca no domínio do Black Metal ‘I Am The light’ é uma importante e empolgante excepção.

7.5/10

[Sample]  

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Urzah - A Tranquil Void (2026)

Dois anos depois de uma auspiciosa estreia com ‘The Scorching Gaze os Britânicos Urzah estão de regresso com o seu segundo álbum de estúdio intitulado ‘A Tranquil Void’. Entraram com impacto no domínio do Post-Metal/Sludge intrincado com Progressivo e agora o grande desafio seria a confirmação, não só da sua identidade musical como da qualidade evidenciada na sua estreia. Em abono da verdade talvez ‘A Tranquil Void’ não tenha atingido exatamente o mesmo patamar qualitativo que o seu antecessor mas eu diria que por muito pouco, todavia no que à sua identidade sonora diz respeito o quarteto oriundo de Bristol mostra de forma inequívoca que o seu compósito de Post-Metal/Progressivo e Sludge Metal está cada vez mais consolidado. A grande diferença a registar quando comparado com o seu antecessor é que em ‘A Tranquil Void’ o Progressivo conquistou de facto mais algum espaço. Também na vertente ambiental a banda parece apresentar-se com uma outra maturidade exibindo uma interessante dinâmica entre o magnetismo e agressividade dos riffs com o carimbo Sludge e os segmentos mais atmosféricos. Destaco as incontornáveis ‘Infernal Star Ie
Infernal Star IIos dois temas onde mais sobressai a capacidade técnica dos Urzah mas também The Call Beneathe ‘In The Mouth Of The Wolf’, ambos a provocarem reminiscências dos Norte-Americanos Mastodon.

8/10

[Sample]  

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Combichrist - CMBCRST (2024)

Outro álbum que nos passou ao lado foi o décimo da já longa carreira de Andy LaPlegua e dos seus estimados CombichristCMBCRST’. O álbum que remonta a maio de 2024 vem cinco anos depois de ‘One Fire’ e apenas dois depois do EPHeads Off’ e a minha primeira critica acerca de ‘CMBCRST’ está precisamente relacionada com o já referido EP. Parece-me senso comum que um EP pode e deve funcionar como uma espécie de “aperitivo” para o que se sucede e no caso especifico dos Combichrist é mesmo o seu primeiro EP por muito estranho que pareça contudo a banda decidiu incorporar na totalidade ‘Heads Off’ em ‘CMBCRST’ o que a meu ver retira qualquer tipo de lógica ao lançamento de ‘Heads Off’. ‘CMBCRST’ é possivelmente o melhor álbum da banda em anos e porquê? Eu diria que a principal razão prende-se com o facto de Andy LaPlegua ter conseguido finalmente consolidar um difícil equilíbrio sonoro entre as duas assumidas vertentes da banda, Industrial Metal e Aggrotech. Tal como já tinha acontecido em ‘Heads Off’ também em ‘CMBCRST’ existem temas a gosto das duas “facções” que têm acompanhado a banda, Complianceou ‘Children of Violence’ para os mais aficionados do Eletrónico/Aggrotech ou ‘Planet Doom’ ou ‘D for Demonic’ (bem a puxar às sonoridades dos seus conterrâneos Ministry) para quem é mais apreciador de um Industrial com riffs bem orelhudos. Todavia penso que o grande mérito dos Combichrist neste ‘CMBCRST’ é terem alcançado esse já referido equilíbrio musical não só entre temas como também dentro do próprio tema, as formidáveis ‘Only Death Is Immortale ‘Through The Ravens Eyessão talvez os melhores exemplos disso mesmo. A dias do lançamento do seu décimo primeiro álbum as expectativas são muito boas.

8/10

[Sample]  

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Mantar - Post Apocalyptic Depression (2025)

Começo por pedir desculpa pelo atraso pois o álbum que vamos analisar remonta a Fevereiro de 2025 no caso o quinto da dupla Alemã Mantar intitulado ‘Post Apocalyptic Depression’. Depois de uma fase inicial em que os Mantar assentaram as suas sonoridades num mescla entre Sludge e Punk a banda foi evoluindo e modernizando as suas composições até The Modern Art Of Setting Ablaze’, a meu ver o ponto mais alto da sua carreira até ao momento contudo de forma algo estranha e até imprudente diria eu, a banda voltou alguns passos atrás com Pain Is Forever And This Is The Ende ‘Post Apocalyptic Depression’ continua nessa toada de regresso às origens. ‘Post Apocalyptic Depression’ é claramente o álbum mais Punk da banda, eu diria que todas as outras influências perderam bastante espaço, o álbum é cru, directo e rápido (não só em termos de vertigem mas também na duração das faixas), mas por outro lado também representa um óbvio retrocesso criativo pois a estrutura musical é agora bem mais elementar e vulgar. Apesar da sua assumida admiração pelo Grunge particularmente por uma fase precoce dos incontornáveis Nirvana os Mantar já provaram e de que forma que conseguem compor temas com um diferente nível de complexidade e relevância. Independentemente de um bom punhado de riffs dinâmicos, enérgicos e acima de tudo bem executados ‘Post Apocalyptic Depression’ não é um álbum que ascenda acima do satisfatório. Destaco os temas ‘Morbid Vocatione ‘Cosmic Abortioncomo os mais interessantes do álbum.

7/10 

[Sample] 

domingo, 12 de julho de 2026

Erdve - Epigrama (2026)

Eles são Lituanos e temos acompanhado ao pormenor a sua (ainda curta carreira) aqui no blog, falo dos Erdve a propósito do seu terceiro álbum de originais ‘Epigrama’. Cinco anos depois de Savigailaos Erdve regressam com uma nova proposta musical (‘Epigrama’) e a primeira consideração a reter sobre o álbum é a sua consistência, um factor que aliás têm sido habitual em todos os trabalhos da banda. Se é verdade que nenhum dos seus álbuns pode ser considerado “mind blowing” também não é menos verdade que todos eles se enquadram num nível alto. Os Erdve têm também traçado um caminho no qual conseguem sempre apresentar vitalidade nas suas sonoridades sem beliscar a sua vincada identidade musical e ‘Epigrama’ é mais um bom exemplo disso. Apesar de uma renuncia quase total às (cada vez menos frequentes) influências de Black Metal o seu híbrido de Hardcore, Sludge Metal e Post-Metal continua sólido, contemporâneo e impactante. ‘Epigrama’ destaca-se também por uma atmosfera com texturas de Post-Metal cada vez mais assíduas amplificadas por riffs (por vezes com uma afinação a puxar ao Djent), densos, implacáveis e crus a fazer lembrar bandas como LLNN ou Maussade. Na sua vertente lírica ‘Epigrama’ pode ser categorizado como um álbum que explora conceitos mundanos como o Niilismo, a decadência humana e social mas sempre numa perspectiva trágica e céptica. Saliento os temas ‘Nyra’, ‘Trukmė’, ‘Svertas’ e ‘Raukšlės’ como os mais impressionantes de Epigrama’, sem dúvida um dos álbuns a ter em conta em 2026.

7.5/10 

[Sample] 

 

terça-feira, 30 de junho de 2026

At The Gates - The Ghost of a Future Dead (2026)

É difícil de acreditar que ‘The Ghost of a Future Dead’ foi o titulo escolhido pelos Suecos At The Gates antes do precoce desaparecimento do seu icónico líder Thomas Lindberg. É impossível falarmos de ‘The Ghost of a Future Dead’ sem falar do inesperado falecimento de Lindberg até porque apesar do álbum ter sido lançado a titulo póstumo as vocalizações foram ainda inteiramente da sua responsabilidade. Lindberg vai por certo ser reconhecido como a mais emblemática personagem do chamando Gothenburg Metal, não só por ter participado de forma bastante activa na sua génese mas também pelo numero de projectos de edificou dentro deste particular sub-género (Nightrage e The Great Deceiver são bons exemplos). Feita a mais que justificada homenagem o foco centra-se agora no álbum. ‘The Ghost of a Future Dead’ (o oitavo e derradeiro álbum da banda) tem sido apontado como o melhor dos At The Gates desde o seu surpreendente regresso em 2014, eu diria que talvez a óbvia carga dramática esteja a influenciar de forma decisiva as opiniões e não é porque o álbum não seja consistente nada disso, todavia eu acho que com a excepção de ‘To Drink From The Night Itself(2018) que está a meu ver um furo abaixo, os outros três álbuns da banda desde o seu retorno estão a um nível muito semelhante. Ao contrário do que aconteceu em ‘The Nightmare OfBeingdeste vez os At The Gates voltaram às suas sonoridades primordiais onde de facto parece que conseguem sempre superar toda a concorrência, a receita do Gothenburg Metal é por demais conhecida e experimentada mas com os At The Gates ela leva sempre um condimento especial e secreto. É complicado escolher um destaque num álbum tão compacto e regular ainda assim arrisco o tema ‘A Ritual of Waste’, uma faixa bem característica das sonoridades típicas do aclamado quinteto Sueco. Um até sempre para Thomas Lindberg, o seu legado por certo perdurará.

7.5/10

[Sample]