terça-feira, 15 de setembro de 2026

In The Grey (2026)

2026 fica também marcado pelo regresso de Guy Ritchie aos filmes, ele que ultimamente tem apostado num tipo de filmes mais “lineares” e sem o humor negro dissimulado que marcou o inicio da sua carreira. A história de ‘In The Grey’ centra-se no trio Rachel/Eiza González (3 Body Problem), Sid/Henry Cavill e Bronco/Jake Gyllenhaal, os três são a cara num grupo de operativos de elite especialista em cobranças difíceis ou mesmo no limiar do impossível. O nosso trio tem como missão recuperar uma divida de um bilião de dólares feito pelo autocrático criminoso Manny Salazar a uma empresa de gestão de ativos chamada Spencer Goldstein, todavia esta missão vai-se tornando cada vez mais desafiante devido à obstinação de Salazar. ‘In The Grey’ propõe-nos uma história interessante mesmo considerando o défice de originalidade e sequências de acção equilibras e sem exageros. Também a dinâmica entre os três principais actores funciona consideravelmente bem ainda que não exista grande profundidade nas personagens. Guy Ritchie recorre frequentemente a actores com quem já trabalhou, ele que parece deter uma espécie de shortlist de actores da sua confiança e isso volta a verificar-se em ‘In The Grey’. O ponto negativo a apontar ao filme é de facto o excesso de descrições dos planos feitos pela equipa, ‘In The Grey’ nem sequer é um filme muito longo mas estas extensas explicações quase obsessivas com o detalhe nada alteram ao enredo do filme e chegam a torna-se entediantes.

7/10

[Trailer] 

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

The Odyssey (2026)

Era o género de filme que faltava no diversificado reportório de Christopher Nolan? Desta vez Nolan conseguiu reunir bastantes anticorpos mesmo antes da estreia de ‘The Odyssey’. Acusações de influências do Wokismo ou mesmo cedência na política de quotas dos Óscares entre outras, confesso que talvez até inconscientemente eu também baixei as expectativas acerca de ‘The Odyssey’ mesmo considerando que Nolan é desde há muito tempo o meu realizador preferido. Sendo que podem ser válidos os argumentos de falta de rigor histórico especificamente na tonalidade de pele de Helen of Troy/Lupita Nyong'o ou na inclusão de Elliot Page (que já foi Ellen Page) como Sinon. É uma discussão um pouco similar a discutir os sexo dos anjos pois Odisseia é uma epopeia da Grécia antiga escrita por Homero, uma história que embora contenha factos reais também esta pejada de mitos e lendas, mas ainda existe uma razão mais contundente para tornar este debate inócuo, é que os personagens em questão são tão secundários que nem de forma residual influenciam o conteúdo de ‘The Odyssey’. Falando concretamente do filme posso dizer que fiquei surpreendido pela positiva, se nos aspectos técnicos Nolan já nos habituou a um invulgar padrão de excelência (desta vez até conseguiu cumprir o seu “fetiche” de filmar na integra com uma câmara IMAX), todavia foi na abordagem à mais que conhecida história que Nolan surpreendeu e de que maneira. O evento do cavalo de Troia sempre foi visto como um dos melhores golpes militares que há memória contudo Christopher Nolan interpreta-o de outra forma, e se as consequências de tal ataque tivessem sido tão traumáticas e permanentes que o triunfo militar resultante não tivesse merecido respectiva glorificação? A acção centra-se no regresso Odysseus/Matt Damon e a sua tripulação a Ithaca, uma longa e conturbada viagem onde vão enfrentando uma insólita panóplia de inimigos. Nas interpretações o destaque tem forçosamente que ir para Matt Damon bem acompanhado por Anne Hathaway/Penelope, Robert Pattinson/Antinous, John Leguizamo/Eumaeus e Charlize Theron como Calypso em contraste com a despontante performance de Tom Holland na pele de Telemachus (filho de Odysseus). Uma ultima nota até porque o post já vai bem longo para a ausência dos deuses, podemos dizer que a sua presença sente-se e está subentendida, até a aparição de Athena pode ser entendida apenas como uma manifestação do sentimento de culpa de Odysseus. Correu na altura um rumor não confirmado que Christopher Nolan estaria na calha para realizar ‘Troy’ acabando por ficar com ‘Batman Beginscomo prémio de consolação portanto respondendo à pergunta do inicio, com todos os defeitos que ‘The Odyssey’ pode ter Nolan teve condão de abrir uma nova perspectiva sobre uma das histórias mais icónicas da literatura antiga.

8/10 

[Trailer] 

sábado, 5 de setembro de 2026

Mastodon - Marrow Deep (2026)

Marrow Deep’, o nono álbum da carreira dos Norte-Americanos Mastodon teve todos os condimentos para ser o mais desafiante da carreira da banda. Recapitulando, aparentemente já na altura do dececionante ‘Hushed And Grim’ a relação entre Brent Hinds o os restantes elementos da banda estava longe de ser a melhor (a qualidade do álbum reflete-o de forma clara), e em março do passado ano a inevitável cisão acontece e Brent saí em definitivo da banda de forma algo tempestuosa, todavia a espiral negativa não ficaria por aqui pois cerca de cinco meses depois é noticiado o precoce falecimento de Brent após um trágico acidente de viação. Os quatro “cavaleiros” que há 25 anos conseguiram juntar magistralmente o Sludge Metal com o Progressivo ficavam agora órfãos de quem era apontado por muitos como a alma criativa da banda. Na verdade os Mastodon decidiram seguir em frente logo após a saída de Brent da banda, contudo o seu inesperado desaparecimento teve uma óbvia e natural repercussão na construção de ‘Marrow Deep’. Eu diria que o álbum não só tem o mérito de encaixar na identidade musical da banda como até consegue de alguma forma inverter o declino que tinha tido o seu ponto mais baixo em ‘Hushed And Grim’. Para além da adição Nick Johnston como guitarrista os Mastodon decidiram ainda a incorporação de um teclista (o brasileiro João Nogueira), e ambos acabaram por ter um impacto positivo em ‘Marrow Deep’ comprovado em temas como ‘Your Ghost Again’, ‘They're Coming For You’ ou ‘Golden Spires’. Uma ultima nota para o notável “elenco” de convidados de ‘Marrow Deep’ onde se prefiguram nomes como Josh Homme (Queens Of The Stone Age), Joseph "Joe" Duplantier (Gojira), Geezer Butler (Black Sabbath/GZR) ou Randy Blythe (Lamb Of God). Mais importante do que ser um fantástico álbum ‘Marrow Deep’ mostra toda a força de vontade e determinação dos Mastodon no momento mais conturbado da sua carreira.

7.5/10 

[Sample] 

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Hämnd - Bortom (2026)

Estrearam-se de forma absoluta em 2024 com o EPEldhav’ mas foi preciso esperar mais dois anos para ouvirmos o seu primeiro álbum de originais ‘Bortom’ (curiosamente com o mesmo número de temas que o EP), falo dos Suecos Hämnd. Se é verdade que o Post-Metal é dos subgéneros que mais têm crescido nas ultimas duas décadas (os Neurosis abriram uma caixa de pandora que não mais se fechou), também é verdade que estranhamente a Suécia tem passado um pouco ao lado desta “febre” contudo a excepção aí está a chama-se Hämnd. Composto por apenas quatro faixas ‘Bortom’ é o mais forte candidato à melhor estreia de 2026, Post-Metal com tudo a que temos direito em conluio com o seu fiel amigo Atmosferic Sludge Metal. Um ambiente desolador e dissonante (Post-Metal by the book) serve de tela aos riffs pausados, densos e tempestuosos com uma forte carga emocional amplificados de forma perfeita pelas vocalizações sôfregas e ardentes de Magnus Strigner. A qualidade de ‘Bortom’ oscila de forma quase residual pelos quatro temas que o integram contudo arrisco o destaque para ‘Orkan’, a faixa que encerra ‘Bortom’. Muita expectativa para os próximos lançamentos dos Hämnd, a banda que pôs em definitivo a Suécia no “mapa” do Post-Metal

8/10 

[Sample] 

domingo, 30 de agosto de 2026

Guilt Trip - Armour Of Angels (2026)

Continuamos com o foco no Hardcore mas agora viajamos até ao outro lado do atlântico mais precisamente até Manchester. Eles são uma estreia aqui no Blog e estiveram no nosso país no passado mês de Março onde proporcionaram um formidável concerto, falo dos Britânicos Guilt Trip mais concretamente no seu mais recente álbum ‘Armour Of Angels’. ‘Armour Of Angels’, o quarto trabalho dos Guilt Trip mostra na perfeição a essência do quinteto oriundo de Manchester, Hardcore cru, pulsante e dinâmico a fervilhar de agressividade, ainda que seja um Hardcore moderno longe do Punk Hardcore de raízes Nova-iorquinas, pois são também identificáveis as influências do Thrash e no Groove. ‘Armour Of Angels’ não é certamente num álbum inovador pois apesar das meritórias tentativas da banda em alternar a velocidade com breakdowns incisivos e intensos a monotonia da repetibilidade acaba eventualmente por se instalar após algumas audições. Tenho de destacar a excelência da produção que faz sobressair e de que maneira todo o poder dos riffs densos e castigadores que os Guilt Trip adoptam como uma espécie de imagem de marca. Outro assunto em destaque é a participação de Sonny Sandoval (P.O.D.) no tema ‘Resurrected’, tema que acaba por ficar com uma propositada e inevitável roupagem Nu-Metal. Os Guilt Trip têm sido uma das fortes apostas na “reencarnação” da icónica Roadrunner Records e ‘Armour Of Angels’ é mais um passo firme e sustentado na curta mas solida carreira da banda. 

7.5/10

[Sample]  

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Cancer Bats - Give Me Dirt (2026)

Subimos ligeiramente no mapa e vamos até ao Canadá para abordar-mos o mais recente trabalho dos Canadianos Cancer Bats intitulado ‘Give Me Dirt’. Temos escalpelizado a carreira da banda álbum a álbum aqui no Blog e ‘Give Me Dirt’ nunca seria excepção, lançado no passado dia 7 de agosto é o oitavo álbum da banda a encerra uma espera de quatro anos. Começamos então pelo grande desafio que os Cancer Bats tinham pela frente, a substituição do seu guitarrista Scott Middleton, ele que saiu antes do seu ultimo álbum ‘Psychic Jailbreak’. Dado que o familiar compósito sonoro de Punk/Hardcore/Sludge/Southern e Stoner que desde “tenra idade” os Cancer Bats adoptaram tem como ponto fulcral a dinâmica e o vigor dos seus riffs este era sem duvida um assunto bastante sensível e a banda resolveu-o de forma...criativa, vamos dizer assim. Sem anunciarem uma substituição directa a banda contou com a participação do guitarrista Chris Creswell em vários temas do álbum, aliás ‘Give Me Dirt’ é um álbum cheio de colaborações tais como a de Nate Newton (Converge) no tema de abertura ‘World Wild Fire Death Race’, a da vocalista Canadiana Brooklyn Doran em ‘Long Tooth’ ou na do também vocalista Efrem Schulz (Death By Stereo) na faixa que encerra ‘Give me Dirt’, ‘Fools Like You’. Qualitativamente eu diria que ‘Give Me Dirt’ está um degrau acima do seu antecessor essencialmente em virtude da energia transmitida pelos riffs simultaneamente vertiginosos e densos bem espelhados em temas formidáveis como ‘Stay Stuck’ ou no próprio tema título mas também consequência directa da excelência da produção que ficou a cargo de Kurt Ballou (Converge).

7.5/10 

[Sample] 

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Madball - Not Your Kingdom (2026)

Continuamos em território Norte-Americano mais precisamente em Nova Iorque para analisarmos o décimo álbum de estúdio de uma das maiores lendas do Hardcore mundial (há quem diga que é mesmo a maior), não é muito difícil de adivinhar que falo dos Madball mas concretamente de ‘Not Your Kingdom’. Talvez espicaçados pelos seus companheiros de armas Biohazard com o lançamento de ‘Divided We Fall’ em 2025, os Madball respondem com este ‘Not Your Kingdom’ contudo se o regresso os Biohazard foi uma excelente surpresa no caso dos Madball não posso afirmar o mesmo. Oito longos anos de espera (a maior na longa carreira da banda), para ouvirmos finalmente o sucessor de ‘For The Cause’ e a desilusão vai-se instalando com o passar dos temas, nem vou à critica fácil da falta de originalidade pois estamos a falar de Hardcore no seu estado mais puro e ninguém está à espera que os Madball decidam enveredar pelo experimentalismo (seja lá o que isso for neste caso especifico) após mais de trinta e cinco anos de carreira. O que eu esperava sim eram malhas que se distinguissem o que não abunda em ‘Not Your Kingdom’. Com as honrosas exceções de ‘Stab Wounds’ e ‘Family First’ o álbum é composto maioritariamente por temas completamente básicos e vulgares, rápidos e curtos é verdade mas sempre a resvalarem para um Punk simplista e retrogrado reduzindo e de que maneira o espaço para os riffs carregados de Groove que os Madball tão bem sabem debitar. Concluo que ‘Not Your Kingdom’ não é de todo o álbum que se previa especialmente tento em conta a expectativa criada pelo anormal hiato de tempo e sobretudo pela inequívoca qualidade da banda.

6/10