quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Rental Family (2025)

Ainda se recordam de ‘Lost in Translation’ (2003)? um filme que a meu ver foi sobrevalorizado talvez porque a realizadora partilha o sobrenome Coppola. Passado em Tóquio, ‘Lost in Translation’ é um drama que aborda temas como a conexão entre estranhos e a solidão, pois bem que se deliciou com o ambiente de ‘Lost in Translation’ certamente não vai ficar desiludido com ‘Rental Family’. Apesar das naturais diferenças no argumento as semelhanças de contexto e dos temas abordados são por demais evidentes. ‘Rental Family’ centra-se na experiência de Phillip Vanderploeg/Brendan Fraser em Tóquio, ele que é uma espécie de actor fracassado com uma vida marcada pela solidão, todavia ele recebe uma estranha mas apelativa proposta de emprego que consiste em interpretar papéis na vida de pessoas reais. Com alguma relutância Phillip aceita o desafio contudo tudo muda quando as emoções extravasam os personagens que ele vai interpretando e se tornam reais. Apesar do ritmo lento ‘Rental Family’ acaba por ser um filme apelativo que confronta o espectador com dilemas reais que refletem a actualidade tais como a solidão, a ética e a genuinidade dos sentimentos. Destaque também para a assertiva prestação de Brendan Fraser, ele que tem aproveitado e de que maneira este seu regresso à ribalta depois da incrível performance em ‘The Whale’. 

6.5/10 

domingo, 27 de setembro de 2026

Masters of the Universe (2026)

Quando falamos de cinema actual parece que o “menu” apenas nos reserva duas opções sendo que uma terceira é uma raridade, as duas possibilidades variam apenas entre reboot’s ou sequelas. Inspirado na nostálgica série de animação ‘He-Man and the Masters of the Universe’ (1983), ‘Masters of the Universe’ é um reboot do filme com o mesmo nome de 1987 na altura com Dolph Lundgren como protagonista. A história de ‘Masters of the Universe’ é simples e por demais conhecida. O jovem príncipe Adam herdeiro de Eternia consegue fugir para a Terra quando o seu reino é atacado pelo vil Skeletor, ora quinze anos mais tarde um Adam já adulto regressa a Eternia com a espada do poder para se vingar de Skeletor e libertar Eternia deste temível tirano. No que ao enredo diz respeito os filmes são muito similares embora na versão de 1987 a acção decorra quase sempre na Terra enquanto o ultimo terço do remake passa-se em Eternia todavia é na concepção que estão as principais diferenças. Se na versão de 1987 existe uma louvável tentativa de tornar o filme maduro e sóbrio, uma espécie da afastamento da infantilidade própria da animação que lhe deu origem já na variante de 2026 o publico alvo do filme aparentemente são os menores de doze anos tal não é a agregação de dinâmicas de acção pautadas por cores berrantes sempre num tom divertido e uma absurda ausência de dramatismo. Segundo o próprio realizador (Travis Knight), ‘Masters of the Universe’ não é um filme para se levar demasiado a sério e quem encarou isso de forma literal foi o protagonista Nicholas Galitzine na pele de Adam/He-Man, nem por um minuto o espetador consegue levar a sua interpretação a sério, uma total ausência de carisma. Apesar de cumprir os requisitos mínimos de um filme (apenas) de entretenimento eu diria que ‘Masters of the Universe’ poderia e deveria ter sido concebido no formato de filme de animação, contudo nos tempos que correm a têndencia parece ser a produção de filmes de animação para adultos e filmes de live-action para crianças.

5.5/10 

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

The Devil Wears Prada 2 (2026)

E entretanto passaram 20 anos desde ‘The Devil Wears Prada’, nada faria prever uma sequela não só porque passaram duas décadas mas também porque o final do filme não oferece essa abertura contudo já sabemos que em Hollywood nenhuma história está definitivamente encerrada e aí temos ‘The Devil Wears Prada 2’. Uma distância temporal desta grandeza não é necessariamente um factor decisivo para o filme não resultar apesar de vários exemplos que vão nesse sentido ‘Trainspotting 2’ é um caso que demonstra o contrario. O realizador David Frankel e os argumentistas Aline Brosh McKenna e Lauren Weisberger voltam a reunir-se para tentar replicar o sucesso do primeiro filme e de facto em termos de ambiente e até dinâmica entre os personagens é fácil reconhecer equivalências entre os dois filmes, mais uma vez um “retrato” cheio de glamour do mundo da moda Nova-iorquino com destaque para a excelência do design de produção e o vestuário elegante. O grande defeito de ‘The Devil Wears Prada 2’ prede-se precisamente com o seu argumento, uma verdadeira trapalhada, aliás, o argumento tenta agregar tanta coisa no mesmo filme que nem me atrevo a tentar explica-lo aqui. Uma salada de histórias paralelas e personagens que pouco mais fazem do que estorvar o natural desenrolar do filme. Desde logo uma excessiva inclusão de temáticas abordadas pelo filme (o declínio da impressa escrita e o “bullying” no local de trabalho), penso que a escolha de apenas uma delas teria sido muito mais produtivo. Vou destacar as boas prestações de Anne Hathaway/Andy e Stanley Tucci/Nigel (parece talhado para este tipo de papéis) enquanto a consagrada Meryl Streep parece um pouco perdida nesta nova reencarnação de Miranda Priestly certamente uns furos abaixo da fabulosa interpretação da mesma personagem em ‘The Devil Wears Prada’.

6.5/10 

terça-feira, 22 de setembro de 2026

Mortal Kombat II (2026)

Cinco anos depois de ‘Mortal Kombat’ o prometido regresso do franchise com ‘Mortal Kombat II’. Se ‘Mortal Kombat’ foi para mim uma verdadeira decepção o resultado é que as expectativas para uma possível sequela estariam sempre em mínimos, tendo isso é conta ‘Mortal Kombat II’ até consegue superar o seu antecessor mas não de forma significativa. Desta vez o argumento do filme está muito mais consentâneo com o do icónico videojogo que lhe deu origem. A história do filme começa precisamente com a morte do pai de Kitana às mãos de Shao Khan no famoso torneio entre reinos, como consequência Kitana é “adoptada” pelo vil Khan e treinada por Jade desde tenra idade embora vá cultivando em segredo o seu desejo de vingança. Um par de décadas depois o torneio volta a ter um especial simbolismo pois é a derradeira hipótese do reino da terra não cair nas mãos do tirano Shao Khan contado para isso com os “eleitos” Sonya Blade, Liu Kang, Cole Young, Jax Briggs e Johnny Cage interpretado pelo emblemático Karl Urban (a grande adição ao elenco). Se em termos de acção e entretenimento ‘Mortal Kombat II’ cumpre os objectivos traçados onde o filme acaba por desiludir é na sua credibilidade e sagacidade. Efeitos visuais de qualidade duvidosa, a falta de profundidade dos personagens e uma ridícula duplicidade entre humor medíocre e gore desmedido atiram ‘Mortal Kombat II’ para o domínio de filme de adolescente retirando ao espectador o a possibilidade de envolvimento emocional com qualquer dos personagens. Fica a sensação que ‘Mortal Kombat II’ cumpre os propósitos mínimos para o qual foi projectado mas que com outra visão poderia ambicionar a algo mais. 

5.5/10 


domingo, 20 de setembro de 2026

Disclosure Day (2026)

Era por demais evidente que a carreira do lendário Steven Spielberg já tinha começado a sua espiral descendente contudo ‘Disclosure Day’ marca em definitivo o ponto de não retorno. O homem que arquitetou as bases do cinema moderno volta a um dos seus focos de interesse...os extraterrestres, todavia desta feita de uma forma completamente despautéria. A história de ‘Disclosure Day’ centra-se em dois estranhos, Margaret Fairchild/Emily Blunt e Dr. Daniel Kellner/Josh O'Connor (ele que foi o protagonista de ‘Wake Up Dead Man: A Knives Out Mystery’), que por alguma razão que nunca é integralmente explicada, sentem uma conexão. Margaret é uma pivô de uma estação local de noticias enquanto Daniel é o que vulgarmente designamos como “nerd”. Depois de trabalhar numa importante empresa governamental Daniel ficou na posse de provas irrefutáveis da existência de extraterrestres e tem como objetivo torna-las publicas. Enquanto Daniel e a sua namorada Jane são incessantemente perseguidos por uma unidade militar secreta liderada por Noah Scanlon, Margaret passa por um bizarro episódio em que começa a falar uma língua aparentemente alienígena em plena apresentação do noticiário. Uma história por demais reciclada (usada até à exaustão nas várias temporadas da série ‘X-Files’), que se vai desenrolando por entre péssimas sequências de acção sem o mínimo de credibilidade ou de lógica onde o factor conveniência impera a seu belo prazer. De realçar também a aberrante escolha de Colin Firth para o papel do “vilão” Noah Scanlon, um actor de excelência que se vê completamente fora de pé. Em jeito de conclusão ‘Disclosure Day’ é um filme que põe todas as fichas no foco emocional mas sem a credibilidade e a coerência necessária para o sustentar.

 5.5/10

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Obsession (2026)

Foi claramente o filme da “moda” deste verão, falo do Thriller psicológico ‘Obsession’. A história de ‘Obsession’ é bastante simples e centra-se na dupla Baron Bailey/Michael Johnston e a sua colega de trabalho Nikki Freeman/Inde Navarrette, perdidamente apaixonado por Nikki Baron não consegue ultrapassar a sua timidez para lhe confessar os seus sentimentos, contudo ele arranja um subterfúgio para resolver o seu dilema, numa loja de produtos esotéricos ele compra um “salgueiro de um desejo” que consiste num pequeno pequeno ramo de salgueiro que concede um desejo quando é partido. Para seu espanto o desejo concretiza-se e Nikki fica obcecadamente apaixonada por ele, todavia como todos os desejos o mesmo vem com um senão, não é literalmente Nikki que está apaixonada por Baron mas uma espécie de entidade mística que a força a esta doentia relação. ‘Obsession’ teve uma recepção incrível por parte do publico e da critica, muito se elogiaram as metáforas do filme acerca de relações tóxicas e possessivas ainda que a minha opinião vá claramente no sentido oposto. A meu ver ‘Obsession’ não confirma o hype criado à sua volta, eu diria que até está muito longe de o fazer, desde logo a premissa do filme é básica e altamente conveniente, para além de já ter sido usada inúmeras vezes e quanto às metáforas acerca de relacionamentos são uma extrapolação também ela conveniente do filme, são válidas mas também podem muito bem não ser. Temos ainda a recorrente influência woke que mais uma vez tenta transformar a figura masculina do filme numa espécie de “vilão”, começa a ser uma tendência bastante cansativa. ‘Obsession’ é na minha opinião uma espécie de ‘The Substance’ de 2026, um filme que gerou um hype inacreditável mas quando o desconstruimos não passa de um filme banal e altamente previsível, um bom espécime da mediocridade do cinema actual.

6/10 

terça-feira, 15 de setembro de 2026

In The Grey (2026)

2026 fica também marcado pelo regresso de Guy Ritchie aos filmes, ele que ultimamente tem apostado num tipo de filmes mais “lineares” e sem o humor negro dissimulado que marcou o inicio da sua carreira. A história de ‘In The Grey’ centra-se no trio Rachel/Eiza González (‘3 Body Problem’), Sid/Henry Cavill e Bronco/Jake Gyllenhaal, os três são a cara num grupo de operativos de elite especialista em cobranças difíceis ou mesmo no limiar do impossível. O nosso trio tem como missão recuperar uma divida de um bilião de dólares feito pelo autocrático criminoso Manny Salazar a uma empresa de gestão de ativos chamada Spencer Goldstein, todavia esta missão vai-se tornando cada vez mais desafiante devido à obstinação de Salazar. ‘In The Grey’ propõe-nos uma história interessante mesmo considerando o défice de originalidade e sequências de acção equilibras e sem exageros. Também a dinâmica entre os três principais actores funciona consideravelmente bem ainda que não exista grande profundidade nas personagens. Guy Ritchie recorre frequentemente a actores com quem já trabalhou, ele que parece deter uma espécie de shortlist de actores da sua confiança e isso volta a verificar-se em ‘In The Grey’. O ponto negativo a apontar ao filme é de facto o excesso de descrições dos planos feitos pela equipa, ‘In The Grey’ nem sequer é um filme muito longo mas estas extensas explicações quase obsessivas com o detalhe nada alteram ao enredo do filme e chegam a torna-se entediantes.

7/10

[Trailer]