terça-feira, 12 de maio de 2026

One Battle After Another (2025)

Quatro anos depois de ‘Licorice Pizza’ o aclamado realizador Paul Thomas Anderson regressou com ‘One Battle After Another’, um filme que foi de forma geral muito bem recebido pela critica adquirindo mesmo o estatuto de um dos melhores filmes de 2025. E se ‘Licorice Pizza’ peca essencialmente pela falta de acção assente num argumento pouco impactante desta vez Paul Thomas Anderson inverteu por completo o tabuleiro. ‘One Battle After Another’ começa com uma operação do grupo de extrema esquerda French 75 onde se destacam os protagonistas Perfidia Beverly Hills/Teyana Taylor e Pat Calhoun/Leonardo DiCaprio, essa actividade consiste na libertação e ajuda a emigrantes ilegais que tentam entrar em solo Norte-Americano. Pouco tempo depois Perfidia é apanhada em flagrante a armadilhar uma bomba pelo incansável Coronel Steven J. Lockjaw/Sean Penn (um militar que apesar da sua obsessão em erradicar o grupo revolucionário French 75 não consegue conter uma inexplicável atração por Perfidia) que exige ter sexo com ela como moeda de troca para a sua libertação. Entretanto Pat e Perfidia tornam-se numa família com o nascimento de Charlene/Chase Infiniti, todavia a vida como casal têm um final abrupto pois Perfidia insiste em continuar as suas actividades no grupo French 75 enquanto Pat acha que ambos devem assentar e focar-se na educação de Charlene. A decisão de Perfidia em abandona-los veio a revelar-se péssima pois ela é novamente apanhada pelas forças policiais e desta vez obrigada a revelar os nomes e localizações do French 75. Graças às denuncias de Perfidia Lockjaw desmantela o infame grupo mas não se fica por aí pois 16 anos mais tarde ele consegue rastrear o paradeiro de Pat e Charlene (agora escondidos na pequena cidade de Baktan Cross) e prossegue a sua missão convencido que existe a possibilidade de Charlene ser sua filha. Com um argumento bem delineado e um ritmo intenso e quase sempre frenético ‘One Battle After Another’ é sem duvida um filme que entusiasma e “agarra” o espectador contribuindo também para isso uma generosa dose de boas interpretações onde tenho de destacar de forma particular a de Sean Penn, um papel verdadeiramente arrebatador. Uma ultima nota para a habitual excelência na arte da realização de Paul Thomas Anderson com o óbvio destaque para a parte final do filme.

 7.5/10

[Trailer] 

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Bugonia (2025)

Dois anos após o sucesso de ‘Poor Things’ a parceria entre o extravagante realizador Yorgos Lanthimos e Emma Stone volta a estar em evidência em ‘Bugonia’. Em comparação com ‘Poor Things’ a história de ‘Bugonia’ situa-se também ela no território da bizarria. Vivendo com o seu influenciável e ingénuo primo (Don/Aidan Delbis) numa casa relativamente isolada da sociedade Teddy Gatz/Jesse Plemons é um fiel adepto das mais absurdas teorias da conspiração entre elas particularmente uma em que ele acredita de forma incontestável de que vivem extraterrestres entre nós, norteado por essa inabalável fé ele resolve agir e raptar a CEO da Auxolith Biomedical Michelle Fuller/Emma Stone e aprisiona-la na cave da sua casa até ela confessar que é de facto uma extraterrestre disfarçada de humana. Se o argumento de ‘Bugonia não parece à partida capaz de cativar os espectadores mais exigentes na verdade a formidável interpretação de de Plemons só por si catapulta o nível do filme para um outro patamar. ‘Bugonia’ contem não só uma interessante e marcante perspectiva sobre as teorias da conspiração, seus respectivos fanáticos e como elas se constroem e florescem na actualidade mas também uma eficaz e pertinente critica ao corporativismo e às cada vez mais vincadas desigualdades entre classes sociais. ‘Bugonia’ é em suma um filme surpreendente e impactante que vale sobretudo pela riqueza do seu conteúdo.

7.5/10

[Trailer] 

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Wake Up Dead Man: A Knives Out Mystery (2025)

Três anos depois de ‘Glass Onion: A Knives Out Mystery’ o franchise ‘Knives Out’ está de regresso com o terceiro capitulo ‘Wake Up Dead Man: A Knives Out Mystery’. O factor que mais se evidencia logo à partida é o ambiente radicalmente oposto ao seu antecessor, a atmosfera veraneante de ‘Glass Onion: A Knives Out Mystery’ é desta feita drasticamente substituída pelo clima cinzento, soturno e severo dos subúrbios de Londres. Também o conteúdo do filme se revela significativamente diferente de ‘Glass Onion: A Knives Out Mystery’ pois a toada de humor negro dá agora a vez a um tom dramático e austero com um forte pendor religioso. Em ‘Wake Up Dead Man: A Knives Out Mystery’ o já nosso conhecido detective Benoit Blanc/Daniel Craig é convocado para resolver o possível assassinato do monsenhor Jefferson Wicks/Josh Brolin (o fanático e tendencioso pároco da paroquia ‘Our Lady of Perpetual Fortitude’, um assassinato? Que até tem contornos de ressurreição e que acontece pouco tempo depois da transferência do jovem padre Jud Duplenticy/Josh O’Connor para esta igreja (o óbvio suspeito principal). Se considerar-mos que o nível de qualidade de ‘Glass Onion: A Knives Out Mystery’ esta consideravelmente abaixo de ‘Knives Out’ podemos considerar que ‘Wake Up Dead Man: A Knives Out Mystery’ se situa algures entre os dois ainda que mais perto do nível qualitativo do primeiro filme da franquia. Se o argumento tem de facto um importante contributo no resultado final de um filme penso que neste caso o factor que mais pesou é mesmo o fantástico elenco que conta, para além dos nomes já referidos, com as participações de Jeffrey WrightAndrew ScottJeremy Renner, Mila Kunis e Glenn Close, todos eles com interpretações bastantes contundentes ainda que a de Josh Brolin atinja um patamar de excelência acima de qualquer outro.

7.5/10

[Sample] 

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Angine de Poitrine - Vol. II (2026)

Subimos ligeiramente no continente Americano e vamos até ao Canadá. Dizer que eles são um fenómeno da Internet é um eufemismo, falo como já adivinharam do bizarro duo oriundo do Quebec Angine de Poitrine. Este duo composto por Khn e Klek tem de facto dado que falar, desde logo a sua imagem excêntrica pois ambos os músicos vestem-se como uma espécie de teletubies monocromáticos todavia as extravagâncias não se ficam por aí pois o mais estranho de tudo são as suas composições musicais. Lançado dia 3 deste mês o segundo álbum da banda apropriadamente intitulado ‘Vol. 2’ confirma e reforça a qualidade apresenta pelos Angine de Poitrine na sua estreia. As sonoridades da banda proveem duma bateria e num instrumento híbrido que é simultaneamente uma guitarra e um baixo mas as particularidades desse instrumento não terminam aí pois a escala usada também não é a concecional mas sim uma escala micro-tonal. Composto por temas quase exclusivamente instrumentais as sonoridades dos Angine de Poitrine podem talvez ser incluídas no espectro no Math Rock Experimental ainda que seja bem possível que mais nenhuma banda deste subgénero soe remotamente similar. ‘Vol 2’ também se evidencia pelo inesperado Groove que os Angine de Poitrine conseguem incorporar em temas com uma complexidade técnica bastaste desafiante. Destaco as faixas ‘Sarniezz’, ‘Yor Zarad’ e de forma muito singular ‘Fabienk’, o tema que quase por si só foi responsável pela meteórica ascensão dos Angine de Poitrine à categoria de banda de culto .

8/10 

[Sample] 

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Dawn Of Ashes - Anatomy Of Suffering (2026)

Terminamos (momentaneamente) este verdadeiro périplo pelos Estados Unidos com o décimo segundo álbum dos Dawn Of Ashes intitulado ‘Anatomy Of Suffering’. Depois da trilogia conceptual ‘Scars’ (‘Scars Of The Broken’, ‘Reopening The Scars’ e ‘Infecting The Scars’) num curto período de 3 anos seria porventura sensato haver um hiato de descompressão até um novo álbum contudo os Dawn Of Ashes decidiram (de forma algo precipitada diria eu) “voltar à carga” apenas um ano depois. Apesar de ‘Anatomy Of Suffering’ ser orientado pelas sonoridades que mais sucesso trouxeram à banda (Aggrotech e Industrial EBM), acaba por ser notória uma generalizada falta de inspiração aliada a uma saturação das composições que nem a meritória tentativa de adicionar uma vertente mais atmosférica consegue disfarçar. Nem as participações de Unter Null em ‘Autopsy of A Spirit’, Void Stasis e BlakMoth em ‘Autolysis’e dos lendários Suicide Commando em ‘Penumbra’ conseguem oferecer o efeito revigorante que os Dawn Of Ashes por certo ambicionavam. Destaco os temas ‘The Altar Of Sunken Wounds’, ‘Viral Decay’ e o já referido ‘Autopsy of A Spirit’ como os mais consistentes de ‘Anatomy Of Suffering’, um álbum que claramente sofre do sindrome da prematuridade e que a meu ver precisava nitidamente de mais tempo de “fermentação”. 

6.5/10 

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Neurosis - An Undying Love for a Burning World (2026)

Permanecemos em território dos “States” para falar de uma banda que para além das várias reviews é bastante referenciada aqui no blog. Dizer que este regresso é inesperado é um eufemismo, eu arriscaria dizer que é literalmente a surpresa da década (até porque passaram exatamente dez anos desde o seu ultimo álbum), refiro-me aos carismáticos Neurosis a propósito do seu mais recente trabalho ‘An Undying Love for a Burning World’. Sem qualquer tipo de aviso prévio os Neurosis anunciam no mesmo dia o lançamento de ‘An Undying Love for a Burning World’ e em simultâneo a adição de Aaron Bradford Turner como o seu novo guitarrista em substituição de de Scott Kelly, quando no seio dos seus fãs até já corria o rumor que os Neurosis nunca mais iriam lançar um álbum de originais. ‘An Undying Love for a Burning World’ soa mais do que qualquer outra coisa a... Neurosis, e não, isto não é uma afirmação simplesmente redundante, é que os Neurosis são uma das mais influentes bandas de Metal das ultimas três décadas, aliás são inúmeras as bandas que desde então têm várias similaridades com o quinteto Norte-Americano ou não fossem eles os pioneiros do Atmospheric Sludge Metal que viria pouco depois a derivar no Post-Metal. A grande conclusão a tirar de ‘An Undying Love for a Burning World’ é que a banda conseguia ser bastante abrangente nas composições, eu diria que com a excepção dos seus dois primeiros álbuns todo o resto da sua carreira está refletido no álbum. Um equilíbrio gerido de forma cirúrgica entre o peso gravitacional e claustrofóbico e a harmonia atmosférica que os Neurosis se foram aprimorando fazem de ‘An Undying Love for a Burning World’ um regresso em grande confirmando uma qualidade inerente muito para além do simples efeito surpresa.

8/10

[Sample] 

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Black Label Society - Engines of Demolition (2026)

Continuamos em solo Norte-Americano desta vez para falar de um regresso que tem tanto de importante como de inevitável, falo de Zakk Wylde e dos seus Black Label Society. ‘Engines of Demolition’, o álbum numero doze dos Black Label Society reúne a meu ver todos os requisitos para ser o melhor dos últimos 15 anos da banda, de facto desde o fantástico ‘Order Of The Black’ que o quarteto liderado por Zakk Wylde não “fabricava” um álbum tão bem conseguido. Como seria de esperar ‘Engines of Demolition’ não tem qualquer tipo de experimentalismos, aliás as sonoridades dos Black Label Society já estão tão consolidadas que poderiam ser patenteadas, o Southern Heavy Metal quase saturado de Groove é como é habitual...inconfundível. Talvez tenha sido o desaparecimento do seu eterno amigo Ozzy Osbourne que lhe tenha feito chegar uma inspiração extra mas a verdade é que ‘Engines of Demolition’ está repleto de malhas formidáveis que até fazem lembrar tempos mais áureos da banda, ao soberbo single ‘Name In Blood’ podemos muito bem juntar ‘Broken And Blind’, ‘The Gallows’ ou a sensacional ‘Lord Humungus’. Como não poderia deixar de ser ‘Engines of Demolition’ encerra com o tema ‘Ozzy's Song’, como o próprio nome indica a homenagem natural e merecida para a pessoa mais importante e influente na carreira de Zakk Wylde. ‘Engines of Demolition’ brinda-nos com um Zakk Wylde novamente num auge criativo a mostrar que mais do que o virtuosismo ainda tem um bom punhado de composições na “manga”. 

7.5/10

[Sample]