Os meses de Fevereiro e Março foram especialmente abundantes em termos de propostas musicais e temos de começar por alguma, desta feita a análise vai ser ao sétimo álbum de originais dos Noruegueses Mayhem, ‘Liturgy of Death’. Os Mayhem são provavelmente a banda mais lendária de Black Metal de sempre e o seu legado fala por si todavia eles não têm limitado a gerir os dividendos desse mesmo legado não porque ainda tenham algo a provar mas sim porque ainda têm muito conteúdo para oferecer. Sete anos depois de ‘Deamom’ e com o EP ‘Atavistic Black Disorder/Kommando’ pelo meio o infame quinteto está de regresso com ‘Liturgy of Death’, não será porventura um chamado “game changer” contudo não deixa de ser um excelente álbum. Muitos dos seus pares foram divergindo por entre múltiplas evoluções tais como, Folk, Progressivo, Post-Black Metal e Avantgarde Black Metal, os Mayhem todavia continuam fiéis ao seu “tradicional” Black Metal negro, intenso, demoníaco e orgânico, é verdade que podem sempre ser acusados do “fantasma” da repetibilidade ainda que essa acusação esteja longe de ser justa. ‘Liturgy of Death’ contem de facto um disfarçado mas intencional regresso aos tempos do icónico ‘De Mysteriis Dom Sathanas‘ latente por exemplo no uso de vocalizações “limpas” por parte de Attila Csihar ainda que com sonoridades que substituíram o cru e a produção pseudo-amadora por uma intocável qualidade sonora. O que aparentemente nunca muda é a eximia execução técnica dos Mayhem comprovada de forma impactante em temas como ‘Aeon’s End’, ‘The Sentence Of Absolution’ ou a magnifica ‘Propitious Death’, uma verdadeira exaltação à distinta perícia de Jan Axel Blomberg (A.K.A. Hellhammer). Uma ultima nota para a participação de Kristoffer "Garm" Rygg dos seus conterrâneos Ulver no tema ‘Ephemeral Eternity’. Muito mais do que viver do legado ‘Liturgy of Death’ é mais uma prova de que os Mayhem continuam a ser uma das melhores bandas no espectro do Black Metal.
8/10






