terça-feira, 20 de outubro de 2026

Dorohedoro - Season 1 (2020), Season 2 (2026)

Avançamos para o domínio do anime para falar de ‘Dorohedoro’. Baseada no mangá com o mesmo nome criado por Q Hayashida a série de anime com a chancela do estúdio MAPPA é uma verdadeira obra prima do anime contemporâneo. A história de ‘Dorohedoro’ tem uma complexidade tal que seria praticamente impossível tentar disseca-la num post de tamanho reduzido ou pelo menos fazê-lo sem o encher de “spoilers” assim sendo vamo-nos centrar nos seus contextos e nos seus principais personagens sendo ponto assente que a narrativa da série é incrível quer em termos de genuinidade como de criatividade. A acção de ‘Dorohedoro’ ocorre em três realidades distintas; o buraco (hole), uma dimensão caracterizada pelo seu ambiente industrial decadente, suja e proscrita, onde vivem a os humanos “banais”; a dimensão dos feiticeiros, um mundo de abundância onde vigora uma política de leis inflexíveis e a moeda corrente é o valioso pó preto gerado pelos feiticeiros; e o inferno (hell), a dimensão onde vivem os demónios, seres que apesar de serem moralmente neutros criam as regras superiores e que se divertem com a anarquia das outras dimensões. No buraco vivem os dois principais protagonistas de ‘Dorohedoro’; Caiman, um homem com cabeça de lagarto que vive com amnésia e que procura descobrir que feiticeiro lhe fez o feitiço que transformou a sua cabeça, para tal ele tem que enfiar na totalidade a cabeça de alguém na sua boca para que o homem que “vive” na sua garganta o confirme; e Nikaido, a sua grande amiga e companheira dona de um restaurante de gyozas (a comida preferida de Caiman). No espectro oposto temos En e sua trupe (Shin, Noi, Ebisu e Fujita) todos vivem no mundo da feitiçaria mundo esse liderado por En (o mestre dos cogumelos). Para além de um enredo super intrincado e interessante ‘Dorohedoro’ também tem um ecossistema bastante característico onde podemos destacar a incomum fixação com cozinhados, a violência gráfica por vezes grotesca, personagens muito carismáticos, o humor leve e “nonsense” e uma difusa e errática distinção entre o bem e o mal. Depois de uma primeira temporada formidável que deixou as expectativas em grande tivemos de aguardar seis anos até à Season 2 (aparentemente devido às prioridades do estúdio), mas posso dizer que valeu a pena a espera. Uma ultima nota para a simultaneamente bizarra e cativante banda sonora de ‘Dorohedoro’ que até teve uma espécie de “upgrade” nesta segunda temporada. 

8/10

[Trailer 1][Trailer 2]  

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Rick And Morty - Season 9 (2026)

Carregamos ainda mais fundo no “acelerador” das animações com a análise à nona temporada de ‘Rick And Morty’. Começa a ser cada vez mais difícil analisar uma nova temporada de ‘Rick And Morty’ sem me tornar repetitivo. Na verdade quase nada mudou desde a Season8, aliás a decadência da outrora série de referencia da Adult Swim é arrastada e progressiva mas cada vez mais notória, com a honrosas excepções dos episódios 7 e 10 todo o resto da série resvala para a mediocridade. Por entre tédio e saturação os episódios vão-se sucedendo sem uma miragem de algo verdadeiramente surpreendente, já o referi várias vezes, a fórmula de ‘Rick And Morty’ está cada vez mais esgotada e os produtores não conseguem incutir um qualquer novo factor que crie um mínimo de imprevisibilidade ou entusiasmo. Se ‘Rick And Morty’ já foi o padrão no que diz respeito à criatividade neste momento é uma ‘fonte’ praticamente seca. É uma noticia oficial que a Adult Swim renovou o contracto da série até à temporada 12 temo portando uma “morte” lenta e agudizante de ‘Rick And Morty’.

6/10 

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

X-Men '97 - Season 2 (2026)

Continuamos no domínio da animação para analisar também uma segunda temporada desta feita da série ‘X-Men '97’. Não há outra forma de dizer isto, a Season 2 de ‘X-Men '97’ a par com os dois filmes (também eles de animação) ‘Spider-Man: Into the Spider-Verse’ e ‘Spider-Man: Across the Spider-Verse’ são do melhor que já saiu dos estúdios Marvel, eu diria aliás que esta segunda temporada de ‘X-Men '97’ envergonha praticamente todos os filmes com a chancela MCU para além de comprovar que é possível respeitar o fio condutor de uma banda desenhada até numa história com o nível de complexidade como a dos X-Men. Nesta Season 2 o enredo separa-se em três linhas temporais, o Egito Antigo (3000 a.C.) onde Professor X, Nightcrawler, Rogue, Beast e Magneto vão testemunhar a ascensão de En Sabah Nur a Apocalipse. O futuro (3960 d.C.) onde Cyclops e Jean Grey se encontram com o seu filho (agora adulto) Nathan Summers e são resgatados por Forge e Storm. E o presente onde os poucos restantes X-Men veem surgir duas novas equipas de mutantes, X-Force (liderada por Cable) e X-Factor (uma grupo de mutantes ao serviço do governo Norte-americano). Magistral o desenlace de uma narrativa altamente intrincada e bastante difícil de conciliar numa história com várias camadas onde apesar do enfoque estar na acção o factor emocional é sempre tido em conta. Uma ultima nota para o formidável desenvolvimento de todas as personagens mesmo considerado que existe um óbvio destaque para as mais importantes todas têm o seu merecido momento de visibilidade. 

8.5/10 

[Trailer] 

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Devil May Cry - Season 2 (2026)

Foi no passado mês de Maio que voltámos a por os olhos no destemido Dante na segunda temporada de ‘Devil May Cry’ a série que definitivamente pegou de estaca na plataforma Netflix, eu diria que depois de ‘Castlevania’ é a série de animação de cartaz deste gigante do streaming. Apesar de manter as principais referencias do franchise de videojogos a história desta Season 2 acaba por divergir muito mais do lore desses mesmos videojogos. Desta feita o foco principal é a eterna rivalidade entre os dois irmãos (Dante e Vergil) todavia o universo de ‘Devil May Cry’ abre-se de forma quase exponencial, ficamos com a sensação que a primeira temporada acaba por ser um simples aperitivo. Outro destaque desta Season 2 são os novos e imponentes personagens tais como Mundus (soberano do inferno), o feiticeiro multimilionário Arius (líder da opaca e misteriosa corporação Uroboros) e Argosax (poderoso demónio que governava o inferno antes de Mundus). Tenho também de referir que esta segunda temporada mantém dois factores chave para a manutenção de qualidade apresentada na Season 1, desde logos as fantásticas, alucinantes e entusiasmantes sequencias de acção mas também as interessantes e aliciantes interligações entre a história presente e o passado, não só de Dante e Vergil assim como de Lady. Muita curiosidade para o que se vai desenrolar numa ainda não confirmada terceira temporada.

8.5/10 

[Trailer] 

domingo, 4 de outubro de 2026

Invincible - Season 4 (2026)

Voltamos às séries mais concretamente às séries de animação para falarmos da temporada 4 de ‘Invincible’, a série que que nos têm habituado a deixar com água na boca a cada final de temporada. Nesta Season 4 ‘Invincible’ sobe claramente a parada, não no que diz respeito à acção até porque isso seria impossível mas sim em termos de história. Na quarta temporada é clarificado todo o passado dos temíveis Viltrumitas num episódio todo ele narrado por Nolan Grayson/Omni-Man. Apesar de um começo lento a segunda metade desta Season 4 é verdadeiramente alucinante ou não contemplasse ela a chamada guerra Viltrumita. A recém formada coligação dos planetas composta por uma aliança entre Mark, Nolan/Omni-Man, Thaedus, Allen (o Alien) e Oliver entre outros leva finalmente o conflito até ao planeta Viltrum, encontrando logo à chegada os remanescentes Viltrumitas liderados pelo invencível Grand Regent Thragg (Conquest comparado com Thragg parece um amador). Outra interessante vertente explorada nesta Season 4 são os dilemas morais de Mark Grayson/Invincible, ele que vai sendo cada vez mais levado ao limite vive com o pânico constante de se “tranformar” no seu pai Nolan. Uma ultima nota para a continuidade da violência extrema e visceral mas cada vez com mais consequências para os personagens.

8.5/10

[Trailer]  

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Rental Family (2025)

Ainda se recordam de ‘Lost in Translation’ (2003)? um filme que a meu ver foi sobrevalorizado talvez porque a realizadora partilha o sobrenome Coppola. Passado em Tóquio, ‘Lost in Translation’ é um drama que aborda temas como a conexão entre estranhos e a solidão, pois bem que se deliciou com o ambiente de ‘Lost in Translation’ certamente não vai ficar desiludido com ‘Rental Family’. Apesar das naturais diferenças no argumento as semelhanças de contexto e dos temas abordados são por demais evidentes. ‘Rental Family’ centra-se na experiência de Phillip Vanderploeg/Brendan Fraser em Tóquio, ele que é uma espécie de actor fracassado com uma vida marcada pela solidão, todavia ele recebe uma estranha mas apelativa proposta de emprego que consiste em interpretar papéis na vida de pessoas reais. Com alguma relutância Phillip aceita o desafio contudo tudo muda quando as emoções extravasam os personagens que ele vai interpretando e se tornam reais. Apesar do ritmo lento ‘Rental Family’ acaba por ser um filme apelativo que confronta o espectador com dilemas reais que refletem a actualidade tais como a solidão, a ética e a genuinidade dos sentimentos. Destaque também para a assertiva prestação de Brendan Fraser, ele que tem aproveitado e de que maneira este seu regresso à ribalta depois da incrível performance em ‘The Whale’. 

6.5/10 

domingo, 27 de setembro de 2026

Masters of the Universe (2026)

Quando falamos de cinema actual parece que o “menu” apenas nos reserva duas opções sendo que uma terceira é uma raridade, as duas possibilidades variam apenas entre reboot’s ou sequelas. Inspirado na nostálgica série de animação ‘He-Man and the Masters of the Universe’ (1983), ‘Masters of the Universe’ é um reboot do filme com o mesmo nome de 1987 na altura com Dolph Lundgren como protagonista. A história de ‘Masters of the Universe’ é simples e por demais conhecida. O jovem príncipe Adam herdeiro de Eternia consegue fugir para a Terra quando o seu reino é atacado pelo vil Skeletor, ora quinze anos mais tarde um Adam já adulto regressa a Eternia com a espada do poder para se vingar de Skeletor e libertar Eternia deste temível tirano. No que ao enredo diz respeito os filmes são muito similares embora na versão de 1987 a acção decorra quase sempre na Terra enquanto o ultimo terço do remake passa-se em Eternia todavia é na concepção que estão as principais diferenças. Se na versão de 1987 existe uma louvável tentativa de tornar o filme maduro e sóbrio, uma espécie da afastamento da infantilidade própria da animação que lhe deu origem já na variante de 2026 o publico alvo do filme aparentemente são os menores de doze anos tal não é a agregação de dinâmicas de acção pautadas por cores berrantes sempre num tom divertido e uma absurda ausência de dramatismo. Segundo o próprio realizador (Travis Knight), ‘Masters of the Universe’ não é um filme para se levar demasiado a sério e quem encarou isso de forma literal foi o protagonista Nicholas Galitzine na pele de Adam/He-Man, nem por um minuto o espetador consegue levar a sua interpretação a sério, uma total ausência de carisma. Apesar de cumprir os requisitos mínimos de um filme (apenas) de entretenimento eu diria que ‘Masters of the Universe’ poderia e deveria ter sido concebido no formato de filme de animação, contudo nos tempos que correm a têndencia parece ser a produção de filmes de animação para adultos e filmes de live-action para crianças.

5.5/10