segunda-feira, 13 de abril de 2026

Rob Zombie - The Great Satan (2026)

Se estão à espera de um regresso bombástico pois bem a espera terminou, cinco anos depois Rob Zombie está de volta com o seu oitavo trabalho de originais ‘The Great Satan’. O anormalmente curto título do álbum pode ser considerado pretensioso todavia ainda que não seja “o grande Satanás” Rob Zombie já há muito tempo que cunhou para si próprio o rótulo de “rei do imaginário Hallowenesco”, tudo o que seja feitiçaria, monstros, extraterrestres, bruxas e anomalias em geral Rob Zombie tem adoptado com seus filhos se tratassem. ‘The Great Satan’ não é bom, mesmo considerado que não é fácil manter a imparcialidade, eu diria que é dificílimo não achar o álbum excelente. Depois de dois álbuns pouco entusiasmantes ‘The Great Satan’ atira Rob Zombie novamente para um nível que quase todos pensavam já não ser atingível, ainda que não supere a obra prima ‘Hellbilly Deluxe’ estará no mínimo ao nível de ‘The Sinister Urge’. E o que é que mudou? pois bem mudou o guitarrista, o retorno de Mike Riggs em subistituição de John 5 e o baxista Robert "Blasko" Nicholson em prol de Piggy D e de facto a diferença parece abismal. Riffs muito mais directos, intensos, rápidos e Industrializados fazem de temas como ‘F.T.W. 84’, ‘Tarantula’, ‘(I'm A) Rock "N" Roller’, ‘Heathen Days’, ‘Black Rat Coffin’ e ‘Punks And Demons’ faixas como há muito não se ouvia com o selo Rob Zombie. Não tenho duvidas que ‘The Great Satan’ vai ser um dos álbuns de referência de 2026 mas pode muito bem também acabar por ser o mote para uma espécie de um re-despertar do Metal/Rock Industrial Norte-Americano adormecido já há algum tempo a esta parte. 

8.5/10 

[Sample] 

domingo, 12 de abril de 2026

Clawfinger - Before We All Die (2026)

Outro regresso ainda que neste caso completamente inesperado foi o dos Suecos Clawfinger com o seu oitavo álbum de originais ‘Before We All Die’ 19 anos depois de ‘Life Will Kill You’. Foram considerados como uma das primeiras bandas a trilhar caminho no que viria mais tarde a ser designado como Nu Metal ainda que a maioria desses créditos tenham recaído sobre os Norte-americanos Korn, e tiveram de facto um promissor inicio de carreira que foi perdendo gás a partir de ‘A Whole Not Of Nothing’, na altura (2001) o seu quarto álbum de originais. Foi também nesta época que me fui desligando da banda contudo ‘Before We All Die’ despertou-me uma óbvia curiosidade. ‘Before We All Die’ está longe de ser o regresso bombástico que os Clawfinger talvez tivessem em mente, não porque o mundo não esteja claramente a precisar de bandas com critica social e política acutilante, o grande dilema de ‘Before We All Die’ não está aí mas sim na sua vertente instrumental. Apesar de das características principais da banda assentes num Metal Alternativo com uma generosa dose de distorção, riffs directos e potentes e as habituais vocalizações secas e lineares por vezes a derraparem para o rap de Zak Tell, continuarem bem vincadas o álbum carece de criatividade e qualidade na generalidade dos temas sendo que o primeiro single ‘Scum’ será a principal excepção. Tal como já tinha acontecido na altura com ‘A Whole Not Of Nothing’ também em ‘Before We All Die’ os restantes temas não estão sequer perto nível apresentado no single. Eu diria que não me parece que o regresso dos Clawfinger seja de todo despropositado e a janela para o mesmo talvez até tenha sido bem escolhida todavia com 19 anos de paragem os Clawfinger tinham de facto obrigação de apresentar um punhado de composições com outro nível de qualidade e impacto. 

6/10 

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Mayhem - Liturgy of Death (2026)

Os meses de Fevereiro e Março foram especialmente abundantes em termos de propostas musicais e temos de começar por alguma, desta feita a análise vai ser ao sétimo álbum de originais dos Noruegueses Mayhem,Liturgy of Death’. Os Mayhem são provavelmente a banda mais lendária de Black Metal de sempre e o seu legado fala por si todavia eles não têm limitado a gerir os dividendos desse mesmo legado não porque ainda tenham algo a provar mas sim porque ainda têm muito conteúdo para oferecer. Sete anos depois de ‘Deamom’ e com o EP Atavistic Black Disorder/Kommando pelo meio o infame quinteto está de regresso com ‘Liturgy of Death’, não será porventura um chamado “game changer” contudo não deixa de ser um excelente álbum. Muitos dos seus pares foram divergindo por entre múltiplas evoluções tais como, Folk, Progressivo, Post-Black Metal e Avantgarde Black Metal, os Mayhem todavia continuam fiéis ao seu “tradicional” Black Metal negro, intenso, demoníaco e orgânico, é verdade que podem sempre ser acusados do “fantasma” da repetibilidade ainda que essa acusação esteja longe de ser justa. ‘Liturgy of Death’ contem de facto um disfarçado mas intencional regresso aos tempos do icónico ‘De Mysteriis Dom Sathanaslatente por exemplo no uso de vocalizações “limpas” por parte de Attila Csihar ainda que com sonoridades que substituíram o cru e a produção pseudo-amadora por uma intocável qualidade sonora. O que aparentemente nunca muda é a eximia execução técnica dos Mayhem comprovada de forma impactante em temas como ‘Aeon’s End’, ‘The Sentence Of Absolutionou a magnifica ‘Propitious Death’, uma verdadeira exaltação à distinta perícia de Jan Axel Blomberg (A.K.A. Hellhammer). Uma ultima nota para a participação de Kristoffer "Garm" Rygg dos seus conterrâneos Ulver no tema ‘Ephemeral Eternity’. Muito mais do que viver do legado Liturgy of Death’ é mais uma prova de que os Mayhem continuam a ser uma das melhores bandas no espectro do Black Metal

8/10

[Sample] 

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Formula 1: Drive to Survive - Season 8 (2026)

Terminamos (para já) esta verdadeira epopeia de análises no âmbito das series com um habitue aqui do blog… a review da temporada 8 de ‘Formula 1: Drive to Survive’. Na verdade sendo uma espécie de série documental a qualidade de cada temporada de ‘Formula 1: Drive to Survive’ esta estreitamente relacionada com o nível de interesse da própria época da Fórmula 1 em questão todavia nesta Season 8 isso não foi assim tão linear pois numa época altamente fascinante a temporada de ‘Formula 1: Drive to Survive’ correspondente não reflete esse mesmo fascínio. Existem algumas razões práticas para este fenómeno ter acontecido, desde logo a redução de dois episódios nesta temporada em particular revelou-se um erro, erro esse que está intimamente ligado à discutível escolha de temáticas para os episódios, dando de barato seriam obrigatórios os episódios sobre Chris Horner, os rookies, a ascensão da Williams e a confirmação da Maclaren já não é assim tão explicável a falta de um episódio focado na Ferrari ou mesmo na estreia da Sauber. Ou seja com um número mais reduzido de episódios à partida a minha critica para esta Season 8 de ‘Formula 1: Drive to Survive’ vai precisamente para o discutível critério na escolha dos temas particularmente o episódio 7What Happens In Vegas’. Ainda assim ‘Formula 1: Drive to Survive’ consegue na generalidade replicar a emoção e o dramatismo que nos tem habituado ao longo de oito temporadas culminando numa prova final com três pilotos com hipótese de serem campeões. 

7/10 

[Trailer] 

terça-feira, 31 de março de 2026

Fallout - Season 2 (2025)

Para além de várias estreias 2025 ficou também marcado pela continuidade de algumas series, um desses casos é ‘Fallout’. Depois de uma Season 1 muito bem recebida a expectativa acerca da segunda temporada era naturalmente elevada, pois bem ‘Fallout’ não desiludiu. Segundo os entendidos do franchise de videojogos a história desta Season 2 tinha necessariamente de se centrar em New Vegas e foi precisamente isso que aconteceu. Tal como na Season 1 esta Season 2 acompanha as peregrinações dos nossos três protagonistas, por um lado temos Lucy MacLean e The Ghoul/Cooper Howard que agora caminham juntos apesar das suas personalidades estarem constantemente em conflito, contudo os seus objetivos continuam alinhados, e Maximus que continua a ganhar importância na Brotherhood of Steel ainda que mantenha um conflito interno pois não se sente alinhado com as ambições desta facção. Além de New Vegas a segunda temporada de ‘Fallout’ mostra-nos vários novos clãs deste mundo pós-apocalíptico sendo que os mais importantes serão a fragmentada Caesar's Legion que existe, como o próprio nome indica assente numa filosofia Romana retro-futurista, a Nova República da Califórnia/NCR um grupo militar obsoleto e bastante reduzido que está alheado de vários acontecimentos importantes, e o Enclave que basicamente é o que resta do extinto governo dos Estados Unidos. Outra vertente em que a Season 2 de ‘Fallout’ se especializou é em desvendar a sequência de acontecimentos que impulsionaram o mundo para o seu estado actual essencialmente através dos flashbacks de Cooper Howard. Estes flashbacks dão-nos também a conhecer um dos personagens mais importantes e interessantes de ‘Fallout’, Robert House/Justin Theroux um personagem que sobreviveu 200 anos graças a um sofisticado suporte de vida e que é agora uma espécie de governador de New Vegas mas que antes do Apocalipse nuclear era um crucial magnata da tecnologia. Se a manutenção da qualidade média da serie estava garantida sem grande dificuldade o grande factor decisivo desta Season 2 de ‘Fallout’ é sem duvida o incrível desenvolvimento da história em simultâneo com o alargamento do “universo” ‘Fallout’.

7.5/10

[Trailer] 

sexta-feira, 27 de março de 2026

Pluribus - Season 1 (2025)

Uma das novidades na categoria das series em 2025 foi ‘Pluribus’. Com o selo Apple TV+ a série criada por Vince Gilligan (também criador do fenómeno ‘Breaking Bad’), tem de facto uma curiosa premissa, quando a humanidade recebe uma transmissão vinda do espaço (possivelmente extraterrestre) chega-se à conclusão que essa transmissão mais não é do que um código genético que os cientistas se apressam a reproduzir o que acaba por resultar num vírus que aparentemente não tem efeito nenhum em animais todavia depois de se espalhar rapidamente pela raça humana percebe-se que ele transforma as pessoas numa espécie de entidade colectiva altamente eficiente liberta de qualquer tipo de infelicidade ou sofrimento. Neste processo muitos humanos acabam por morrer pois não conseguem assimilar este efeito de mente universal e treze pessoas revelam-se mesmo completamente imunes à “infecção”, entre elas a nossa protagonista Carol Sturka, uma popular escritora Norte-Americana. Interpretada de forma formidável por Rhea Seehorn Carol “carrega o peso” da série às costas pois por decorrência do ritmo lento da série o foco está praticamente sempre em si. Carol vai vivendo no constante dilema de como lidar com este novo paradigma de sociedade, por um lado esta nova versão da raça humana obedece a todos os seus pedidos mesmo que completamente excêntricos como forma de lhe agradar, contudo ela sabe que o objectivo final desta entidade é que estas 13 pessoas acabem por ser incorporadas na mesma. ‘Pluribus’ apresenta-se como uma série “slow paced” em que os diálogos são básicos e pouco acrescentam ao contexto ainda que o tema seja subjacente seja irrefutavelmente interessante, uma anunciada segunda temporada talvez seja o palco ideal para o necessário desenvolvimento do enredo na sua vertente mais técnica e cientifica. 

7/10

[Trailer]  

terça-feira, 24 de março de 2026

The Mighty Nein - Season 1 (2025)

As séries de animação estão de facto num expoente de popularidade e a Amazon Prime que já detém uma das mais aclamadas (‘Invincible’), volta a apostar forte neste género com ‘The Mighty Nein‘. Baseada na segunda campanha de ‘Critical Role(uma série em que dobradores profissionais jogam o celebre jogo RGP Dungeons & Dragons) depois de uma primeira campanha também ela adaptada para série animada (‘The Legend of Vox Machina’), ‘The Mighty Nein‘ centra-se na história de vários personagens (Nott the Brave, Mollymauk, Caleb Widogast, Jester Lavorre, Beauregard e Fjord Stone) em simultâneo todos eles na situação de renegados da sociedade devido aos seus passados sombrios e traumáticos. Com uma fantástica animação e um argumento formidável que vai sendo desvendado lentamente o maior foco de interesse de ‘The Mighty Nein‘ acaba mesmo por ser os seus personagens, que além de escritos de forma magistral todos eles têm segredos que vão sendo revelados a um ritmo bem pautado ao longo dos episódios garantindo assim uma incrível evolução dos mesmos. Tenho também de referir a interessante temática da série que para além do tema da magia (alguns pontos de contacto com a sublime série ‘Arcane: League of Legends’) aborda outros assuntos mais pesados tais como traumas pessoais e até doutrinação de cariz político ou mesmo religioso. Uma ultima nota para os intensos e aditivos segmentos de acção e para a inclusão de uma inteligente pitada de humor negro com um efeito amenizador na forte carga dramática da série. Enormes expectativas para a segunda temporada de ‘The Mighty Nein‘.

8/10

[Trailer]