quinta-feira, 30 de abril de 2026

Angine de Poitrine - Vol. II (2026)

Subimos ligeiramente no continente Americano e vamos até ao Canadá. Dizer que eles são um fenómeno da Internet é um eufemismo, falo como já adivinharam do bizarro duo oriundo do Quebec Angine de Poitrine. Este duo composto por Khn e Klek tem de facto dado que falar, desde logo a sua imagem excêntrica pois ambos os músicos vestem-se como uma espécie de teletubies monocromáticos todavia as extravagâncias não se ficam por aí pois o mais estranho de tudo são as suas composições musicais. Lançado dia 3 deste mês o segundo álbum da banda apropriadamente intitulado ‘Vol. 2’ confirma e reforça a qualidade apresenta pelos Angine de Poitrine na sua estreia. As sonoridades da banda proveem duma bateria e num instrumento híbrido que é simultaneamente uma guitarra e um baixo mas as particularidades desse instrumento não terminam aí pois a escala usada também não é a concecional mas sim uma escala micro-tonal. Composto por temas quase exclusivamente instrumentais as sonoridades dos Angine de Poitrine podem talvez ser incluídas no espectro no Math Rock Experimental ainda que seja bem possível que mais nenhuma banda deste subgénero soe remotamente similar. ‘Vol 2’ também se evidencia pelo inesperado Groove que os Angine de Poitrine conseguem incorporar em temas com uma complexidade técnica bastaste desafiante. Destaco as faixas ‘Sarniezz’, ‘Yor Zarad’ e de forma muito singular ‘Fabienk’, o tema que quase por si só foi responsável pela meteórica ascensão dos Angine de Poitrine à categoria de banda de culto .

8/10 

[Sample] 

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Dawn Of Ashes - Anatomy Of Suffering (2026)

Terminamos (momentaneamente) este verdadeiro périplo pelos Estados Unidos com o décimo segundo álbum dos Dawn Of Ashes intitulado ‘Anatomy Of Suffering’. Depois da trilogia conceptual ‘Scars’ (‘Scars Of The Broken’, ‘Reopening The Scars’ e ‘Infecting The Scars’) num curto período de 3 anos seria porventura sensato haver um hiato de descompressão até um novo álbum contudo os Dawn Of Ashes decidiram (de forma algo precipitada diria eu) “voltar à carga” apenas um ano depois. Apesar de ‘Anatomy Of Suffering’ ser orientado pelas sonoridades que mais sucesso trouxeram à banda (Aggrotech e Industrial EBM), acaba por ser notória uma generalizada falta de inspiração aliada a uma saturação das composições que nem a meritória tentativa de adicionar uma vertente mais atmosférica consegue disfarçar. Nem as participações de Unter Null em ‘Autopsy of A Spirit’, Void Stasis e BlakMoth em ‘Autolysis’e dos lendários Suicide Commando em ‘Penumbra’ conseguem oferecer o efeito revigorante que os Dawn Of Ashes por certo ambicionavam. Destaco os temas ‘The Altar Of Sunken Wounds’, ‘Viral Decay’ e o já referido ‘Autopsy of A Spirit’ como os mais consistentes de ‘Anatomy Of Suffering’, um álbum que claramente sofre do sindrome da prematuridade e que a meu ver precisava nitidamente de mais tempo de “fermentação”. 

6.5/10 

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Neurosis - An Undying Love for a Burning World (2026)

Permanecemos em território dos “States” para falar de uma banda que para além das várias reviews é bastante referenciada aqui no blog. Dizer que este regresso é inesperado é um eufemismo, eu arriscaria dizer que é literalmente a surpresa da década (até porque passaram exatamente dez anos desde o seu ultimo álbum), refiro-me aos carismáticos Neurosis a propósito do seu mais recente trabalho ‘An Undying Love for a Burning World’. Sem qualquer tipo de aviso prévio os Neurosis anunciam no mesmo dia o lançamento de ‘An Undying Love for a Burning World’ e em simultâneo a adição de Aaron Bradford Turner como o seu novo guitarrista em substituição de de Scott Kelly, quando no seio dos seus fãs até já corria o rumor que os Neurosis nunca mais iriam lançar um álbum de originais. ‘An Undying Love for a Burning World’ soa mais do que qualquer outra coisa a... Neurosis, e não, isto não é uma afirmação simplesmente redundante, é que os Neurosis são uma das mais influentes bandas de Metal das ultimas três décadas, aliás são inúmeras as bandas que desde então têm várias similaridades com o quinteto Norte-Americano ou não fossem eles os pioneiros do Atmospheric Sludge Metal que viria pouco depois a derivar no Post-Metal. A grande conclusão a tirar de ‘An Undying Love for a Burning World’ é que a banda conseguia ser bastante abrangente nas composições, eu diria que com a excepção dos seus dois primeiros álbuns todo o resto da sua carreira está refletido no álbum. Um equilíbrio gerido de forma cirúrgica entre o peso gravitacional e claustrofóbico e a harmonia atmosférica que os Neurosis se foram aprimorando fazem de ‘An Undying Love for a Burning World’ um regresso em grande confirmando uma qualidade inerente muito para além do simples efeito surpresa.

8/10

[Sample] 

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Black Label Society - Engines of Demolition (2026)

Continuamos em solo Norte-Americano desta vez para falar de um regresso que tem tanto de importante como de inevitável, falo de Zakk Wylde e dos seus Black Label Society. ‘Engines of Demolition’, o álbum numero doze dos Black Label Society reúne a meu ver todos os requisitos para ser o melhor dos últimos 15 anos da banda, de facto desde o fantástico ‘Order Of The Black’ que o quarteto liderado por Zakk Wylde não “fabricava” um álbum tão bem conseguido. Como seria de esperar ‘Engines of Demolition’ não tem qualquer tipo de experimentalismos, aliás as sonoridades dos Black Label Society já estão tão consolidadas que poderiam ser patenteadas, o Southern Heavy Metal quase saturado de Groove é como é habitual...inconfundível. Talvez tenha sido o desaparecimento do seu eterno amigo Ozzy Osbourne que lhe tenha feito chegar uma inspiração extra mas a verdade é que ‘Engines of Demolition’ está repleto de malhas formidáveis que até fazem lembrar tempos mais áureos da banda, ao soberbo single ‘Name In Blood’ podemos muito bem juntar ‘Broken And Blind’, ‘The Gallows’ ou a sensacional ‘Lord Humungus’. Como não poderia deixar de ser ‘Engines of Demolition’ encerra com o tema ‘Ozzy's Song’, como o próprio nome indica a homenagem natural e merecida para a pessoa mais importante e influente na carreira de Zakk Wylde. ‘Engines of Demolition’ brinda-nos com um Zakk Wylde novamente num auge criativo a mostrar que mais do que o virtuosismo ainda tem um bom punhado de composições na “manga”. 

7.5/10

[Sample] 

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Exodus - Goliath (2026)

Outro lançamento ainda bem “fresquinho” de uma banda Norte-Americana é ‘Goliath’ dos Exodus, eles que passaram há bem pouco tempo pelo nosso país incluídos na tour mundial dos Kreator (Krushers Of The World Tour), mais precisamente no passado dia 20 de Março na Sala Tejo em Lisboa, curiosamente exatamente no dia em que saiu ‘Goliath’. Com uma capa bastante promissora, uma promoção de belo efeito, o re-regresso de Rob Dukes nas vocalizações e o foco (agora total) do carismático Gary Holt eu diria que estavam reunidas as condições para os Exodus voltarem aos grandes álbuns todavia é com muita pena que tenho de dizer que o conteúdo não corresponde ao “invólucro”. Apesar de não ser um álbum medíocre ‘Goliath’ vai tendencialmente acabar por ser uma das desilusões de 2026. O grande “pecado original” de ‘Goliath’ talvez tenha sido a tentativa da banda ser demasiado abrangente acerca das suas várias evoluções/transformações, se o Bay Area Thrash Metal é o seu alicerce mais do que natural é verdade que a banda deu passos largos na bem-sucedida tentativa de modernizar as suas sonoridades especialmente na década de 10 onde a inclusão de algum Groove e a migração para riffs mais sofisticados ofereceram uma revigorante e pulsante energia à banda na altura, ora seria mais do que previsível, ainda por cima com a mesma formação que esse caminho tivesse sido de alguma forma retomado agora. Faixas como ‘Beyond The Event Horizon’, ‘2 Minutes Hate’ ou tema titulo são bons exemplos do que acabei de referir e poderiam e deveriam muito bem ser a bitola de ‘Goliath’, em contraponto temos temas a roçar o básico como ‘Promise You This’ ou ‘The Changing Me’ com a participação especial de Peter Tägtgren (que eu pessoalmente admiro bastante) que desvirtua completamente o tema (não faria mais sentido um Chuck Billy ou um Randy Blythe) que simplesmente não resultam e desperdiçam o potencial de ‘Goliath’. 

6.5/10 

terça-feira, 14 de abril de 2026

Lamb Of God - Into Oblivion (2026)

2026 tem sido um ano especialmente fértil em lançamentos musicais “made in” Estados Unidos e ‘Into Oblivion’, o décimo álbum dos Lamb Of God é mais um dessa extensa lista. Falar dos Lamb Of God é da falar da mais consistente banda Norte-Americana desde a viragem do milénio, ou seja, desde o seu aparecimento, este quinteto apresenta por defeito uma solidez e uma pujança invejáveis para muitos dos seus conterrâneos e não só, tanto é que o nível dos seus álbuns apenas varia entre o excelente e o bom, então onde se situa ‘Into Oblivion’ nessa curta escala? Eu diria que está um furo abaixo dos seus dois últimos álbuns ‘Omens’ e ‘Lamb Of God’ e a razão para isso tem tanto de simples como de incontrolável, prende-se apenas com a inspiração. ‘Into Oblivion’ assenta mais um vez numa base de Groove/Tharsh Metal que os Lamb Of God tem “tricotado” durante toda a sua carreira aqui e ali com mais vertigem e raiva ou mais melodia e sentimentalismo mas sempre pautado por riffs imersos num Groove enérgico e orgânico projetado pela simultaneamente rancorosa e preponderante voz de Randy Blythe. Destaco os temas ‘St. Catherine's Wheel’, ‘Blunt Force Blues’ e ‘A Thousand Years’, este ultimo um pouco em modo saudosista dos primeiros álbuns da banda. E quanto a acusações de os Lamb Of God se “agarrarem” demasiado à sua fórmula, tem sido essa mesma estabilidade que lhes permitiu produzir dez álbuns de inequívoca qualidade em 26 anos de carreira.

7.5/10 

[Sample] 

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Rob Zombie - The Great Satan (2026)

Se estão à espera de um regresso bombástico pois bem a espera terminou, cinco anos depois Rob Zombie está de volta com o seu oitavo trabalho de originais ‘The Great Satan’. O anormalmente curto título do álbum pode ser considerado pretensioso todavia ainda que não seja “o grande Satanás” Rob Zombie já há muito tempo que cunhou para si próprio o rótulo de “rei do imaginário Hallowenesco”, tudo o que seja feitiçaria, monstros, extraterrestres, bruxas e anomalias em geral Rob Zombie tem adoptado com seus filhos se tratassem. ‘The Great Satan’ não é bom, mesmo considerado que não é fácil manter a imparcialidade, eu diria que é dificílimo não achar o álbum excelente. Depois de dois álbuns pouco entusiasmantes ‘The Great Satan’ atira Rob Zombie novamente para um nível que quase todos pensavam já não ser atingível, ainda que não supere a obra prima ‘Hellbilly Deluxe’ estará no mínimo ao nível de ‘The Sinister Urge’. E o que é que mudou? pois bem mudou o guitarrista, o retorno de Mike Riggs em subistituição de John 5 e o baxista Robert "Blasko" Nicholson em prol de Piggy D e de facto a diferença parece abismal. Riffs muito mais directos, intensos, rápidos e Industrializados fazem de temas como ‘F.T.W. 84’, ‘Tarantula’, ‘(I'm A) Rock "N" Roller’, ‘Heathen Days’, ‘Black Rat Coffin’ e ‘Punks And Demons’ faixas como há muito não se ouvia com o selo Rob Zombie. Não tenho duvidas que ‘The Great Satan’ vai ser um dos álbuns de referência de 2026 mas pode muito bem também acabar por ser o mote para uma espécie de um re-despertar do Metal/Rock Industrial Norte-Americano adormecido já há algum tempo a esta parte. 

8.5/10 

[Sample]