quarta-feira, 27 de maio de 2026

Sirât (2025)

Para além das duas nomeações para os Óscares foi colecionando vários prémios entre eles o prémio do júri do aclamado festival de Cannes, falo do filme independente ‘Sirât’. Depois de ver o filme confesso que fiquei com alguma pena de não o ter visto em cinema pois muito mais do que pela história ‘Sirât’ vale essencialmente pela experiência. A história essa é de fraco minimalista, um pai (Luis) acompanhado pelo seu filho menos (Esteban) procuram a sua filha numa rave ao ar livre no deserto Norte-Africano, mais concretamente em Marrocos. É verdade que o argumento é básico e pouco sedutor todavia em todas as outras vertentes cinematográficas ‘Sirât’ destaca-se. Um formidável trabalho de realização aliado a uma fantástica cinematografia oferecem a ‘Sirât’ uma atmosfera austera, intensa e angustiante sempre com o deserto como pano de fundo. Outro factor decisivo para o sucesso do filme é a sua incrível banda sonora, eu diria até que talvez seja uma peça essencial de ‘Sirât’, sonoridades dissonantes pautadas por uma espécie de Techno experimental e hipnótico. ‘Sirât’ tem também a particularidade de ser um filme inclusivo e sujeito a interpretações e teses, apesar de nos deixar algumas pequenas pistas sobre o que está a acontecer no mundo não fica claro “quando” se passa a história, apenas que algum tipo de conflito mundial está prestes a ocorrer. O ponto negativo do filme na minha opinião prede-se com a falta de profundidade das personagens (apesar da boa qualidade da generalidade das interpretações) e dos diálogos. Um filme refrescante e impactante com uma intensidade visceral e uma carga espiritual muito superior ao típico filme “road movie”.

7/10 

[Trailer] 

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