quinta-feira, 11 de junho de 2026

Good Luck, Have Fun, Don't Die (2025)

Foi uma das poucas boas surpresas cinematográficas de 2025, falo de ‘Good Luck, Have Fun, Don't Die’, um filme que consuma o regresso de Sam Rockwell num papel de grande destaque. Num argumento onde abunda a criatividade ‘Good Luck, Have Fun, Don't Die’ este contem de facto um pouco da excentricidade de Terry Gilliam e do futurismo caustico da série ‘Black Mirror’. A historia centra-se em The Man from the Future/Sam Rockwell, um homem que (como próprio nome indica) afirma ter vindo do futuro perante um céptica audiência numa cafetaria em Los Angeles, apesar da sua indumentária ser mais compatível com a de um sem-abrigo retro-futurista The Man from the Future consegue ganhar crédito perante os seus ouvintes contando-lhes pormenores secretos das suas vidas. Depois de garantir a atenção desta aleatória plateia The Man from the Future confessa que a sua missão é reunir ali mesmo uma equipa para o ajudar a evitar a activação de uma inteligência artificial que vai ser uma séria ameaça para a humanidade, e que o prazo para esta missão é de 24 horas. Confesso que no inicio da sua carreira Sam Rockwell não era um actor que me enchesse as medidas contudo foi ganhando o meu respeito e conseguiu consolidar uma mudança de opinião da minha parte com filmes como ‘Moon’, ‘Seven Psychopaths’ e ‘Three Billboards Outside Ebbing, Missouri’. Em ‘Good Luck, Have Fun, Don't DieRockwell volta a fazer um formidável papel ainda que completamente dentro da sua zona de conforto, destaque também para a participação de Juno Temple como Susan. ‘Good Luck, Have Fun, Don't Die’ acaba por ser um filme bastante interessante em virtude de um argumento imaginativo e imprevisível, uma raridade na actualidade da sétima arte. 

7/10

[Trailer]  

segunda-feira, 8 de junho de 2026

The Running Man (2025)

Lançado para o cinema no final do ano passado ‘The Running Man’ não é um simples remake do filme com o mesmo nome de 1987 protagonizado pelo carismático Arnold Schwarzenegger mas sim uma nova adaptação ao livro de Stephen King também ele intitulado ‘The Running Man’ escrito na altura sobre o pseudónimo de Richard Bachman tal como ‘The Long Walk’ (filme analisado recentemente aqui no blog). Anunciado como uma adaptação muito mais fiel à sua base literária do que a versão de 1987, ‘The Running Man’ é o que eu categorizo como uma verdadeira calamidade cinematográfica tendo em consideração o resultado final em relação ao investimento. O argumento é de alguma forma similar ao de ‘The Hunger Games’, numa sociedade futurista e distópica onde a divisão entre ricos e pobres é bastante vincada, Ben Richards/Glen Powell (um comum trabalhador de colarinho azul) num acto de desespero decide entrar numa espécie de caçada em modo reality Show na esperança de conseguir a verba necessária para salvar a sua família. Este concurso (The Running Man) consiste em sobreviver durante 30 dias a uma perseguição letal por parte de literalmente qualquer pessoa que decida entrar no jogo. Mesmo comparado com o filme de 1987, que nem sequer foi um dos êxitos contundentes de Schwarzenegger, The Running Man’ é um desastre, começando pela intragável personagem principal com uma interpretação medíocre e constrangida, diálogos completamente ocos e entediantes passando pelas sequencias de acção que raramente têm algum momento de credibilidade ou lógica, terminando na duração do filme que parece se eternizar numa amalgama de clichés e previsibilidades até levar o espectador a entrar em modo de suplica pelo final desta aberração cinematográfica. 

4/10 

domingo, 31 de maio de 2026

War Machine (2026)

Para quem esperava por um filme de acção crua, constante e intensa com um pedigree militar e desenfreadas vagas de testosterona pois bem a espera terminou. Com o selo NetflixWar Machine’ tem o inicio comum de um filme militar, numa missão no Afeganistão um grupo de soldados cai numa emboscada e apenas um sobrevive (81/Alan Ritchson), contudo uma das vitimas era o seu irmão mais novo que ele tenta estoicamente salvar apesar dos seus ferimentos, minutos antes deste acontecimento 81 tinha prometido ao seu irmão que o acompanharia numa recruta dos Rangers, a mais dura e desafiante recruta de todas as forças especiais Norte-Americanas. Dois anos depois 81 decide cumprir a promessa para a honrar a morte do seu irmão apesar do seu severo caso de Stress Pós-Traumático. Fisicamente 81 é um soldado exímio e vai sobrevivendo na recruta de forma exemplar, depois de várias filtragens e os candidatos ficarem reduzidos a um pequeno número a recruta termina com uma ultima missão, contudo essa missão revela-se muito mais difícil de que um ultimo teste pois o grupo é confrontado com um robô alienígena que é uma verdadeira maquina de guerra que aparentemente têm como único objectivo exterminar humanos. Com alguns pontos de contacto com filmes como ‘Predator’ (1987) e ‘War Of The Worlds’ (2005), ‘War Machine’ é um filme de acção contínua como há muito não se via, a partir do segundo terço do filme este entra num ritmo tão frenético que se torna avassalador, o nosso grupo de soldados literalmente não tem cinco minutos de descanso. Destaque para a excelente prestação de Alan Ritchson num papel que exige mais do que apenas encarnar o habitual “badass” quase indestrutível, para os efeitos visuais de bom nível com particular realce para o bem conseguido design do robô, e especialmente para a incrível intensidade do filme.

7/10 

[Trailer] 

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Sirât (2025)

Para além das duas nomeações para os Óscares foi colecionando vários prémios entre eles o prémio do júri do aclamado festival de Cannes, falo do filme independente ‘Sirât’. Depois de ver o filme confesso que fiquei com alguma pena de não o ter visto em cinema pois muito mais do que pela história ‘Sirât’ vale essencialmente pela experiência. A história essa é de fraco minimalista, um pai (Luis) acompanhado pelo seu filho menos (Esteban) procuram a sua filha numa rave ao ar livre no deserto Norte-Africano, mais concretamente em Marrocos. É verdade que o argumento é básico e pouco sedutor todavia em todas as outras vertentes cinematográficas ‘Sirât’ destaca-se. Um formidável trabalho de realização aliado a uma fantástica cinematografia oferecem a ‘Sirât’ uma atmosfera austera, intensa e angustiante sempre com o deserto como pano de fundo. Outro factor decisivo para o sucesso do filme é a sua incrível banda sonora, eu diria até que talvez seja uma peça essencial de ‘Sirât’, sonoridades dissonantes pautadas por uma espécie de Techno experimental e hipnótico. ‘Sirât’ tem também a particularidade de ser um filme inclusivo e sujeito a interpretações e teses, apesar de nos deixar algumas pequenas pistas sobre o que está a acontecer no mundo não fica claro “quando” se passa a história, apenas que algum tipo de conflito mundial está prestes a ocorrer. O ponto negativo do filme na minha opinião prede-se com a falta de profundidade das personagens (apesar da boa qualidade da generalidade das interpretações) e dos diálogos. Um filme refrescante e impactante com uma intensidade visceral e uma carga espiritual muito superior ao típico filme “road movie”.

7/10 

[Trailer] 

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Marty Supreme (2025)

Quem viu ‘Uncut Gems’ por certo estará familiarizado com o realizador Josh Safdie, pois bem é precisamente pelas mãos dele que Timothée Chalamet está de volta aos papéis de grande destaque depois de ‘Dune: Part Two com o filme ‘Marty Supreme’. Não sendo assumidamente um filme biográfico ‘Marty Supreme’ é no entanto inspirado na vida do tenista-de-mesa Marty Reisman. O filme conta-nos a história de um homem completamente lunático, obcecado e egocêntrico. Sendo um manipulador nato Marty é capaz de qualquer coisa para chegar ao seu objectivo não se importando com as consequências nem com os danos causados às pessoas em seu redor sendo que o seu objectivo (entrar num prestigiado torneio de ténis-de-mesa em solo Japonês) é a única coisa que importa. Depois de uma inesperada, angustiante e kármica derrota na final do torneio Marty consegue intensificar ainda mais sua obsessão desta vez com a rebuscada ideia de uma hipótese de desforra contra Koto Endo/Koto Kawaguchi. Com um ritmo frenético e sufocante ‘Marty Supreme’ é um filme interessante ainda que pelo seu tema possa não parecer, para isto contribui e de que maneira a fantástica interpretação de Marty por Timothée Chalamet, mais um papel formidável na sua curta carreira, um papel que reforça a tese de Chalamet ser o melhor actor da sua geração. ‘Marty Supreme’ comporta também ideias subjacentes a outros dois filmes na minha opinião, ‘The Wolf Of Wall Street’ pelas similaridades entre os dois protagonistas no que à mentira à burla e à manipulação diz respeito e ‘Pawn Sacrifice’ pelas semelhanças no grau de obsessão de um homem por um desporto.

 7.5/10

[Trailer] 

quarta-feira, 20 de maio de 2026

The Rip (2026)

Uma das duplas mais conhecidas do cinema está de regresso em 2026 com ‘The Rip’, falo de Matt Damon e Ben Affleck. Com a chancela Netflix e realizado por Joe Carnahan, ele que foi o autor do formidável ‘Smokin’ Aces’, ‘The Rip’ é o chamado Thriller Policial convencional. A história começa com o assassinato da capitã Jackie Velez o que leva a uma investigação interna da Tactical Narcotics Team onde se incluem precisamente o Tenente Dane Dumars/Matt Damon e o Sargento J.D. Byrne/Ben Affleck levada a cabo pelo FBI, entretanto Dane recebe uma pista anónima sobre uma grande quantia de dinheiro numa casa que alegadamente pertence a um cartel, e equipa consegue entrar na casa todavia percebe que o saque é bastante superior o que era suposto. Por entre desconfianças, tentações óbvias, possível corrupção e mentiras Dane tenta perceber em quem pode confiar e se de alguma forma esta dica está relacionada com a morte de Jackie. Vagamente inspirado no escândalo designado por ‘Miami River Cops’ o argumento de ‘The Rip’ pode não ser inovador mas apresenta vários motivos de interesse, não só pelo ambiente claustrofóbico suburbano com também pela tensão gerada em torno dos personagens com particular destaque para a boa dinâmica entre Damon e Afleck. Onde o filme deixa a desejar e perde algum do seu élan é na sua parte final pois a perspectiva psicológica é atirada para segundo plano em prol de um desfecho prolífico em acção previsível e vulgar.

7/10

[Trailer] 

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Predator: Badlands (2025)

O franchise ‘Predator’ tem passado por um sem fim de capítulos onde em cada um permanece a ambição de trazer o mesmo de volta à popularidade dos dois primeiros filmes, ‘Predator’ (1987) e ‘Predator 2’ (1990) ainda que a grande maioria dessas tentativas se tenham revelado fracassos. Desde 2022 tem sido o realizador Dan Trachtenberg através de produções Hulu que tem tentado revitalizar a franquia com ‘Prey’ (2022) e o filme de animaçãoPredator: Killer of Killers (2025), com algum sucesso diga-se. Pois bem ‘Predator: Badlands’ foi uma espécie de tira-teimas para Dan Trachtenberg que desta vez até pôde contar com o apoio dos estúdios Century Fox. A história de ‘Predator: Badlands’ centra-se em Dek, um Yautja (a denominação dada à espécie dos Predadores) adolescente que tarda em ser aceite pelo chefe do seu clã que é simultaneamente o seu pai pois é considerado demasiado fraco e como consequência tem de morrer. Numa luta até à morte com o seu irmão mais velho Kwei para provar de uma vez por todas o seu valor para receber o celebre dispositivo de camuflagem (um ritual de emancipação para a idade adulta dos Yautja) Dek sai derrotado contudo num volte-face o seu irmão sacrifica-se para que ele possa deslocar-se para o planeta Genna para caçar a implacável e invencível besta Kalisk como a derradeira tentativa de redenção. Apesar dos efeitos visuais competentes, das eficazes sequencias de acção e da reconhecida criatividade da concepção do planeta Genna (onde acontece a maior parte do filme), Predator: Badlands’ peca essencialmente na profundidade do seu conteúdo e na previsibilidade do desenrolar do enredo, pois se esmiuçarmos em pormenor a premissa do filme facilmente chegamos à conclusão que Dek é um Yautja com problemas comuns a um qualquer adolescente humano com “daddy issues”. Predator: Badlands’ acaba por ser mais uma oportunidade falhada de clarificar de forma mais detalhada a espécie Yautja, ao invés a aposta continua a ser a sua ridícula humanização.

6/10 

sábado, 16 de maio de 2026

Now You See Me: Now You Don't (2025)

Quando já se pensava que o franchise tinha sido abandonado em definitivo eis que os ‘Four Horsemen’ estão de regresso. Mais um exemplo da tese que em Hollywood nada termina de forma permanente, nove anos depois ‘Now You See Me 2’ a franquia volta a dar sinal de vida com ‘Now You See Me: Now You Don't’ (porque ‘Now You See Me 3’ seria porventura demasiado cliché). Superar o seu antecessor seria simultaneamente facílimo e obrigatório e de facto o filme cumpre esse objetivo contudo continua bem longe da qualidade apresentada no primeiro filme do franchise ‘Now You See Me’ (2013). Desta feita os nossos ‘Four Horsemen’ unem esforços com uma nova geração de ilusionistas que os veem como referencias para desmascarar Veronika Vanderberg, a CEO da Inter-Continental Chemical Industries, uma corporação que serve de fachada para crimes de corrupção e tráfico de armas entre outros, desta forma os ‘Four Horsemen’ mantêm a sua veia de justiceiros alinhados com a filosofia de Robin dos Bosques mas usando a sua arma de eleição...a magia. Tal como os seus antecessores o sucesso de ‘Now You See Me: Now You Don't’ está directamente ligado com a capacidade de surpreender o espectador utilizando para esse efeito os famosos “twists” todavia a fórmula já apresenta claros sinais de desgaste resultando numa evolução da história muito mais previsível do que seria pretendido. A adição de três novos personagens principais também nada acrescenta ao filme pois a sua falta de profundidade e de carisma é por demais evidente e apenas parecem servir como uma pouco disfarçada passagem de testemunho para possíveis sequelas já sem os ‘Four Horsemen’ originais. Por todos estes motivos ‘Now You See Me: Now You Don't’ acaba por ser um filme que resvala para a categoria do tédio e da previsibilidade.

6/10 

terça-feira, 12 de maio de 2026

One Battle After Another (2025)

Quatro anos depois de ‘Licorice Pizza’ o aclamado realizador Paul Thomas Anderson regressou com ‘One Battle After Another’, um filme que foi de forma geral muito bem recebido pela critica adquirindo mesmo o estatuto de um dos melhores filmes de 2025. E se ‘Licorice Pizza’ peca essencialmente pela falta de acção assente num argumento pouco impactante desta vez Paul Thomas Anderson inverteu por completo o tabuleiro. ‘One Battle After Another’ começa com uma operação do grupo de extrema esquerda French 75 onde se destacam os protagonistas Perfidia Beverly Hills/Teyana Taylor e Pat Calhoun/Leonardo DiCaprio, essa actividade consiste na libertação e ajuda a emigrantes ilegais que tentam entrar em solo Norte-Americano. Pouco tempo depois Perfidia é apanhada em flagrante a armadilhar uma bomba pelo incansável Coronel Steven J. Lockjaw/Sean Penn (um militar que apesar da sua obsessão em erradicar o grupo revolucionário French 75 não consegue conter uma inexplicável atração por Perfidia) que exige ter sexo com ela como moeda de troca para a sua libertação. Entretanto Pat e Perfidia tornam-se numa família com o nascimento de Charlene/Chase Infiniti, todavia a vida como casal têm um final abrupto pois Perfidia insiste em continuar as suas actividades no grupo French 75 enquanto Pat acha que ambos devem assentar e focar-se na educação de Charlene. A decisão de Perfidia em abandona-los veio a revelar-se péssima pois ela é novamente apanhada pelas forças policiais e desta vez obrigada a revelar os nomes e localizações do French 75. Graças às denuncias de Perfidia Lockjaw desmantela o infame grupo mas não se fica por aí pois 16 anos mais tarde ele consegue rastrear o paradeiro de Pat e Charlene (agora escondidos na pequena cidade de Baktan Cross) e prossegue a sua missão convencido que existe a possibilidade de Charlene ser sua filha. Com um argumento bem delineado e um ritmo intenso e quase sempre frenético ‘One Battle After Another’ é sem duvida um filme que entusiasma e “agarra” o espectador contribuindo também para isso uma generosa dose de boas interpretações onde tenho de destacar de forma particular a de Sean Penn, um papel verdadeiramente arrebatador. Uma ultima nota para a habitual excelência na arte da realização de Paul Thomas Anderson com o óbvio destaque para a parte final do filme.

 7.5/10

[Trailer] 

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Bugonia (2025)

Dois anos após o sucesso de ‘Poor Things’ a parceria entre o extravagante realizador Yorgos Lanthimos e Emma Stone volta a estar em evidência em ‘Bugonia’. Em comparação com ‘Poor Things’ a história de ‘Bugonia’ situa-se também ela no território da bizarria. Vivendo com o seu influenciável e ingénuo primo (Don/Aidan Delbis) numa casa relativamente isolada da sociedade Teddy Gatz/Jesse Plemons é um fiel adepto das mais absurdas teorias da conspiração entre elas particularmente uma em que ele acredita de forma incontestável de que vivem extraterrestres entre nós, norteado por essa inabalável fé ele resolve agir e raptar a CEO da Auxolith Biomedical Michelle Fuller/Emma Stone e aprisiona-la na cave da sua casa até ela confessar que é de facto uma extraterrestre disfarçada de humana. Se o argumento de ‘Bugonia não parece à partida capaz de cativar os espectadores mais exigentes na verdade a formidável interpretação de de Plemons só por si catapulta o nível do filme para um outro patamar. ‘Bugonia’ contem não só uma interessante e marcante perspectiva sobre as teorias da conspiração, seus respectivos fanáticos e como elas se constroem e florescem na actualidade mas também uma eficaz e pertinente critica ao corporativismo e às cada vez mais vincadas desigualdades entre classes sociais. ‘Bugonia’ é em suma um filme surpreendente e impactante que vale sobretudo pela riqueza do seu conteúdo.

7.5/10

[Trailer] 

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Wake Up Dead Man: A Knives Out Mystery (2025)

Três anos depois de ‘Glass Onion: A Knives Out Mystery’ o franchise ‘Knives Out’ está de regresso com o terceiro capitulo ‘Wake Up Dead Man: A Knives Out Mystery’. O factor que mais se evidencia logo à partida é o ambiente radicalmente oposto ao seu antecessor, a atmosfera veraneante de ‘Glass Onion: A Knives Out Mystery’ é desta feita drasticamente substituída pelo clima cinzento, soturno e severo dos subúrbios de Londres. Também o conteúdo do filme se revela significativamente diferente de ‘Glass Onion: A Knives Out Mystery’ pois a toada de humor negro dá agora a vez a um tom dramático e austero com um forte pendor religioso. Em ‘Wake Up Dead Man: A Knives Out Mystery’ o já nosso conhecido detective Benoit Blanc/Daniel Craig é convocado para resolver o possível assassinato do monsenhor Jefferson Wicks/Josh Brolin (o fanático e tendencioso pároco da paroquia ‘Our Lady of Perpetual Fortitude’, um assassinato? Que até tem contornos de ressurreição e que acontece pouco tempo depois da transferência do jovem padre Jud Duplenticy/Josh O’Connor para esta igreja (o óbvio suspeito principal). Se considerar-mos que o nível de qualidade de ‘Glass Onion: A Knives Out Mystery’ esta consideravelmente abaixo de ‘Knives Out’ podemos considerar que ‘Wake Up Dead Man: A Knives Out Mystery’ se situa algures entre os dois ainda que mais perto do nível qualitativo do primeiro filme da franquia. Se o argumento tem de facto um importante contributo no resultado final de um filme penso que neste caso o factor que mais pesou é mesmo o fantástico elenco que conta, para além dos nomes já referidos, com as participações de Jeffrey WrightAndrew ScottJeremy Renner, Mila Kunis e Glenn Close, todos eles com interpretações bastantes contundentes ainda que a de Josh Brolin atinja um patamar de excelência acima de qualquer outro.

7.5/10

[Sample] 

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Angine de Poitrine - Vol. II (2026)

Subimos ligeiramente no continente Americano e vamos até ao Canadá. Dizer que eles são um fenómeno da Internet é um eufemismo, falo como já adivinharam do bizarro duo oriundo do Quebec Angine de Poitrine. Este duo composto por Khn e Klek tem de facto dado que falar, desde logo a sua imagem excêntrica pois ambos os músicos vestem-se como uma espécie de teletubies monocromáticos todavia as extravagâncias não se ficam por aí pois o mais estranho de tudo são as suas composições musicais. Lançado dia 3 deste mês o segundo álbum da banda apropriadamente intitulado ‘Vol. 2’ confirma e reforça a qualidade apresenta pelos Angine de Poitrine na sua estreia. As sonoridades da banda proveem duma bateria e num instrumento híbrido que é simultaneamente uma guitarra e um baixo mas as particularidades desse instrumento não terminam aí pois a escala usada também não é a concecional mas sim uma escala micro-tonal. Composto por temas quase exclusivamente instrumentais as sonoridades dos Angine de Poitrine podem talvez ser incluídas no espectro no Math Rock Experimental ainda que seja bem possível que mais nenhuma banda deste subgénero soe remotamente similar. ‘Vol 2’ também se evidencia pelo inesperado Groove que os Angine de Poitrine conseguem incorporar em temas com uma complexidade técnica bastaste desafiante. Destaco as faixas ‘Sarniezz’, ‘Yor Zarad’ e de forma muito singular ‘Fabienk’, o tema que quase por si só foi responsável pela meteórica ascensão dos Angine de Poitrine à categoria de banda de culto .

8/10 

[Sample] 

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Dawn Of Ashes - Anatomy Of Suffering (2026)

Terminamos (momentaneamente) este verdadeiro périplo pelos Estados Unidos com o décimo segundo álbum dos Dawn Of Ashes intitulado ‘Anatomy Of Suffering’. Depois da trilogia conceptual ‘Scars’ (‘Scars Of The Broken’, ‘Reopening The Scars’ e ‘Infecting The Scars’) num curto período de 3 anos seria porventura sensato haver um hiato de descompressão até um novo álbum contudo os Dawn Of Ashes decidiram (de forma algo precipitada diria eu) “voltar à carga” apenas um ano depois. Apesar de ‘Anatomy Of Suffering’ ser orientado pelas sonoridades que mais sucesso trouxeram à banda (Aggrotech e Industrial EBM), acaba por ser notória uma generalizada falta de inspiração aliada a uma saturação das composições que nem a meritória tentativa de adicionar uma vertente mais atmosférica consegue disfarçar. Nem as participações de Unter Null em ‘Autopsy of A Spirit’, Void Stasis e BlakMoth em ‘Autolysis’e dos lendários Suicide Commando em ‘Penumbra’ conseguem oferecer o efeito revigorante que os Dawn Of Ashes por certo ambicionavam. Destaco os temas ‘The Altar Of Sunken Wounds’, ‘Viral Decay’ e o já referido ‘Autopsy of A Spirit’ como os mais consistentes de ‘Anatomy Of Suffering’, um álbum que claramente sofre do sindrome da prematuridade e que a meu ver precisava nitidamente de mais tempo de “fermentação”. 

6.5/10 

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Neurosis - An Undying Love for a Burning World (2026)

Permanecemos em território dos “States” para falar de uma banda que para além das várias reviews é bastante referenciada aqui no blog. Dizer que este regresso é inesperado é um eufemismo, eu arriscaria dizer que é literalmente a surpresa da década (até porque passaram exatamente dez anos desde o seu ultimo álbum), refiro-me aos carismáticos Neurosis a propósito do seu mais recente trabalho ‘An Undying Love for a Burning World’. Sem qualquer tipo de aviso prévio os Neurosis anunciam no mesmo dia o lançamento de ‘An Undying Love for a Burning World’ e em simultâneo a adição de Aaron Bradford Turner como o seu novo guitarrista em substituição de de Scott Kelly, quando no seio dos seus fãs até já corria o rumor que os Neurosis nunca mais iriam lançar um álbum de originais. ‘An Undying Love for a Burning World’ soa mais do que qualquer outra coisa a... Neurosis, e não, isto não é uma afirmação simplesmente redundante, é que os Neurosis são uma das mais influentes bandas de Metal das ultimas três décadas, aliás são inúmeras as bandas que desde então têm várias similaridades com o quinteto Norte-Americano ou não fossem eles os pioneiros do Atmospheric Sludge Metal que viria pouco depois a derivar no Post-Metal. A grande conclusão a tirar de ‘An Undying Love for a Burning World’ é que a banda conseguia ser bastante abrangente nas composições, eu diria que com a excepção dos seus dois primeiros álbuns todo o resto da sua carreira está refletido no álbum. Um equilíbrio gerido de forma cirúrgica entre o peso gravitacional e claustrofóbico e a harmonia atmosférica que os Neurosis se foram aprimorando fazem de ‘An Undying Love for a Burning World’ um regresso em grande confirmando uma qualidade inerente muito para além do simples efeito surpresa.

8/10

[Sample] 

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Black Label Society - Engines of Demolition (2026)

Continuamos em solo Norte-Americano desta vez para falar de um regresso que tem tanto de importante como de inevitável, falo de Zakk Wylde e dos seus Black Label Society. ‘Engines of Demolition’, o álbum numero doze dos Black Label Society reúne a meu ver todos os requisitos para ser o melhor dos últimos 15 anos da banda, de facto desde o fantástico ‘Order Of The Black’ que o quarteto liderado por Zakk Wylde não “fabricava” um álbum tão bem conseguido. Como seria de esperar ‘Engines of Demolition’ não tem qualquer tipo de experimentalismos, aliás as sonoridades dos Black Label Society já estão tão consolidadas que poderiam ser patenteadas, o Southern Heavy Metal quase saturado de Groove é como é habitual...inconfundível. Talvez tenha sido o desaparecimento do seu eterno amigo Ozzy Osbourne que lhe tenha feito chegar uma inspiração extra mas a verdade é que ‘Engines of Demolition’ está repleto de malhas formidáveis que até fazem lembrar tempos mais áureos da banda, ao soberbo single ‘Name In Blood’ podemos muito bem juntar ‘Broken And Blind’, ‘The Gallows’ ou a sensacional ‘Lord Humungus’. Como não poderia deixar de ser ‘Engines of Demolition’ encerra com o tema ‘Ozzy's Song’, como o próprio nome indica a homenagem natural e merecida para a pessoa mais importante e influente na carreira de Zakk Wylde. ‘Engines of Demolition’ brinda-nos com um Zakk Wylde novamente num auge criativo a mostrar que mais do que o virtuosismo ainda tem um bom punhado de composições na “manga”. 

7.5/10

[Sample] 

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Exodus - Goliath (2026)

Outro lançamento ainda bem “fresquinho” de uma banda Norte-Americana é ‘Goliath’ dos Exodus, eles que passaram há bem pouco tempo pelo nosso país incluídos na tour mundial dos Kreator (Krushers Of The World Tour), mais precisamente no passado dia 20 de Março na Sala Tejo em Lisboa, curiosamente exatamente no dia em que saiu ‘Goliath’. Com uma capa bastante promissora, uma promoção de belo efeito, o re-regresso de Rob Dukes nas vocalizações e o foco (agora total) do carismático Gary Holt eu diria que estavam reunidas as condições para os Exodus voltarem aos grandes álbuns todavia é com muita pena que tenho de dizer que o conteúdo não corresponde ao “invólucro”. Apesar de não ser um álbum medíocre ‘Goliath’ vai tendencialmente acabar por ser uma das desilusões de 2026. O grande “pecado original” de ‘Goliath’ talvez tenha sido a tentativa da banda ser demasiado abrangente acerca das suas várias evoluções/transformações, se o Bay Area Thrash Metal é o seu alicerce mais do que natural é verdade que a banda deu passos largos na bem-sucedida tentativa de modernizar as suas sonoridades especialmente na década de 10 onde a inclusão de algum Groove e a migração para riffs mais sofisticados ofereceram uma revigorante e pulsante energia à banda na altura, ora seria mais do que previsível, ainda por cima com a mesma formação que esse caminho tivesse sido de alguma forma retomado agora. Faixas como ‘Beyond The Event Horizon’, ‘2 Minutes Hate’ ou tema titulo são bons exemplos do que acabei de referir e poderiam e deveriam muito bem ser a bitola de ‘Goliath’, em contraponto temos temas a roçar o básico como ‘Promise You This’ ou ‘The Changing Me’ com a participação especial de Peter Tägtgren (que eu pessoalmente admiro bastante) que desvirtua completamente o tema (não faria mais sentido um Chuck Billy ou um Randy Blythe) que simplesmente não resultam e desperdiçam o potencial de ‘Goliath’. 

6.5/10 

terça-feira, 14 de abril de 2026

Lamb Of God - Into Oblivion (2026)

2026 tem sido um ano especialmente fértil em lançamentos musicais “made in” Estados Unidos e ‘Into Oblivion’, o décimo álbum dos Lamb Of God é mais um dessa extensa lista. Falar dos Lamb Of God é da falar da mais consistente banda Norte-Americana desde a viragem do milénio, ou seja, desde o seu aparecimento, este quinteto apresenta por defeito uma solidez e uma pujança invejáveis para muitos dos seus conterrâneos e não só, tanto é que o nível dos seus álbuns apenas varia entre o excelente e o bom, então onde se situa ‘Into Oblivion’ nessa curta escala? Eu diria que está um furo abaixo dos seus dois últimos álbuns ‘Omens’ e ‘Lamb Of God’ e a razão para isso tem tanto de simples como de incontrolável, prende-se apenas com a inspiração. ‘Into Oblivion’ assenta mais um vez numa base de Groove/Tharsh Metal que os Lamb Of God tem “tricotado” durante toda a sua carreira aqui e ali com mais vertigem e raiva ou mais melodia e sentimentalismo mas sempre pautado por riffs imersos num Groove enérgico e orgânico projetado pela simultaneamente rancorosa e preponderante voz de Randy Blythe. Destaco os temas ‘St. Catherine's Wheel’, ‘Blunt Force Blues’ e ‘A Thousand Years’, este ultimo um pouco em modo saudosista dos primeiros álbuns da banda. E quanto a acusações de os Lamb Of God se “agarrarem” demasiado à sua fórmula, tem sido essa mesma estabilidade que lhes permitiu produzir dez álbuns de inequívoca qualidade em 26 anos de carreira.

7.5/10 

[Sample] 

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Rob Zombie - The Great Satan (2026)

Se estão à espera de um regresso bombástico pois bem a espera terminou, cinco anos depois Rob Zombie está de volta com o seu oitavo trabalho de originais ‘The Great Satan’. O anormalmente curto título do álbum pode ser considerado pretensioso todavia ainda que não seja “o grande Satanás” Rob Zombie já há muito tempo que cunhou para si próprio o rótulo de “rei do imaginário Hallowenesco”, tudo o que seja feitiçaria, monstros, extraterrestres, bruxas e anomalias em geral Rob Zombie tem adoptado com seus filhos se tratassem. ‘The Great Satan’ não é bom, mesmo considerado que não é fácil manter a imparcialidade, eu diria que é dificílimo não achar o álbum excelente. Depois de dois álbuns pouco entusiasmantes ‘The Great Satan’ atira Rob Zombie novamente para um nível que quase todos pensavam já não ser atingível, ainda que não supere a obra prima ‘Hellbilly Deluxe’ estará no mínimo ao nível de ‘The Sinister Urge’. E o que é que mudou? pois bem mudou o guitarrista, o retorno de Mike Riggs em subistituição de John 5 e o baxista Robert "Blasko" Nicholson em prol de Piggy D e de facto a diferença parece abismal. Riffs muito mais directos, intensos, rápidos e Industrializados fazem de temas como ‘F.T.W. 84’, ‘Tarantula’, ‘(I'm A) Rock "N" Roller’, ‘Heathen Days’, ‘Black Rat Coffin’ e ‘Punks And Demons’ faixas como há muito não se ouvia com o selo Rob Zombie. Não tenho duvidas que ‘The Great Satan’ vai ser um dos álbuns de referência de 2026 mas pode muito bem também acabar por ser o mote para uma espécie de um re-despertar do Metal/Rock Industrial Norte-Americano adormecido já há algum tempo a esta parte. 

8.5/10 

[Sample] 

domingo, 12 de abril de 2026

Clawfinger - Before We All Die (2026)

Outro regresso ainda que neste caso completamente inesperado foi o dos Suecos Clawfinger com o seu oitavo álbum de originais ‘Before We All Die’ 19 anos depois de ‘Life Will Kill You’. Foram considerados como uma das primeiras bandas a trilhar caminho no que viria mais tarde a ser designado como Nu Metal ainda que a maioria desses créditos tenham recaído sobre os Norte-americanos Korn, e tiveram de facto um promissor inicio de carreira que foi perdendo gás a partir de ‘A Whole Not Of Nothing’, na altura (2001) o seu quarto álbum de originais. Foi também nesta época que me fui desligando da banda contudo ‘Before We All Die’ despertou-me uma óbvia curiosidade. ‘Before We All Die’ está longe de ser o regresso bombástico que os Clawfinger talvez tivessem em mente, não porque o mundo não esteja claramente a precisar de bandas com critica social e política acutilante, o grande dilema de ‘Before We All Die’ não está aí mas sim na sua vertente instrumental. Apesar de das características principais da banda assentes num Metal Alternativo com uma generosa dose de distorção, riffs directos e potentes e as habituais vocalizações secas e lineares por vezes a derraparem para o rap de Zak Tell, continuarem bem vincadas o álbum carece de criatividade e qualidade na generalidade dos temas sendo que o primeiro single ‘Scum’ será a principal excepção. Tal como já tinha acontecido na altura com ‘A Whole Not Of Nothing’ também em ‘Before We All Die’ os restantes temas não estão sequer perto nível apresentado no single. Eu diria que não me parece que o regresso dos Clawfinger seja de todo despropositado e a janela para o mesmo talvez até tenha sido bem escolhida todavia com 19 anos de paragem os Clawfinger tinham de facto obrigação de apresentar um punhado de composições com outro nível de qualidade e impacto. 

6/10 

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Mayhem - Liturgy of Death (2026)

Os meses de Fevereiro e Março foram especialmente abundantes em termos de propostas musicais e temos de começar por alguma, desta feita a análise vai ser ao sétimo álbum de originais dos Noruegueses Mayhem,Liturgy of Death’. Os Mayhem são provavelmente a banda mais lendária de Black Metal de sempre e o seu legado fala por si todavia eles não têm limitado a gerir os dividendos desse mesmo legado não porque ainda tenham algo a provar mas sim porque ainda têm muito conteúdo para oferecer. Sete anos depois de ‘Deamom’ e com o EP Atavistic Black Disorder/Kommando pelo meio o infame quinteto está de regresso com ‘Liturgy of Death’, não será porventura um chamado “game changer” contudo não deixa de ser um excelente álbum. Muitos dos seus pares foram divergindo por entre múltiplas evoluções tais como, Folk, Progressivo, Post-Black Metal e Avantgarde Black Metal, os Mayhem todavia continuam fiéis ao seu “tradicional” Black Metal negro, intenso, demoníaco e orgânico, é verdade que podem sempre ser acusados do “fantasma” da repetibilidade ainda que essa acusação esteja longe de ser justa. ‘Liturgy of Death’ contem de facto um disfarçado mas intencional regresso aos tempos do icónico ‘De Mysteriis Dom Sathanaslatente por exemplo no uso de vocalizações “limpas” por parte de Attila Csihar ainda que com sonoridades que substituíram o cru e a produção pseudo-amadora por uma intocável qualidade sonora. O que aparentemente nunca muda é a eximia execução técnica dos Mayhem comprovada de forma impactante em temas como ‘Aeon’s End’, ‘The Sentence Of Absolutionou a magnifica ‘Propitious Death’, uma verdadeira exaltação à distinta perícia de Jan Axel Blomberg (A.K.A. Hellhammer). Uma ultima nota para a participação de Kristoffer "Garm" Rygg dos seus conterrâneos Ulver no tema ‘Ephemeral Eternity’. Muito mais do que viver do legado Liturgy of Death’ é mais uma prova de que os Mayhem continuam a ser uma das melhores bandas no espectro do Black Metal

8/10

[Sample] 

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Formula 1: Drive to Survive - Season 8 (2026)

Terminamos (para já) esta verdadeira epopeia de análises no âmbito das series com um habitue aqui do blog… a review da temporada 8 de ‘Formula 1: Drive to Survive’. Na verdade sendo uma espécie de série documental a qualidade de cada temporada de ‘Formula 1: Drive to Survive’ esta estreitamente relacionada com o nível de interesse da própria época da Fórmula 1 em questão todavia nesta Season 8 isso não foi assim tão linear pois numa época altamente fascinante a temporada de ‘Formula 1: Drive to Survive’ correspondente não reflete esse mesmo fascínio. Existem algumas razões práticas para este fenómeno ter acontecido, desde logo a redução de dois episódios nesta temporada em particular revelou-se um erro, erro esse que está intimamente ligado à discutível escolha de temáticas para os episódios, dando de barato seriam obrigatórios os episódios sobre Chris Horner, os rookies, a ascensão da Williams e a confirmação da Maclaren já não é assim tão explicável a falta de um episódio focado na Ferrari ou mesmo na estreia da Sauber. Ou seja com um número mais reduzido de episódios à partida a minha critica para esta Season 8 de ‘Formula 1: Drive to Survive’ vai precisamente para o discutível critério na escolha dos temas particularmente o episódio 7What Happens In Vegas’. Ainda assim ‘Formula 1: Drive to Survive’ consegue na generalidade replicar a emoção e o dramatismo que nos tem habituado ao longo de oito temporadas culminando numa prova final com três pilotos com hipótese de serem campeões. 

7/10 

[Trailer] 

terça-feira, 31 de março de 2026

Fallout - Season 2 (2025)

Para além de várias estreias 2025 ficou também marcado pela continuidade de algumas series, um desses casos é ‘Fallout’. Depois de uma Season 1 muito bem recebida a expectativa acerca da segunda temporada era naturalmente elevada, pois bem ‘Fallout’ não desiludiu. Segundo os entendidos do franchise de videojogos a história desta Season 2 tinha necessariamente de se centrar em New Vegas e foi precisamente isso que aconteceu. Tal como na Season 1 esta Season 2 acompanha as peregrinações dos nossos três protagonistas, por um lado temos Lucy MacLean e The Ghoul/Cooper Howard que agora caminham juntos apesar das suas personalidades estarem constantemente em conflito, contudo os seus objetivos continuam alinhados, e Maximus que continua a ganhar importância na Brotherhood of Steel ainda que mantenha um conflito interno pois não se sente alinhado com as ambições desta facção. Além de New Vegas a segunda temporada de ‘Fallout’ mostra-nos vários novos clãs deste mundo pós-apocalíptico sendo que os mais importantes serão a fragmentada Caesar's Legion que existe, como o próprio nome indica assente numa filosofia Romana retro-futurista, a Nova República da Califórnia/NCR um grupo militar obsoleto e bastante reduzido que está alheado de vários acontecimentos importantes, e o Enclave que basicamente é o que resta do extinto governo dos Estados Unidos. Outra vertente em que a Season 2 de ‘Fallout’ se especializou é em desvendar a sequência de acontecimentos que impulsionaram o mundo para o seu estado actual essencialmente através dos flashbacks de Cooper Howard. Estes flashbacks dão-nos também a conhecer um dos personagens mais importantes e interessantes de ‘Fallout’, Robert House/Justin Theroux um personagem que sobreviveu 200 anos graças a um sofisticado suporte de vida e que é agora uma espécie de governador de New Vegas mas que antes do Apocalipse nuclear era um crucial magnata da tecnologia. Se a manutenção da qualidade média da serie estava garantida sem grande dificuldade o grande factor decisivo desta Season 2 de ‘Fallout’ é sem duvida o incrível desenvolvimento da história em simultâneo com o alargamento do “universo” ‘Fallout’.

7.5/10

[Trailer] 

sexta-feira, 27 de março de 2026

Pluribus - Season 1 (2025)

Uma das novidades na categoria das series em 2025 foi ‘Pluribus’. Com o selo Apple TV+ a série criada por Vince Gilligan (também criador do fenómeno ‘Breaking Bad’), tem de facto uma curiosa premissa, quando a humanidade recebe uma transmissão vinda do espaço (possivelmente extraterrestre) chega-se à conclusão que essa transmissão mais não é do que um código genético que os cientistas se apressam a reproduzir o que acaba por resultar num vírus que aparentemente não tem efeito nenhum em animais todavia depois de se espalhar rapidamente pela raça humana percebe-se que ele transforma as pessoas numa espécie de entidade colectiva altamente eficiente liberta de qualquer tipo de infelicidade ou sofrimento. Neste processo muitos humanos acabam por morrer pois não conseguem assimilar este efeito de mente universal e treze pessoas revelam-se mesmo completamente imunes à “infecção”, entre elas a nossa protagonista Carol Sturka, uma popular escritora Norte-Americana. Interpretada de forma formidável por Rhea Seehorn Carol “carrega o peso” da série às costas pois por decorrência do ritmo lento da série o foco está praticamente sempre em si. Carol vai vivendo no constante dilema de como lidar com este novo paradigma de sociedade, por um lado esta nova versão da raça humana obedece a todos os seus pedidos mesmo que completamente excêntricos como forma de lhe agradar, contudo ela sabe que o objectivo final desta entidade é que estas 13 pessoas acabem por ser incorporadas na mesma. ‘Pluribus’ apresenta-se como uma série “slow paced” em que os diálogos são básicos e pouco acrescentam ao contexto ainda que o tema seja subjacente seja irrefutavelmente interessante, uma anunciada segunda temporada talvez seja o palco ideal para o necessário desenvolvimento do enredo na sua vertente mais técnica e cientifica. 

7/10

[Trailer]  

terça-feira, 24 de março de 2026

The Mighty Nein - Season 1 (2025)

As séries de animação estão de facto num expoente de popularidade e a Amazon Prime que já detém uma das mais aclamadas (‘Invincible’), volta a apostar forte neste género com ‘The Mighty Nein‘. Baseada na segunda campanha de ‘Critical Role(uma série em que dobradores profissionais jogam o celebre jogo RGP Dungeons & Dragons) depois de uma primeira campanha também ela adaptada para série animada (‘The Legend of Vox Machina’), ‘The Mighty Nein‘ centra-se na história de vários personagens (Nott the Brave, Mollymauk, Caleb Widogast, Jester Lavorre, Beauregard e Fjord Stone) em simultâneo todos eles na situação de renegados da sociedade devido aos seus passados sombrios e traumáticos. Com uma fantástica animação e um argumento formidável que vai sendo desvendado lentamente o maior foco de interesse de ‘The Mighty Nein‘ acaba mesmo por ser os seus personagens, que além de escritos de forma magistral todos eles têm segredos que vão sendo revelados a um ritmo bem pautado ao longo dos episódios garantindo assim uma incrível evolução dos mesmos. Tenho também de referir a interessante temática da série que para além do tema da magia (alguns pontos de contacto com a sublime série ‘Arcane: League of Legends’) aborda outros assuntos mais pesados tais como traumas pessoais e até doutrinação de cariz político ou mesmo religioso. Uma ultima nota para os intensos e aditivos segmentos de acção e para a inclusão de uma inteligente pitada de humor negro com um efeito amenizador na forte carga dramática da série. Enormes expectativas para a segunda temporada de ‘The Mighty Nein‘.

8/10

[Trailer]