terça-feira, 15 de setembro de 2026

In The Grey (2026)

2026 fica também marcado pelo regresso de Guy Ritchie aos filmes, ele que ultimamente tem apostado num tipo de filmes mais “lineares” e sem o humor negro dissimulado que marcou o inicio da sua carreira. A história de ‘In The Grey’ centra-se no trio Rachel/Eiza González (3 Body Problem), Sid/Henry Cavill e Bronco/Jake Gyllenhaal, os três são a cara num grupo de operativos de elite especialista em cobranças difíceis ou mesmo no limiar do impossível. O nosso trio tem como missão recuperar uma divida de um bilião de dólares feito pelo autocrático criminoso Manny Salazar a uma empresa de gestão de ativos chamada Spencer Goldstein, todavia esta missão vai-se tornando cada vez mais desafiante devido à obstinação de Salazar. ‘In The Grey’ propõe-nos uma história interessante mesmo considerando o défice de originalidade e sequências de acção equilibras e sem exageros. Também a dinâmica entre os três principais actores funciona consideravelmente bem ainda que não exista grande profundidade nas personagens. Guy Ritchie recorre frequentemente a actores com quem já trabalhou, ele que parece deter uma espécie de shortlist de actores da sua confiança e isso volta a verificar-se em ‘In The Grey’. O ponto negativo a apontar ao filme é de facto o excesso de descrições dos planos feitos pela equipa, ‘In The Grey’ nem sequer é um filme muito longo mas estas extensas explicações quase obsessivas com o detalhe nada alteram ao enredo do filme e chegam a torna-se entediantes.

7/10

[Trailer] 

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

The Odyssey (2026)

Era o género de filme que faltava no diversificado reportório de Christopher Nolan? Desta vez Nolan conseguiu reunir bastantes anticorpos mesmo antes da estreia de ‘The Odyssey’. Acusações de influências do Wokismo ou mesmo cedência na política de quotas dos Óscares entre outras, confesso que talvez até inconscientemente eu também baixei as expectativas acerca de ‘The Odyssey’ mesmo considerando que Nolan é desde há muito tempo o meu realizador preferido. Sendo que podem ser válidos os argumentos de falta de rigor histórico especificamente na tonalidade de pele de Helen of Troy/Lupita Nyong'o ou na inclusão de Elliot Page (que já foi Ellen Page) como Sinon. É uma discussão um pouco similar a discutir os sexo dos anjos pois Odisseia é uma epopeia da Grécia antiga escrita por Homero, uma história que embora contenha factos reais também esta pejada de mitos e lendas, mas ainda existe uma razão mais contundente para tornar este debate inócuo, é que os personagens em questão são tão secundários que nem de forma residual influenciam o conteúdo de ‘The Odyssey’. Falando concretamente do filme posso dizer que fiquei surpreendido pela positiva, se nos aspectos técnicos Nolan já nos habituou a um invulgar padrão de excelência (desta vez até conseguiu cumprir o seu “fetiche” de filmar na integra com uma câmara IMAX), todavia foi na abordagem à mais que conhecida história que Nolan surpreendeu e de que maneira. O evento do cavalo de Troia sempre foi visto como um dos melhores golpes militares que há memória contudo Christopher Nolan interpreta-o de outra forma, e se as consequências de tal ataque tivessem sido tão traumáticas e permanentes que o triunfo militar resultante não tivesse merecido respectiva glorificação? A acção centra-se no regresso Odysseus/Matt Damon e a sua tripulação a Ithaca, uma longa e conturbada viagem onde vão enfrentando uma insólita panóplia de inimigos. Nas interpretações o destaque tem forçosamente que ir para Matt Damon bem acompanhado por Anne Hathaway/Penelope, Robert Pattinson/Antinous, John Leguizamo/Eumaeus e Charlize Theron como Calypso em contraste com a despontante performance de Tom Holland na pele de Telemachus (filho de Odysseus). Uma ultima nota até porque o post já vai bem longo para a ausência dos deuses, podemos dizer que a sua presença sente-se e está subentendida, até a aparição de Athena pode ser entendida apenas como uma manifestação do sentimento de culpa de Odysseus. Correu na altura um rumor não confirmado que Christopher Nolan estaria na calha para realizar ‘Troy’ acabando por ficar com ‘Batman Beginscomo prémio de consolação portanto respondendo à pergunta do inicio, com todos os defeitos que ‘The Odyssey’ pode ter Nolan teve condão de abrir uma nova perspectiva sobre uma das histórias mais icónicas da literatura antiga.

8/10 

[Trailer] 

sábado, 5 de setembro de 2026

Mastodon - Marrow Deep (2026)

Marrow Deep’, o nono álbum da carreira dos Norte-Americanos Mastodon teve todos os condimentos para ser o mais desafiante da carreira da banda. Recapitulando, aparentemente já na altura do dececionante ‘Hushed And Grim’ a relação entre Brent Hinds o os restantes elementos da banda estava longe de ser a melhor (a qualidade do álbum reflete-o de forma clara), e em março do passado ano a inevitável cisão acontece e Brent saí em definitivo da banda de forma algo tempestuosa, todavia a espiral negativa não ficaria por aqui pois cerca de cinco meses depois é noticiado o precoce falecimento de Brent após um trágico acidente de viação. Os quatro “cavaleiros” que há 25 anos conseguiram juntar magistralmente o Sludge Metal com o Progressivo ficavam agora órfãos de quem era apontado por muitos como a alma criativa da banda. Na verdade os Mastodon decidiram seguir em frente logo após a saída de Brent da banda, contudo o seu inesperado desaparecimento teve uma óbvia e natural repercussão na construção de ‘Marrow Deep’. Eu diria que o álbum não só tem o mérito de encaixar na identidade musical da banda como até consegue de alguma forma inverter o declino que tinha tido o seu ponto mais baixo em ‘Hushed And Grim’. Para além da adição Nick Johnston como guitarrista os Mastodon decidiram ainda a incorporação de um teclista (o brasileiro João Nogueira), e ambos acabaram por ter um impacto positivo em ‘Marrow Deep’ comprovado em temas como ‘Your Ghost Again’, ‘They're Coming For You’ ou ‘Golden Spires’. Uma ultima nota para o notável “elenco” de convidados de ‘Marrow Deep’ onde se prefiguram nomes como Josh Homme (Queens Of The Stone Age), Joseph "Joe" Duplantier (Gojira), Geezer Butler (Black Sabbath/GZR) ou Randy Blythe (Lamb Of God). Mais importante do que ser um fantástico álbum ‘Marrow Deep’ mostra toda a força de vontade e determinação dos Mastodon no momento mais conturbado da sua carreira.

7.5/10 

[Sample] 

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Hämnd - Bortom (2026)

Estrearam-se de forma absoluta em 2024 com o EPEldhav’ mas foi preciso esperar mais dois anos para ouvirmos o seu primeiro álbum de originais ‘Bortom’ (curiosamente com o mesmo número de temas que o EP), falo dos Suecos Hämnd. Se é verdade que o Post-Metal é dos subgéneros que mais têm crescido nas ultimas duas décadas (os Neurosis abriram uma caixa de pandora que não mais se fechou), também é verdade que estranhamente a Suécia tem passado um pouco ao lado desta “febre” contudo a excepção aí está a chama-se Hämnd. Composto por apenas quatro faixas ‘Bortom’ é o mais forte candidato à melhor estreia de 2026, Post-Metal com tudo a que temos direito em conluio com o seu fiel amigo Atmosferic Sludge Metal. Um ambiente desolador e dissonante (Post-Metal by the book) serve de tela aos riffs pausados, densos e tempestuosos com uma forte carga emocional amplificados de forma perfeita pelas vocalizações sôfregas e ardentes de Magnus Strigner. A qualidade de ‘Bortom’ oscila de forma quase residual pelos quatro temas que o integram contudo arrisco o destaque para ‘Orkan’, a faixa que encerra ‘Bortom’. Muita expectativa para os próximos lançamentos dos Hämnd, a banda que pôs em definitivo a Suécia no “mapa” do Post-Metal

8/10 

[Sample] 

domingo, 30 de agosto de 2026

Guilt Trip - Armour Of Angels (2026)

Continuamos com o foco no Hardcore mas agora viajamos até ao outro lado do atlântico mais precisamente até Manchester. Eles são uma estreia aqui no Blog e estiveram no nosso país no passado mês de Março onde proporcionaram um formidável concerto, falo dos Britânicos Guilt Trip mais concretamente no seu mais recente álbum ‘Armour Of Angels’. ‘Armour Of Angels’, o quarto trabalho dos Guilt Trip mostra na perfeição a essência do quinteto oriundo de Manchester, Hardcore cru, pulsante e dinâmico a fervilhar de agressividade, ainda que seja um Hardcore moderno longe do Punk Hardcore de raízes Nova-iorquinas, pois são também identificáveis as influências do Thrash e no Groove. ‘Armour Of Angels’ não é certamente num álbum inovador pois apesar das meritórias tentativas da banda em alternar a velocidade com breakdowns incisivos e intensos a monotonia da repetibilidade acaba eventualmente por se instalar após algumas audições. Tenho de destacar a excelência da produção que faz sobressair e de que maneira todo o poder dos riffs densos e castigadores que os Guilt Trip adoptam como uma espécie de imagem de marca. Outro assunto em destaque é a participação de Sonny Sandoval (P.O.D.) no tema ‘Resurrected’, tema que acaba por ficar com uma propositada e inevitável roupagem Nu-Metal. Os Guilt Trip têm sido uma das fortes apostas na “reencarnação” da icónica Roadrunner Records e ‘Armour Of Angels’ é mais um passo firme e sustentado na curta mas solida carreira da banda. 

7.5/10

[Sample]  

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Cancer Bats - Give Me Dirt (2026)

Subimos ligeiramente no mapa e vamos até ao Canadá para abordar-mos o mais recente trabalho dos Canadianos Cancer Bats intitulado ‘Give Me Dirt’. Temos escalpelizado a carreira da banda álbum a álbum aqui no Blog e ‘Give Me Dirt’ nunca seria excepção, lançado no passado dia 7 de agosto é o oitavo álbum da banda a encerra uma espera de quatro anos. Começamos então pelo grande desafio que os Cancer Bats tinham pela frente, a substituição do seu guitarrista Scott Middleton, ele que saiu antes do seu ultimo álbum ‘Psychic Jailbreak’. Dado que o familiar compósito sonoro de Punk/Hardcore/Sludge/Southern e Stoner que desde “tenra idade” os Cancer Bats adoptaram tem como ponto fulcral a dinâmica e o vigor dos seus riffs este era sem duvida um assunto bastante sensível e a banda resolveu-o de forma...criativa, vamos dizer assim. Sem anunciarem uma substituição directa a banda contou com a participação do guitarrista Chris Creswell em vários temas do álbum, aliás ‘Give Me Dirt’ é um álbum cheio de colaborações tais como a de Nate Newton (Converge) no tema de abertura ‘World Wild Fire Death Race’, a da vocalista Canadiana Brooklyn Doran em ‘Long Tooth’ ou na do também vocalista Efrem Schulz (Death By Stereo) na faixa que encerra ‘Give me Dirt’, ‘Fools Like You’. Qualitativamente eu diria que ‘Give Me Dirt’ está um degrau acima do seu antecessor essencialmente em virtude da energia transmitida pelos riffs simultaneamente vertiginosos e densos bem espelhados em temas formidáveis como ‘Stay Stuck’ ou no próprio tema título mas também consequência directa da excelência da produção que ficou a cargo de Kurt Ballou (Converge).

7.5/10 

[Sample] 

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Madball - Not Your Kingdom (2026)

Continuamos em território Norte-Americano mais precisamente em Nova Iorque para analisarmos o décimo álbum de estúdio de uma das maiores lendas do Hardcore mundial (há quem diga que é mesmo a maior), não é muito difícil de adivinhar que falo dos Madball mas concretamente de ‘Not Your Kingdom’. Talvez espicaçados pelos seus companheiros de armas Biohazard com o lançamento de ‘Divided We Fall’ em 2025, os Madball respondem com este ‘Not Your Kingdom’ contudo se o regresso os Biohazard foi uma excelente surpresa no caso dos Madball não posso afirmar o mesmo. Oito longos anos de espera (a maior na longa carreira da banda), para ouvirmos finalmente o sucessor de ‘For The Cause’ e a desilusão vai-se instalando com o passar dos temas, nem vou à critica fácil da falta de originalidade pois estamos a falar de Hardcore no seu estado mais puro e ninguém está à espera que os Madball decidam enveredar pelo experimentalismo (seja lá o que isso for neste caso especifico) após mais de trinta e cinco anos de carreira. O que eu esperava sim eram malhas que se distinguissem o que não abunda em ‘Not Your Kingdom’. Com as honrosas exceções de ‘Stab Wounds’ e ‘Family First’ o álbum é composto maioritariamente por temas completamente básicos e vulgares, rápidos e curtos é verdade mas sempre a resvalarem para um Punk simplista e retrogrado reduzindo e de que maneira o espaço para os riffs carregados de Groove que os Madball tão bem sabem debitar. Concluo que ‘Not Your Kingdom’ não é de todo o álbum que se previa especialmente tento em conta a expectativa criada pelo anormal hiato de tempo e sobretudo pela inequívoca qualidade da banda.

6/10 

domingo, 23 de agosto de 2026

Devildriver - Strike And kill

Quem é que já tinha saudades dos Devildriver? Pois é a banda liderada pelo carismático Dez Fafara está de volta com o seu décimo álbum de originais ‘Strike And kill’ (sim estou a desconsiderar o álbum de covers ‘Outlaws 'Til The End, Vol. 1’). Depois de debelados os problemas de saúde pós pandemia de Dez Fafara a banda está de regresso deixando para trás um duplo álbum (‘Dealing With Demons Vol. Ie II’) que ficou aquém das expectativas. ‘Strike And kill’ trás-nos uns Devildriver de regresso ao seu melhor, por certo o regresso do seu baixista fundador (Jon Miller) teve o seu contributo para a consistência do álbum. Longe de ser um álbum inovador ‘Strike And kill’ consegue exibir uns Devildriver com “fome” de fazer estragos, o seu mix característico de Groove Thrash Metal e Death Metal Melódico tende a estar confinado a um particular estrangulamento criativo contudo desta feita a qualidade de vários temas do álbum fala por si, com o single ‘Dig Your Own Grave’ e ‘Sanctified In Scars’ à cabeça. Também os dois temas mais melódicos do álbum (‘In The Moonlight’ e ‘Summoning Shadows’) ganharam particular evidência não só por enriquecer a diversidade do álbum mas por oferecerem o “palco” ideal para Fafara exibir as suas formidáveis vocalizações em toda a sua incrível amplitude. Em suma ‘Strike And kill’ não é nem seria de esperar que fosse um álbum disruptivo todavia parece-me pacifico dizer que é o álbum mais competente da banda desde ‘Winter Kills’.

7.5/10

[Sample] 

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Combichrist - The Venom In The Mouth Of God (2026)

Ainda na ressaca do fantástico concerto no passado dia 9 em pleno Vagos Metal Fest dificilmente haveria melhor altura para uma review do mais recente trabalho dos CombichristThe Venom In The Mouth Of God’. Tem sido progressivo moroso o regresso dos Combichrist às suas origens todavia se a sua abrupta industrialização por certo agarrou alguns fãs do espectro da musica mais pesada é bem possível que esta lenta desindustrialização também esteja a recuperar os aficionados da musica mais Eletrónica. The Venom In The Mouth Of God’ é muito mais do que uma simples sucessão lógica ‘CMBCRST’, para além de entrar directamente para o pódio dos melhores álbuns da banda (quiçá mesmo o melhor) recupera a essência dos Combichrist, o Aggrotech personalizado e maturado com ténues insurgências de Industrial onde a batida Techno marca o ritmo intenso e constante. Se em termos líricos a banda continua a apostar em temáticas com uma forte carga anti-religiosa, Nietzschesiana sempre com o foco apontado à continua desumanização, na vertente sonora é gratificante e entusiasmante voltar a sentir o vigor da pulsante e vibrante energia do EBM/Aggrotech a fluir pelos treze temas que integram The Venom In The Mouth Of God’. É desafiante filtrar faixas num álbum com este tipo de consistência ainda assim arrisco ‘Desolation’, ‘Born Deströyer’, ‘Rise’ e ‘Venom’ como os temas “orelhudos” de The Venom In The Mouth Of God’, um dos mais fortes candidatos a melhor álbum de 2026. Uma ultima nota para Andy LaPlegua, que continua a ser um dos melhores vocalistas deste subgénero em particular.

8.5/10

[Sample] 



domingo, 16 de agosto de 2026

Maquina. - Body Transmission (2026)

Depois de um merecido descanso estamos de volta e continuamos em solo nacional. Ao chavão “em Portugal faz-se musica muito boa” (normalmente em resposta a um complexo de inferioridade mal camuflado), eu respondo com um não é bem assim, ou pelo menos no que à musica realmente inovadora ou fora da caixa diz respeito os exemplos são escassos. Precisamente para contrariar essa afirmação temos o caso do trio Lisboeta Maquina. composto por Halison Peres (bateria e voz), João Cavalheiro (guitarra) e José "Mendy" Rego responsável pelo baixo. Os Maquina. têm sido uma incrível surpresa e a meu ver a banda portuguesa mais entusiasmante nos últimos largos anos, para já vamos-nos debruçar sobre o seu ultimo lançamento ‘Body Transmission’ ficando desde já a promessa que iremos a seu tempo também analisar os seus dois primeiros trabalhos. ‘Body Transmission’, na minha opinião o melhor álbum da banda até ao momento mostra uns Maquina. como uma verdadeira máquina sonora no seu auge de eficácia, um pulsante e apaixonante turbilhão criativo que mistura a energia do EBM com o Post-Punk Eletrónico, o Noise, o Krautrock e o Industrial, uma amálgama sonora que ninguém consegue descrever de forma precisa mas que contagia até o ouvido mais céptico. De uma vertente mais estrutural as sonoridades dos Maquina. podem-se descrever partindo dos ritmos repetitivos e hipnóticos do baixo acompanhados de perto pela bateria pulsante e dinâmica e pelos riffs que conseguem confluir o Psicadélico, o Industrial e o Noise numa só essência. Sem temas descartáveis tenho de destacar ‘Collapsing’, ‘Agony’, ‘Simulation’ e ‘Step on Me’, faixas que certamente irão engrossar o já de si incrível “cardápio” da banda ao vivo. Não, não se faz assim tão boa musica em Portugal contudo de quando em vez surgem pérolas como ‘Body Transmission’. O mais inacreditável é que trio Lisboeta compõe musica com esta qualidade de forma tão fácil e genuína que para eles parece ser apenas mais um dia no escritório.

8.5/10

[Sample]  

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Moonspell - Far From God (2026)

Eles são de facto uma banda a sério, falo dos Moonspell a propósito do seu décimo terceiro álbum de originais ‘Far From God’. E porquê uma banda a sério? os Moonspell são detentores de uma carreira invejável que ultrapassa os 30 anos onde já quase tudo foi experimentado, desde infindáveis tours, versões acústicas, versões com orquestra, projectos paralelos (Dæmonarch) e várias transformações de identidade musical, tudo isto foi glorificado com um enorme sucesso internacional e um tardio reconhecimento nacional, ora com toda esta bagagem para onde caminha o mais prestigiado quinteto Português de Metal? Depois de ‘Hermitage’ aparentemente os Moonspell decidiram recuperar a sua vertente mais dirigida para o Gothic Rock/Metal, uma decisão sagaz mas que teve longe de correr conforme o idealizado. O grande “pecado” de ‘Far From God’ não se prende com a sua orientação musical mas sim com uma clara falta de criatividade quem vem assombrando a banda há mais de uma década, três dos últimos quatro álbuns dos Moonspell (‘Extint’, ‘Hermitage’ e ‘Far From God’) deixam bastante a desejar. Os temas sucedem-se quase sempre numa toada de pseudo-balada de Gothic Rock, insípidos, entediantes, desinteressantes quase a roçar a vulgaridade. Existem algumas exceções? Claro que sim, ‘The Great Wolf In The Sky’, ‘Your Promise Of Light’ e ‘Our Freedom To Fall’ serão porventura faixas que entrariam de forma natural no “cardápio” de um ‘Darkness And Hope’ mas que ainda assim seriam provavelmente das mais fracas desse álbum. É caso para dizer que ‘Far From God’ está “far from good”.

6/10 

sábado, 18 de julho de 2026

ΦΩΣ - I Am The Light (2025)

Outro regresso importante em 2025 foi o do Grego Athanasios "Thespieus" Papangelis, ele que já tinha entusiasmado os aficionados do Black Metal mais tradicional com o seu projecto Svet particularmente através do seu excelente álbum de estreia simplesmente intitulado ‘The Truth’ em 2022. Pois bem Athanasios voltou ao activo em 2025 mas com um outro projecto desta vez identificado por ΦΩΣ que significa (Phos) ou luz no alfabeto Grego através do álbum ‘I Am The light’. A obsessão de Athanasios com a palavra luz é tão evidente que me obrigou a confirmar que ΦΩΣ não seria apenas uma alteração de nome dos Svet. Tal como no projecto Svet também aqui Athanasios é o responsável por toda a concepção musical e também aqui o Black Metal tem o papel principal das sonoridades da banda. Um Black Metal num formato bastante tradicional quase em jeito de tributo ao Black Metal Escandinavo do inicio da década de 90, contudo os ΦΩΣ aproveitam (e bem) algum do Folk Helénico para aprimorar uma atmosfera mística que acaba também ela por ser uma característica marcante das sonoridades da banda. Resta abordarmos a perspectiva lírica de ‘I Am The light’, que, como seria de esperar revolve em torno do significado de “luz”, da ambivalência entre o fogo e o Sol (duas importantes fontes de luz) e o seu contraste com a escuridão. Em tempos onde escasseiam lançamentos de qualidade intrínseca no domínio do Black Metal ‘I Am The light’ é uma importante e empolgante excepção.

7.5/10

[Sample]  

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Urzah - A Tranquil Void (2026)

Dois anos depois de uma auspiciosa estreia com ‘The Scorching Gaze os Britânicos Urzah estão de regresso com o seu segundo álbum de estúdio intitulado ‘A Tranquil Void’. Entraram com impacto no domínio do Post-Metal/Sludge intrincado com Progressivo e agora o grande desafio seria a confirmação, não só da sua identidade musical como da qualidade evidenciada na sua estreia. Em abono da verdade talvez ‘A Tranquil Void’ não tenha atingido exatamente o mesmo patamar qualitativo que o seu antecessor mas eu diria que por muito pouco, todavia no que à sua identidade sonora diz respeito o quarteto oriundo de Bristol mostra de forma inequívoca que o seu compósito de Post-Metal/Progressivo e Sludge Metal está cada vez mais consolidado. A grande diferença a registar quando comparado com o seu antecessor é que em ‘A Tranquil Void’ o Progressivo conquistou de facto mais algum espaço. Também na vertente ambiental a banda parece apresentar-se com uma outra maturidade exibindo uma interessante dinâmica entre o magnetismo e agressividade dos riffs com o carimbo Sludge e os segmentos mais atmosféricos. Destaco as incontornáveis ‘Infernal Star Ie
Infernal Star IIos dois temas onde mais sobressai a capacidade técnica dos Urzah mas também The Call Beneathe ‘In The Mouth Of The Wolf’, ambos a provocarem reminiscências dos Norte-Americanos Mastodon.

8/10

[Sample]  

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Combichrist - CMBCRST (2024)

Outro álbum que nos passou ao lado foi o décimo da já longa carreira de Andy LaPlegua e dos seus estimados CombichristCMBCRST’. O álbum que remonta a maio de 2024 vem cinco anos depois de ‘One Fire’ e apenas dois depois do EPHeads Off’ e a minha primeira critica acerca de ‘CMBCRST’ está precisamente relacionada com o já referido EP. Parece-me senso comum que um EP pode e deve funcionar como uma espécie de “aperitivo” para o que se sucede e no caso especifico dos Combichrist é mesmo o seu primeiro EP por muito estranho que pareça contudo a banda decidiu incorporar na totalidade ‘Heads Off’ em ‘CMBCRST’ o que a meu ver retira qualquer tipo de lógica ao lançamento de ‘Heads Off’. ‘CMBCRST’ é possivelmente o melhor álbum da banda em anos e porquê? Eu diria que a principal razão prende-se com o facto de Andy LaPlegua ter conseguido finalmente consolidar um difícil equilíbrio sonoro entre as duas assumidas vertentes da banda, Industrial Metal e Aggrotech. Tal como já tinha acontecido em ‘Heads Off’ também em ‘CMBCRST’ existem temas a gosto das duas “facções” que têm acompanhado a banda, Complianceou ‘Children of Violence’ para os mais aficionados do Eletrónico/Aggrotech ou ‘Planet Doom’ ou ‘D for Demonic’ (bem a puxar às sonoridades dos seus conterrâneos Ministry) para quem é mais apreciador de um Industrial com riffs bem orelhudos. Todavia penso que o grande mérito dos Combichrist neste ‘CMBCRST’ é terem alcançado esse já referido equilíbrio musical não só entre temas como também dentro do próprio tema, as formidáveis ‘Only Death Is Immortale ‘Through The Ravens Eyessão talvez os melhores exemplos disso mesmo. A dias do lançamento do seu décimo primeiro álbum as expectativas são muito boas.

8/10

[Sample]  

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Mantar - Post Apocalyptic Depression (2025)

Começo por pedir desculpa pelo atraso pois o álbum que vamos analisar remonta a Fevereiro de 2025 no caso o quinto da dupla Alemã Mantar intitulado ‘Post Apocalyptic Depression’. Depois de uma fase inicial em que os Mantar assentaram as suas sonoridades num mescla entre Sludge e Punk a banda foi evoluindo e modernizando as suas composições até The Modern Art Of Setting Ablaze’, a meu ver o ponto mais alto da sua carreira até ao momento contudo de forma algo estranha e até imprudente diria eu, a banda voltou alguns passos atrás com Pain Is Forever And This Is The Ende ‘Post Apocalyptic Depression’ continua nessa toada de regresso às origens. ‘Post Apocalyptic Depression’ é claramente o álbum mais Punk da banda, eu diria que todas as outras influências perderam bastante espaço, o álbum é cru, directo e rápido (não só em termos de vertigem mas também na duração das faixas), mas por outro lado também representa um óbvio retrocesso criativo pois a estrutura musical é agora bem mais elementar e vulgar. Apesar da sua assumida admiração pelo Grunge particularmente por uma fase precoce dos incontornáveis Nirvana os Mantar já provaram e de que forma que conseguem compor temas com um diferente nível de complexidade e relevância. Independentemente de um bom punhado de riffs dinâmicos, enérgicos e acima de tudo bem executados ‘Post Apocalyptic Depression’ não é um álbum que ascenda acima do satisfatório. Destaco os temas ‘Morbid Vocatione ‘Cosmic Abortioncomo os mais interessantes do álbum.

7/10 

[Sample] 

domingo, 12 de julho de 2026

Erdve - Epigrama (2026)

Eles são Lituanos e temos acompanhado ao pormenor a sua (ainda curta carreira) aqui no blog, falo dos Erdve a propósito do seu terceiro álbum de originais ‘Epigrama’. Cinco anos depois de Savigailaos Erdve regressam com uma nova proposta musical (‘Epigrama’) e a primeira consideração a reter sobre o álbum é a sua consistência, um factor que aliás têm sido habitual em todos os trabalhos da banda. Se é verdade que nenhum dos seus álbuns pode ser considerado “mind blowing” também não é menos verdade que todos eles se enquadram num nível alto. Os Erdve têm também traçado um caminho no qual conseguem sempre apresentar vitalidade nas suas sonoridades sem beliscar a sua vincada identidade musical e ‘Epigrama’ é mais um bom exemplo disso. Apesar de uma renuncia quase total às (cada vez menos frequentes) influências de Black Metal o seu híbrido de Hardcore, Sludge Metal e Post-Metal continua sólido, contemporâneo e impactante. ‘Epigrama’ destaca-se também por uma atmosfera com texturas de Post-Metal cada vez mais assíduas amplificadas por riffs (por vezes com uma afinação a puxar ao Djent), densos, implacáveis e crus a fazer lembrar bandas como LLNN ou Maussade. Na sua vertente lírica ‘Epigrama’ pode ser categorizado como um álbum que explora conceitos mundanos como o Niilismo, a decadência humana e social mas sempre numa perspectiva trágica e céptica. Saliento os temas ‘Nyra’, ‘Trukmė’, ‘Svertas’ e ‘Raukšlės’ como os mais impressionantes de Epigrama’, sem dúvida um dos álbuns a ter em conta em 2026.

7.5/10 

[Sample] 

 

terça-feira, 30 de junho de 2026

At The Gates - The Ghost of a Future Dead (2026)

É difícil de acreditar que ‘The Ghost of a Future Dead’ foi o titulo escolhido pelos Suecos At The Gates antes do precoce desaparecimento do seu icónico líder Thomas Lindberg. É impossível falarmos de ‘The Ghost of a Future Dead’ sem falar do inesperado falecimento de Lindberg até porque apesar do álbum ter sido lançado a titulo póstumo as vocalizações foram ainda inteiramente da sua responsabilidade. Lindberg vai por certo ser reconhecido como a mais emblemática personagem do chamando Gothenburg Metal, não só por ter participado de forma bastante activa na sua génese mas também pelo numero de projectos de edificou dentro deste particular sub-género (Nightrage e The Great Deceiver são bons exemplos). Feita a mais que justificada homenagem o foco centra-se agora no álbum. ‘The Ghost of a Future Dead’ (o oitavo e derradeiro álbum da banda) tem sido apontado como o melhor dos At The Gates desde o seu surpreendente regresso em 2014, eu diria que talvez a óbvia carga dramática esteja a influenciar de forma decisiva as opiniões e não é porque o álbum não seja consistente nada disso, todavia eu acho que com a excepção de ‘To Drink From The Night Itself(2018) que está a meu ver um furo abaixo, os outros três álbuns da banda desde o seu retorno estão a um nível muito semelhante. Ao contrário do que aconteceu em ‘The Nightmare OfBeingdeste vez os At The Gates voltaram às suas sonoridades primordiais onde de facto parece que conseguem sempre superar toda a concorrência, a receita do Gothenburg Metal é por demais conhecida e experimentada mas com os At The Gates ela leva sempre um condimento especial e secreto. É complicado escolher um destaque num álbum tão compacto e regular ainda assim arrisco o tema ‘A Ritual of Waste’, uma faixa bem característica das sonoridades típicas do aclamado quinteto Sueco. Um até sempre para Thomas Lindberg, o seu legado por certo perdurará.

7.5/10

[Sample] 

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Six Feet Under - Next To Die (2026)

A sua regularidade é de facto assinalável, os Norte-Americanos Six Feet Under lançaram no final do passado mês de Abril o seu décimo sexto álbum de originais ‘Next To Die’. Confesso que por esta altura o espírito para ouvir algo novo do quinteto Norte-Americano é o mesmo de encarar uma inevitabilidade como fazer o IRS ou ir ao dentista tal não é o nível de previsibilidade que a banda já nos acostumou. Se Nightmares Of The Decomposedfoi aceite de forma quase consensual como o ponto mais baixo da longa carreira da banda em Killing For Revengepelo menos esse declínio foi invertido portanto as expectativas para este ‘Next To Die’ nunca poderiam seriam muito altas. ‘Next To Die’ confirma que os Six Feet Under ainda têm “sumo”? Não necessariamente, eu diria que o álbum está ao nível do seu antecessor, consumível mas facilmente descartável e esquecível. A sua fórmula de Zombie Death Metal está esgotadíssima, quer nos temas quer nas composições musicais tudo parece uma espécie de reciclagem de musicas que a banda já previamente fez, dizer que os Six Feet Under estão no beco criativo por esta altura é um eufemismo. Ainda assim ‘Next To Die’ contém alguns temas comestíveis dentro da monotonia generalizada, ‘Wrath And Terror Takes Commande ‘Skin Coffinssão provavelmente os melhores exemplos disso em contraste ‘Mister Blood And Guts’, uma faixa completamente ridícula, embaraçosa e talvez mais consentânea com o actual momento da banda.

 6/10