segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Psychonaut - World Maker (2025)

Será que ir progressivamente absorvendo o legado dos The Ocean é o suficiente?! Não, não é o os Belgas Psychonaut estão perfeitamente conscientes disso. As semelhanças são óbvias e reconhecidas pelos próprios, além de partilharem a mesma editora (Pelagic Records) os The Ocean de alguma forma têm apadrinhando a fantástica ascensão do trio Belga nessa mesma editora. Com uma carreira marcada por passos convictos e seguros os Psychonaut lançaram no passado dia 24 de Outubro o seu terceiro álbum de originais ‘World Maker’. É preciso uma resistência assinalável para não ficarmos completamente apaixonados por ‘World Maker’ logo na primeira audição, os mais saudosistas irão dizer que o antecessor ‘Violate Consensus Reality’ ou mesmo ‘Unfold The God Man’ contêm temas mais emblemáticos, admito que sim contudo em termos de consistência e regularidade não tenho dúvidas é assinalar ‘World Maker’ como o melhor álbum da banda até ao momento. Um formidável dualismo entre Post-Metal e Progressivo onde a criatividade e o talento vão alicerçando um caminho norteado por uma aura psicadélica acabando invariavelmente num clímax emocional que é um verdadeiro deleite para os sentidos. Não posso deixar de falar no guitarrista/vocalista Stefan de Graef que vai “saltitando” entre os Psychonaut e os Hippotraktor (também eles integrados na Pelagic Records), pondo ao serviço de ambas as bandas a sua inequívoca perícia. É mandatório ouvir ‘World Maker’ na íntegra ainda assim atrevo-me a destacar o tema ‘All In Time’…é só mais uma pérola das muitas com que os Psychonaut nos têm brindado. 

9/10

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quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Conjurer - Unself (2025)

Apesar de ser ter tornado um subgénero bastante popular nos últimos quinze anos não o é particularmente no Reino Unido todavia os Conjurer têm sido uma espécie de porta-estandarte do Post-Metal em terras de sua majestade. Três anos depois de ‘Páthos’ os Conjurer voltam a conjurar ("Pun intended"), desta feita o seu terceiro trabalho de originais ‘Unself’. Completamente libertos de dogmas musicais, eu diria que os Conjurer exteriorizam com ‘Unself’ a sua versão mais Neurosis, um álbum que agrega o Post-Metal ao seu indissociável e fiel aliado Sludge Metal com uma carga simultaneamente emocional e gravitacional digna de registo. Se no tema ‘All Apart’ a banda mostra que a impetuosa e pulsante onda de Sludge Metal também é compatível com infusões de Black Metal temos por exemplo ‘This World Is Not My Home’ou ‘Let Us Live’ onde sobressai um arrastamento mais compatível com o Doom Metal mas se preferirem faixas mais em concordância com as sonoridades dos “padrinhos” da mescla Sludge/Post-Metal (os já referidos Neurosis), eu aconselharia ‘There Is No Warmth’ ou ‘Foreclosure’, o ponto mais alto de ‘Unself’ no meu ponto de vista. Não dira que ‘Unself’ confirma em definitivo a inequívoca qualidade dos Conjurer, ‘Páthos’ já tinha cumprido esse desígnio, eu acho que ‘Unself’ mostra sim que a banda ainda tem muito potencial de expansão em termos de criatividade e de identidade.  

7.5/10

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domingo, 26 de outubro de 2025

Tombs - Feral Darkness (2025)

Cinco anos depois da interessante proposta ‘Under Sullen Skies’ os Norte Americanos Tombs estão de regresso com sexto álbum de originais ‘Feral Darkness’. Se há característica que tem diferenciado este quarteto Nova-iorquino é a sua abordagem pouco convencional na concepção de cada álbum e ‘Feral Darkness’ não é excepção. Catalogados (não em nome próprio entenda-se) como uma banda de Post Black Metal os Tombs decidiram em ‘Feral Darkness’ complicar ainda mais as infrutíferas tentativas de encaixar as suas sonoridades numa qualquer “gaveta”. Se apesar da verdadeira “salada” de influências, ‘Under Sullen Skies’ era maioritariamente um álbum de Black/Sludge Metal, ‘Feral Darkness’ exibe uns Tombs muito mais virados para dar preponderância ao Death Metal e ao Doom sendo que a sua “trademark” continua bem vincada, cada tema tem uma essência muito própria e pode oferecer sonoridades completamente dispares do anterior. Temos Black Metal sujo, cavernoso e pestilento em ‘Black Shapes’ e ‘Wasps’, Doom melódico em ‘The Sun Sets’, uma natural mistura de Doom com Post-Metal em ‘The Wintering’ e ainda o Death Metal doentio bem ao estilo dos seus compatriotas Necrophagia em ‘Glass Eyes / Ghoul’ e ‘Granite Sky’. Esta impressionante abrangência sonora contida dentro um só álbum acaba por ser simultaneamente positiva e negativa pois se por um lado promete que ‘Feral Darkness’ dificilmente se vai tornar entediante com o tempo por outro também mostra que a banda tem muita relutância em definir o seu rumo musical. 

8/10 

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quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Soulfly - Chama (2025)

A carreira dos Soufly é sem dúvida uma excelente métrica para explicar como o tempo passa rápido, parece que foi ontem que o lendário vocalista Max Cavalera abandonou os Sepultura contudo os seus Soulfly já atingiram a respeitável marca dos 25 anos de carreira. Uma das coisas que tem pautado a carreira da banda é a regularidade no lançamento de álbuns portanto três anos depois de ‘Totem’ aí está o seu décimo terceiro de originais ‘Chama’. Os Soulfly agora oficialmente compostos apenas por Max, o seu filho Zyon na bateria e Mike DeLeon na guitarra mostram que ‘Chama’ tem indubitavelmente uma “chama” revivalista, e não é um revivalismo do tribalismo que marcou com impacto as sonoridades primordiais da banda mas sim um revivalismo do Thrash cru, violento e intempestivo da fase mais emblemática dos Sepultura (‘Arise’ e ‘Chaos A.D.’). Talvez inspirado pelas consecutivas tours temáticas desses mesmos álbuns com o seu irmão Igor (Cavalera Conspiracy) Max tem progressivamente injectado mais Thrash em detrimento da vertente mais tribal em cada novo álbum de Soulfly. Outra diferença que já se vinha a notar em álbuns anteriores mas que em ‘Chama’ se acentua é que o Groove Thrash também tem vindo a perder terreno para uma abordagem com Thrash mais tradicional (vamos dizer assim), temas como a supersónica ‘Ghenna’ ou a formidável ‘Favela / Dystopia’ comprovam-no todavia ‘Chama’ ainda contem faixas altamente representativas das sonoridades “clássicas” da banda como ‘Storm The Gates’ou ‘Always Was, Always Will Be...’ (o nome acaba por ser auto-explicativo). 

7.5/10

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segunda-feira, 20 de outubro de 2025

Juneau - Scraps Of The Final Lights (2025)

Originários da região da Flandres na Bélgica mas concretamente da cidade Heist-op-den-Berg os Juneau começaram a sua pequena carreira em 2019 lançando o seu primeiro álbum de originais em 2021 ‘Cloak’ que ainda vamos ter oportunidade de analisar aqui no Blog. Quatro anos depois o trio Belga está de volta com ‘Scraps Of The Final Lights’, o seu segundo álbum. Muito bem acompanhados pelos seus conterrâneos Hemelbestormer e Pothamus também os Juneau apontam as suas sonoridades para um Post-Metal essencialmente focado em atmosferas dissonantes e etéreas conectadas através de riffs com uma elevada carga dramática com o intuito de provocar uma intensa e enérgica resposta emocional ao ouvinte. Tal como os seus já referidos compatriotas Hemelbestormer também os Juneau têm optado pela exclusão de vocalizações ficando a responsabilidade musical apenas entregue à vertente instrumental, uma escolha recorrente em bandas que se inserem no âmbito do Post-Metal mais orientado pela dimensão ambiental. Composto por apenas cinco temas ‘Scraps Of The Final Lights’ acaba por ser um álbum que faz da sua consistência e indivisibilidade os seus pontos mas fortes, todavia gostava de destacar as faixas, ‘Dissolve’ e ‘Heave’.

7/10

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