terça-feira, 13 de janeiro de 2026

O legado de David Lynch

 


Faz no próximo dia 16 de Janeiro precisamente um ano que o mundo do cinema perdeu uma das suas maiores pérolas, falo do conceituado realizador David Lynch. Entre todas as suas faculdades que vão desde argumentos, escrita, musica entre outras foi na arte da realização que Lynch mais se destacou. Se filmes como ‘Eraserhead’ (1977), ‘The Elephant Man’ (1980) e ‘Blue Velvet’ (1986) foram-lhe dando protagonismo ainda numa fase inicial da sua carreira foram ‘Dune’ (1984) e muito particularmente a icónica série ‘Twin Peaks’ (1989) que o elevaram a realizador de culto, todavia a meu ver a melhor fase de Lynch ainda não tinha chegado. ‘Lost Highway’ (1997) e ‘Mulholland Dr.’(2001) esses sim são os filmes que colocam Lynch no estatuo de génio da sétima arte, dois argumentos fantásticos com personagens escritas de forma brilhante com as respectivas interpretações de altíssimo nível tudo meticulosamente articulado pela mestria de David Lynch. Extravagante no seu talento Lynch consegue marcar um estilo muito próprio de fazer cinema, uma espécie de surrealismo cinematográfico centrado nas personagens e numa tensão quase insuportável que ele tão bem sabia criar. Os seus filmes também se destacam por serem inconclusivos ou muito difíceis de decifrar, exigem bastante esforço mental por parte do espectador e dão azo a múltiplas conclusões. Outra vertente que Lynch se foi especializando foi no uso do som e banda sonora como efeito intensificador, aliás intensidade será mesmo a melhor palavra para descrever um filme do "laboratório" Lynch, uma intensidade tal que, mesmo ainda que não se perceba muito do que está a acontecer no filme já estamos completamente investidos no mesmo. Em jeito de conclusão o falecimento de David Lynch é uma perda irreparável no cinema, o seu legado sem dúvida que vai permanecer mas dificilmente vai haver algum tipo de continuidade neste modo de desenvolver cinema. Uma última nota em tom de crítica para a incompreensível falta de um Óscar para este mestre do cinema, o tempo irá trazer o mais que merecido reconhecimento da sua importância e influência no cinema já que a Academia nunca o fez.

sábado, 10 de janeiro de 2026

Os melhores de 2025

  

 

Para primeiro post temos no menu o habitual top musical, desta feita o de 2025. Queria também aproveitar a oportunidade de desejar um excelente 2026 aos leitores do Espelho Distópico, aos mais fiéis e mesmo aos “turistas. Sem mais demoras aqui ficam os melhores de 2025. 

 

Top 15 melhores álbuns de 2025

 

 1.    Psychonaut - World Maker (Post-Metal/Progressive/Sludge Metal) [9/10]

 2.    This Gift Is A Curse – Heir (Black Metal/Sludge Metal/Hardcore) [9/10]

 3.   The Young Gods - Appear Disappear (Industrial Rock/Electronic) [8.5/10]

 4.    Deftones- Private Music (Alternative metal) [8.5/10]

 5.   Pothamus - Abur (Post-Metal) [8/10]

 6.   Adur- We Fail To Love Ourselves (Sludge Metal/Post-Metal) [8/10]

 7.   Dephosphorus - Planetoktonos (Blackened Death Metal/Grindcore) [8/10]

 8.   Between The Buried And Me - The Blue Nowhere (Progressive Metal) [8/10]

 9.   Decline Of The I - Wilhelm (Black Metal/Post-Black Metal) [8/10]

 10. Medico Peste - Aesthetic Of Hunger (Black Metal) [8/10]

 11.  Tombs - Feral Darkness (Post Black Metal/Death Metal/Doom Metal) [8/10]

 12.  Biohazard - Divided We Fall (Hardcore) [7.5/10]

 13.  Scour - Gold (Black Metal) [7.5/10]

 14.  Bleed From Within - Zenith (Metalcore) [7.5/10]

 15.  Paradise Lost - Ascension (Doom/Gothic Metal) [7.5/10]

 

 

 Maior desilusão de 2025    

 Arch Enemy - Blood Dynasty (Gothenburg Metal) [5.5/10]

 

   Melhor Surpresa de 2025

  Biohazard - Divided We Fall (Hardcore) [7.5/10]

 

   Melhor álbum de estreia de 2025

   Adur - We Fail To Love Ourselves (Sludge Metal/Post-Metal) [8/10]

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Os Óscares: Edição 97

Mantendo a tradição o último post do ano vai ser acerca da edição 97 dos Óscares da Academia, fica a nota prévia que esta vai ser última vez que o post vai ser feito nestes moldes dado que já desisti de ver a cerimónia há largos anos e não consegui ver cerca de metade dos filmes nomeados. Em 2026 vai existir um post com os melhores do ano do cinema mas escolhidos pelo blog como já existe na vertente musical, talvez com as mesmas categorias consideradas nos Óscares e possivelmente com uma espécie de comparativo com a escolha da Academia…mas vamos ao que interessa.

Começamos desta vez pelos Óscares mais absurdos e logo para entrada temos a Cinematografia. O prémio caiu para ‘The Brutalist’ e é verdade que juntamente com ‘Nosferatu’ ambos tinham justificada ambição para tal mas isso era se não existisse ‘Dune: Part Two’, aliás Cinematografia é talvez a maior especialidade de Denis Villeneuve, fica aqui registada uma das maiores injustiças da noite.

Passamos para os Argumentos com ‘Anora’ a vencer na categoria de Original e na verdade a qualidade foi nivelada por baixo na minha opinião, a concorrência de ‘The Brutalist’ e o aberrante ‘The Substance’ não chegou para tirar o prémio a ‘Anora’. No Adaptado ‘Dune: Part Two’ foi mais uma vez assaltado pois inexplicavelmente nem nomeado estava, o trofeu foi atribuído a ‘Conclave’ e não posso comentar pois não vi nenhum dos filmes nomeados embora mesmo assim duvide muito que algum deles tenha o grau de exigência de adaptação de ‘Dune: Part Two’, David Lynch que o diga.

Passamos para os técnicos com o mais que esperado domínio de ‘Dune: Part Two’ arrebatando os Óscares de Melhores Efeitos Visuais (a milhas de 'Alien: Romulus', talvez o favorito entre os outros nomeados) e Melhor Som enquanto ‘Wicked’ triunfou na categoria de Melhor Guarda-Roupa apesar da forte concorrência de ‘Nosferatu’, ‘Conclave’ e ‘Gladiator II’ (a sua única nomeação). Já na Caracterização foi ‘The Substance’ que “sorriu” no que viria a ser o seu único Óscar. No Melhor Design de Produção o premiado voltou ser ‘Wicked’ num Óscar que ficaria bem entregue a qualquer um dos nomeados. Por ultimo a categoria de Melhor Edição onde o vencedor foi ‘Anora’ sem se perceber muito bem porquê, ‘The Brutalist’ seria para mim o obvio favorito e isto porque uma vez mais ‘Dune: Part Two’ não fez parte dos nomeados.

Passamos para os sempre sensíveis Óscares de interpretação. Zoe Saldaña venceu na categoria de Melhor Actriz Secundária com o filme ‘Emilia Pérez’ enquanto do lado masculino foi Kieran Culkin a levar o prémio pela sua interpretação em ‘A Real Pain’. Nos papéis principais ganharam os grandes favoritos. Adrien Brody (o seu segundo Óscar) pelo seu incrível papel em ‘The Brutalist’ e Mikey Madison na pele de Anora. Acho que de uma forma geral os prémios foram justos embora não tenha visto vários dos filmes nomeados.

E finalmente os dois Óscares mais importantes, Melhor Realizador e Melhor Filme. Cumpriu-se a tradição de ser o mesmo filme a arrebatar ambos, neste caso ‘Anora’ e eu concordo mas a minha escolha iria recair sobre ‘Dune: Part Two’ (sem supressa), do que vi para mim indiscutivelmente o único grande filme de 2025 num ano particularmente medíocre na sétima arte mesmo considerando o inegável declínio do cinema nas últimas duas décadas.


The Brutalist (2024)

Depois de vermos o filme fica a dúvida se afinal ‘The Brutalist’ é ou não um filme biográfico, a resposta é não, todavia sendo um filme ficcional é claramente inspirado por acontecimentos reais. A história de ‘The Brutalist’ centra-se em László Tóth/Adrien Brody (um talentoso arquitecto Húngaro distinguido por ser um dos arautos do estilo arquitectónico conhecido como Brutalismo onde o foco é o betão e as formas geométricas imponentes) e começa precisamente com a sua chegada aos Estados Unidos em 1947, ou seja, nos pós segunda guerra mundial. Separado da sua mulher Erzsébet Tóth/Felicity Jones e da sua sobrinha Zsófia, László vem em busca do chamado sonho Americano e em parte consegue-o com a ajuda do seu primo Attila previamente instalado em Philadelphia. Depois de fazer com grande sucesso uma conturbada obra de arquitectura (uma biblioteca) para o magnata da industria Harrison Lee Van Buren Sr./Guy Pearce este incumbe László de concretizar um dos seus sonhos, um centro comunitário mais precisamente o Instituto Van Buren. Completamente compenetrado neste novo projecto László vai progressivamente perdendo a sua sanidade mental devido ao desgaste que uma obra desta envergadura acarreta e em simultâneo vai percebendo que o sonho Americano também pode ser um pesadelo. ‘The Brutalist’ é um filme com argumento interessante inspirado na imigração Judia no pós segunda guerra, tecnicamente bem executado e com o incontornável destaque para as interpretações com Brody a exibir as suas melhores qualidades na arte da representação mas nem tudo funciona bem em ‘The Brutalist’. O filme é evidentemente demasiado longo com uma narrativa que apesar de interessante se perde em múltiplas ramificações, fica sensação que existe um exagero de subenredos dentro do enredo principal em conjugação com partes redundantes do filme em que basicamente não se sente  a história a progredir. 

7/10 

[Trailer] 

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Nosferatu (2024)

Ora aí está um remake que faz todo o sentido até porque a versão anterior já remonta ao longínquo ano de 1922 na altura apresentada com o título ‘Nosferatu, eine Symphonie des Grauens’, falo como já se percebeu de ‘Nosferatu’. Um filme com 100 anos de existência justifica de facto um remake e o resultado final não foi brilhante mas foi bastante convincente. O interesse por ‘Nosferatu’ começa logo no seu realizador, Robert Eggers têm uma carreira curta (este é apenas o seu quarto filme) mas deveras fascinante pois ‘The Northman’, ‘The Witch’ e The Lighthouse’ aparentemente conseguem só por si fomentar um estilo, uma atracção pela crueldade e pelos sentimentos mas primitivos e viscerais são já trademarks deste realizador. A história de ‘Nosferatu’ adaptada (tal como Dracula) da obra de Bram Stoker começa num casamento recente entre Ellen Hutter/Lily-Rose Depp e Thomas Hutter/Nicholas Hoult algures em Wisborg, Alemanha no ano de 1838, todavia apenas dias depois Thomas é enviado para os confins do Alpes Cárpatos com a missão de vender uma propriedade em troca de uma significativa ascensão na sua empresa. Ao chegar Thomas é confrontado pelo seu sinistro e aterrador “cliente”, o Conde Orlok. Thomas fica então bastante hesitante acerca de vender uma propriedade em Wisborg a esta tenebrosa criatura pois isso significaria tê-lo como vizinho. Destaque para a fantástica cinematografia, realização e metamorfose (quer do livro quer do ‘Nosferatu’ de 1922). Nos actores o realce vai para o primeiro papel de grande relevo para Lily-Rose Depp (filha de Johnny Depp) interpretado de forma segura e assertiva, mas não esquecer as eficazes e dinâmicas prestações de Willem Dafoe na pele de Prof. Albin Eberhart von Franz e o muito requisitado Aaron Taylor-Johnson como Friedrich Harding. Os pontos negativos a apontar a ‘Nosferatu’ são a lentidão do ritmo do filme e falta de harmonia entre as sequências de acção e o desenrolar da história.

7/10

[Trailer]