quarta-feira, 5 de março de 2025

The Zone of Interest (2023)

Foi coleccionando prémios em vários festivais com o destaque a ir para a cobiçada palma de ouro em Cannes até chegar ao mais que espectável Óscar de melhor filme estrangeiro, falo como já se percebeu de ‘The Zone of Interest’. ‘The Zone of Interest’ passa-se no verão de 1943 numa Polónia ocupada pelas forças Nazis e centra-se na vida quotidiana do casal Höss (Hedwig e Rudolf), a este casal é-lhes atribuída uma verdadeira mansão contudo esta oferta vem com um senão, a mansão situa-se paredes meias com o celebre campo de concentração de Auschwitz. Enquanto Rudolf se concentra no seu cargo nas SS em Auschwitz Hedwig vai moldando o vasto terreno disponível a seu belo prazer conseguindo erguer um fantástico jardim, uma piscina e uma considerável horta. ‘The Zone of Interest’ vale essencialmente pela dicotomia entre as duas realidades, se de um lado vemos uma família com uma vida tranquila e feliz do outro lado do murro decorre um dos maiores massacres da história da humanidade e o filme consegue transmitir este contexto de uma forma interessante já que não se vê nenhuma imagem do campo de concentração (apenas se vai vendo fumo negro das incenerações), mas vão-se ouvido tiros e gritos durante todo o filme. A ideia de ‘The Zone of Interest’ é de facto original e interessante o grande handicap do filme é que o seu argumento pura e simplesmente é inexistente, a história do filme não é mais do que o dia-a-dia de uma família de classe média alta da década de 40. Destaque para a participação de Sandra Hüller no papel de Hedwig Höss ela que brilhou em ‘Anatomie d'une chute’.

6/10




sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

Kriegsmaschine - Enemy Of Man (2014)

Recuamos no calendário praticamente uma década para dedicarmos a nossa atenção ao segundo álbum dos Polacos Kriegsmaschine, ‘Enemy Of Man’. Os Kriegsmaschine já foram analisados aqui no blog a propósito do seu último álbum ‘Apocalypticists’ em 2018. O trio composto por Destroyer, Mikołaj Żentara e Maciej Kowalsk (sendo que estes dois últimos também são membros integrantes dos MGLA), destinge-se pela sua peculiar e fascinante abordagem ao infame subgénero do Black Metal. O Black Metal dos Kriegsmaschine não se rege pela habitual vertigem mas sim por uma toada mais compassada e doentia onde o suplício e a obscuridade são os verdadeiros talismãs. Uma distorção sui generis e uma bateria vincada pelo tribalismo atípico fazem de temas como ‘None Shall See Redemption’, ‘Farewell To Grace’ ou a sensacional ‘Lies Of The Father’ faixas icónicas do Black Metal contemporâneo, um Black Metal que nunca se torna monótono ou repetitivo pois a sua vertente emocional está exulta intensidade e dinamismo. ‘Enemy Of Man’ foi não só o álbum que estruturou em definitivo a essência sonora dos como foi também o ponto crucial para a sua posterior ascensão.

9/10

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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

Norna - Star is Way Way is Eye (2022)

Recuamos um pouco no tempo para dedicarmos toda a nossa atenção ao álbum de estreia da aliança Sueco-Suíça Norna intitulado ‘Star is Way Way is Eye’. Dois anos antes do álbum homónimo já aqui examinado os Norna lançavam o seu álbum de estreia e logo aí se percebeu ao que vinham. Forjado em plena pandemia ‘Star is Way Way is Eye’ mostra nos uns Norna tempestuosos e vulcânicos carregados e emoções contidas e energia em sobrecarga, o seu Post-Metal transporta cólera e fervor estimulado por riffs urdidos e fortificados pelo Sludge Metal. Também o Doom Metal tem uma contribuição evidente nas sonoridades deste trio, os Norna não sucumbem ao apelo da vertigem, as suas composições são compassadas, febris e assoladoras. Embora ‘Star is Way Way is Eye’ não tenha a consistência e a homogeneidade do seu sucessor ‘Norna’ temas como ‘The Truther’, ‘Tabula Rasa’ ou ‘The Perfect Dark’ são bastaste exemplificativos do considerável potencial que a banda apresentava logo na sua estreia.

7.5/10 

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sábado, 15 de fevereiro de 2025

Decline Of The I - Wilhelm (2025)

Começa a obter um estatuto que dificilmente passa despercebido, falo do interessante catálogo da editora Polaca Agonia Records, para além os nomes mais sonantes Hail Spirit Noir, Susperia ou Aenaon surgem outros em clara curva ascendente como Entropia, Spektr ou Decline Of The I só para citar alguns exemplos. Quatro anos depois do aclamado ‘Johannes’ o quarteto Francês está de regresso com o seu quinto álbum de originais ‘Wilhelm’. ‘Wilhelm’ é o segundo capítulo da nova trilogia iniciada precisamente em ‘Johannes’. Musicalmente ‘Wilhelm’ tem o potencial para superar o seu antecessor, mas não porque os Decline Of The I tenham mudado as suas características basilares, o motivo é simples mas deveras exigente, a base musical da banda não se alterou o que se alterou foi a intensidade. O seu Post Black Metal altamente personalizado apresenta-se desta feita com uma impetuosidade assinalável. Com apenas cinco temas ‘Wilhelm’ apresenta-se como um verdadeiro manifesto de pináculos emocionais assolados por um manto sombrio, denso e martirizante. Se o destaque principal tem necessariamente de ir para a fabulosa ‘The Renoucer’, a faixa que encerra ‘Wilhelm’ não posso deixar de salientar uma (ainda) tímida aproximação a um experimentalismo progressivamente calibrado por Ihsahn notório em temas como ‘Entwined Conundrum’ ‘Diapsalmata’ ou ‘Éros N’.

8/10 

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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

Pothamus - Abur (2025)

É a primeira proposta musical de 2025 merecedora de destaque aqui no Espelho Distópico, falo do segundo álbum dos Belgas PothamusAbur’. Com o seu lançamento marcado para o dia de São Valentim ‘Abur’ é de facto um álbum que facilmente nos vai apaixonar. Depois de uma fantástica estreia com ‘Raya’ em 2020 o talentoso trio Belga volta a oferecer-nos outra verdadeira pérola com ‘Abur’. O Post-Metal não é, e provavelmente nunca será um subgénero de massas e talvez seja esse mesmo o motivo que lhe proporciona uma certa mística e uma constante vertente progressista, os Pothamus até têm uma visão mais purista do Post-Metal, um Post-Metal transcendental e espiritual onde a dissonância tem um papel fulcral e o tribalismo na secção rítmica funciona como um factor decisivo da sua identidade. ‘Abur’ é apenas a continuação do trilho iniciado em ‘Raya’, a confirmação da genialidade na arte da composição que está bem patente em temas formidáveis como ‘Ravus’, ‘Svartuum Avur’ ou o tema titulo ‘Abur’, três viagens metafisicas carregadas de um impressionante crescendo emocional envoltas numa atmosfera simultaneamente dispersa e intensa como se de verdadeiros cultos do sensorial se tratassem.  

8/10 

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