sábado, 27 de dezembro de 2025

Medico Peste - Aesthetic Of Hunger (2025)

Tenho poucas dúvidas em afirmar que foi o mais marcante lançamento de 2025 no espectro do Black Metal, falo de ‘Aesthetic Of Hunger’, o terceiro álbum dos Polacos Medico Peste. A banda onde agora apenas resta Lazarus, ele que foi musico ao vivo dos seus conterrâneos Mgla embora na altura com o cognome Silencer, regressa cinco anos depois de ‘ב :The Black Bile’ com este ‘Aesthetic Of Hunger’, e de facto a fasquia subiu. Num ano que não tem sido particularmente famoso em termos de lançamentos de Black Metal a redenção chega da Polónia, nascidos do mesmo segmento embrionário que os seus conterrâneos Kriegsmaschine e os já referidos Mgla, eu diria que musicalmente os Medico Peste se situam numa espécie de ponto intermédio entre as outras duas bandas, não tão puros como os Mgla mas também não tão afoitos na infusão de Black Metal Avant-garde com os Kriegsmaschine. ‘Aesthetic Of Hunger’ assinala um assinalável marco na carreira dos Medico Peste, não é apenas o melhor álbum da banda até ao momento como também o álbum mais importante na consolidação da sua identidade musical. Prodigo em criatividade e originalidade ‘Aesthetic Of Hunger’ contem uma sensacional amplitude de sensações sonoras que vão deste o Black Metal mais vertiginoso e pestilento de temas como ‘Subversion & Simulacra’ e ‘Folie De Dieu  ao Avant-garde de ‘The Black Lotus’ ou ‘Viaticum’ passado pela serenata ambiental de ‘Antrakt  ou mesmo pela perversa liturgia de ‘Ecclessiogenic Psychosis’. 

8/10 

[Sample] 


sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Blood Red Throne - Siltskin (2025)

A máquina trituradora escandinava está de regresso, apenas um ano depois de ‘Nonagon’ os Noruegueses Blood Red Throne estão de regresso com o seu álbum número doze ‘Siltskin’. Este quinteto nunca deixa duvidas ao que vem, digamos que são pouco adeptos de supressas, ‘Siltskin’ é mais uma pedrada de suculenta e implacável brutalidade na forma de Death Metal. No principal “terreno” do Black Metal os Blood Red Throne têm marcado uma posição de relevo no domínio do Death Metal e aos dias de hoje são uma das bandas mais consistentes e consensuais do subgénero. ‘Siltskin’ é mais um convicto e sólido passo na caminha da banda, uma torrente de riffs impiedosos e dilacerantes sempre a destilar violência acompanhados por incansáveis ritmos de bateria fazem as delícias dos entusiastas do Death Metal mais rugoso e menos vaidoso. É verdade que se lhes pode sempre apontar a falta de originalidade mas os Blood Red Throne regulam-se essencialmente pela perícia na execução, um desígnio que lhes tem garantido manter um nível qualitativo assinalável durante toda a sua carreira. Destaco os temas ‘Necrolysis’ e ‘On These Bones’, os mais intensos desta verdadeira barbárie de final de ano.

7.5/10

[Sample] 

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Of Mice & Men - Another Miracle (2025)

Nove álbuns em apenas quinze anos de carreira é obra, falo dos Norte-Americanos Of Mice & Men que lançaram no passado mês de Novembro o seu nono álbum de originais ‘Another Miracle’. Confesso que o ultimo álbum que ouvi da banda foi ‘Echo’ (2021) e que ainda não tive oportunidade de dedicar a minha atenção a ‘Tether’ lançado em 2023. Tem sido algo titubeante o rumo musical dos Of Mice & Men, eles que na sua fase inicial adoptaram por um Nu-Metal no pós Hype do mesmo, foram paulatinamente se convertendo numa banda de Metalcore e a meu ver essa aposta não foi claramente a mais acertada. O título do tema ‘Safe & Sound’ resume na perfeição o conteúdo de ‘Another Miracle’, um Metalcore genérico, inexpressivo e efémero onde o risco é perto de zero. Se na sua versão Nu-Metal os Of Mice & Men tinham algo a acrescentar nesta fase de Metalcore a banda transformou-se em apenas mais uma do bando, indistinguível entre as demais. É verdade que ‘Another Miracle’ não é um álbum detestável mas também não contem nada de marcante e em poucas audições se torna aborrecido e posteriomente esquecível. Penso que os Of Mice & Men têm tudo a ganhar em diminuir a cadência de lançamentos em prol da genuinidade e da refundação da sua identidade musical.

6/10

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Biohazard - Divided We Fall (2025)

Fazem parte do triunvirato mais importante do Hardcore Nova-iorquino, falo dos lendários Biohazard a propósito do seu mais recente trabalho ‘Divided We Fall’, eles que a par dos Madball e Sick Of It All projectaram e de que maneira o Hardcore made in Nova Iorque logo a partir dos inicio do anos noventa. Foi a partir da viragem do milénio que o Hardcore começou a dar sinais de desgaste e os Biohazard também não escaparam a essa altura de menor fulgor todavia depois de dois grandes saltos temporais (um de sete anos e o mais recente de treze) os Biohazard decidiram voltar em grande com a reunião da banda original. É verdade que todos os elementos têm mais umas décadas em cima contudo também é verdade que os tempos mais recentes são uma gigantesca flora natural para as temáticas preferenciais deste subgénero. ‘Divided We Fall’ mostra mais do que tudo que o quarteto Nova-iorquino ainda sabe muito bem o que faz, temas sensacionais como ‘Word To The Wise’ ou o triplete inicial ‘Fuck The System’, ‘Forsaken’ e ‘Eyes On Six’ são verdadeiros manifestos de Hardcore no seu estado mais puro, riffs alimentados por violência, rebeldia e confronto sempre aliados ao essencial Groove característico. Um grande regresso alicerçado essencialmente na força da identidade musical que fez dos Biohazard uma das bandas incontornáveis da década de 90. 
 7.5/10
 

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Frankenstein (2025)

É a nova proposta do inconfundível Guillermo del Toro, falo da mais recente versão de ‘Frankenstein’ e digo a mais recente pois é quinta vez que o mítico romance de Mary Shelley é adaptado para o cinema, ‘Frankenstein’ (1931), ‘Frankenstein de Mary Shelley’ (1994), ‘Frankenstein’ (2015) e ‘Victor Frankenstein’ também em 2015. Confesso que Guillermo del Toro é, dos realizadores com mais hype o qual com quem eu menos me identifico, não está em causa o seu merecido reconhecimento mas em alguns filmes seus parece-me que a qualidade dos mesmos assenta quase exclusivamente na vertente artística. Dito isto parece-me mais ou menos consensual que esta será a melhor versão da fábula de ‘Frankenstein’, apesar de não restar grande espaço de manobra para a originalidade mesmo assim del Toro conseguiu aplicar a sua prolífera criatividade na forma de contar a narrativa. O filme carrega uma apropriada cinematografia sombria e melancólica, um registo em que Guillermo del Toro e Tim Burton são de facto os grandes mestres. Outro factor que transforma ‘Frankenstein’ na mais conseguida iteração cinematográfica da lenda é o elenco com o destaque a ir para as formidáveis performances de Oscar Isaac como Victor Frankenstein e Christoph Waltz/Harlander mas também a supressa da boa prestação do desconhecido Jacob Elordi na pele da criatura. O meu reparo a ‘Frankenstein’ vai directamente para a sua duração, ou por outras palavras para a “preguiçosa” edição, a história claramente não justifica duas horas e meia e podia e devia ter havido um corte de 40 minutos que o filme não perderia nada de relevante. 

7/10

[Trailer]