segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Combichrist - The Venom In The Mouth Of God (2026)

Ainda na ressaca do fantástico concerto no passado dia 9 em pleno Vagos Metal Fest dificilmente haveria melhor altura para uma review do mais recente trabalho dos CombichristThe Venom In The Mouth Of God’. Tem sido progressivo moroso o regresso dos Combichrist às suas origens todavia se a sua abrupta industrialização por certo agarrou alguns fãs do espectro da musica mais pesada é bem possível que esta lenta desindustrialização também esteja a recuperar os aficionados da musica mais Eletrónica. The Venom In The Mouth Of God’ é muito mais do que uma simples sucessão lógica ‘CMBCRST’, para além de entrar directamente para o pódio dos melhores álbuns da banda (quiçá mesmo o melhor) recupera a essência dos Combichrist, o Aggrotech personalizado e maturado com ténues insurgências de Industrial onde a batida Techno marca o ritmo intenso e constante. Se em termos líricos a banda continua a apostar em temáticas com uma forte carga anti-religiosa, Nietzschesiana sempre com o foco apontado à continua desumanização, na vertente sonora é gratificante e entusiasmante voltar a sentir o vigor da pulsante e vibrante energia do EBM/Aggrotech a fluir pelos treze temas que integram The Venom In The Mouth Of God’. É desafiante filtrar faixas num álbum com este tipo de consistência ainda assim arrisco ‘Desolation’, ‘Born Deströyer’, ‘Rise’ e ‘Venom’ como os temas “orelhudos” de The Venom In The Mouth Of God’, um dos mais fortes candidatos a melhor álbum de 2026. Uma ultima nota para Andy LaPlegua, que continua a ser um dos melhores vocalistas deste subgénero em particular.

8.5/10

[Sample] 



domingo, 16 de agosto de 2026

Maquina. - Body Transmission (2026)

Depois de um merecido descanso estamos de volta e continuamos em solo nacional. Ao chavão “em Portugal faz-se musica muito boa” (normalmente em resposta a um complexo de inferioridade mal camuflado), eu respondo com um não é bem assim, ou pelo menos no que à musica realmente inovadora ou fora da caixa diz respeito os exemplos são escassos. Precisamente para contrariar essa afirmação temos o caso do trio Lisboeta Maquina. composto por Halison Peres (bateria e voz), João Cavalheiro (guitarra) e José "Mendy" Rego responsável pelo baixo. Os Maquina. têm sido uma incrível surpresa e a meu ver a banda portuguesa mais entusiasmante nos últimos largos anos, para já vamos-nos debruçar sobre o seu ultimo lançamento ‘Body Transmission’ ficando desde já a promessa que iremos a seu tempo também analisar os seus dois primeiros trabalhos. ‘Body Transmission’, na minha opinião o melhor álbum da banda até ao momento mostra uns Maquina. como uma verdadeira máquina sonora no seu auge de eficácia, um pulsante e apaixonante turbilhão criativo que mistura a energia do EBM com o Post-Punk Eletrónico, o Noise, o Krautrock e o Industrial, uma amálgama sonora que ninguém consegue descrever de forma precisa mas que contagia até o ouvido mais céptico. De uma vertente mais estrutural as sonoridades dos Maquina. podem-se descrever partindo dos ritmos repetitivos e hipnóticos do baixo acompanhados de perto pela bateria pulsante e dinâmica e pelos riffs que conseguem confluir o Psicadélico, o Industrial e o Noise numa só essência. Sem temas descartáveis tenho de destacar ‘Collapsing’, ‘Agony’, ‘Simulation’ e ‘Step on Me’, faixas que certamente irão engrossar o já de si incrível “cardápio” da banda ao vivo. Não, não se faz assim tão boa musica em Portugal contudo de quando em vez surgem pérolas como ‘Body Transmission’. O mais inacreditável é que trio Lisboeta compõe musica com esta qualidade de forma tão fácil e genuína que para eles parece ser apenas mais um dia no escritório.

8.5/10

[Sample]