sexta-feira, 19 de abril de 2019

Os Óscares 2019


É caso para dizer finalmente! Quase dois meses depois eis que chega o momento do já habitual post sobre a noite mais esperada de Hollywood, e entrega das ambicionadas estatueta douradas. Mais uma vez não tive oportunidade de ver a cerimónia e mais uma vez também não fiz por a ver à posteriori, pois a predominância do politicamente correcto, da hipocrisia generalizada do apoio aos movimentos Me2 entre outros do mesmo género, e os ridículos contadores de tempo dos discursos de agradecimento dizem-me muito pouco e não posso deixar de sentir uma grande nostalgia dos distantes e irrecuperáveis tempos de Billy Cristal e John Stewart. Volto também mais uma vez a referir que apenas falo do que vejo (daí a explicação para a demora na realização deste post), portanto algumas categorias vão ser irremediavelmente descartadas, tais como a melhor musica, documentário, curta-metragem e melhor filme estrangeiro.

                Nas categorias consideradas técnicas destaque para a excelente vantagem logo aí para “Bohemian Rhapsody” que arrebatou três galardoes, melhor edição e mixagem de som (invariavelmente ambas atribuídas quase sempre ao mesmo filme) e para mim de forma inteiramente justa e sem surpresa onde o único verdadeiro rival foi “A Quiet Place” na edição, tal como o Óscar de melhor montagem onde aqui sim a concorrência apertou bastante. A escolha do sempre apetecível Óscar de melhores efeitos visuais recaiu sobre “First Man” onde para minha grande surpresa entre os nomeados “Avengers: Infinity War”, “Christopher Robin”, “Ready Player One” e “Solo: A Star Wars Story” não estava (escandalosamente) “Fantastic Beasts:The Crimes of Grindelwald”. No Óscar de melhor guarda-roupa e sem surpresa a escolha foi para “Black Panther” e no de melhor caracterização para “Vice” pelo excelente e difícil esforço na caracterização de Christian Bale como Dick Cheney ambos bem entregues na minha opinião. Na melhor cinematografia a vitória sem qualquer tipo de discussão foi para “Roma”, que perdeu para “Black Panther” (injustamente na minha opinião) o galardão de melhor direcção artística, destaco negativamente a inexplicável ausência de “At Eternity's Gate nos nomeados de melhor cinematografia.

                Na animação e sem dar qualquer tipo de hipótese o prémio foi para “Spider-Man: Into the Spider-Verse” batendo “Incredibles 2”, “Isle of Dogs”, “Mirai no Mirai” e “Ralph Breaks the Internet”.

                Nos argumentos as estatuetas foram especialmente bem entregues  com o sensacional “GreenBook” a vencer no adaptado e o ultra criativo “BlacKkKlansman” no original e onde a concorrência era de peso sobressaindo “Can You Ever ForgiveMe?” e “The Ballad of Buster Scruggs” como candidatos mais fortes. Destaque para o grande derrotado até esta altura “The Favourite” que com 10 nomeações à partida não tinha conseguido nenhuma estatueta até aqui.

                Nos sempre interessantes Óscares de interpretação o inevitável e extraordinário Mahershala Ali a não deixar fugir o Óscar de melhor actor secundário tal como Regina King no caso da melhor actriz secundária com a sua participação no filme “If Beale Street Could Talk”. Olivia Colman segurou a “honra do convento” de “The Favourite” ao ganhar o único (e justificado) Óscar de melhor actriz principal. E finalmente chegamos ao que foi para mim a grande injustiça da noite e no Óscar que já é cronicamente disputado com uma intensidade incrível (melhor actor principal) teve mais uma vez um leque de actores de excelência, Rami Malek (“Bohemian Rhapsody”) como Freddie Mercury, Bradley Cooper (“A Star Is Born”) como Jackson "Jack" Maine, Christian Bale (“Vice”) como Dick Cheney, Viggo Mortensen (“Green Book”) como Frank "Tony Lip" Vallelonga e Williem Dafoe (“At Eternity's Gate”) como Vincent van Gogh, recaído a vitória sobre Rami Malek, que se é compreensível que tenha sido uma altíssima dificuldade e responsabilidade interpretar a pele de Freddie Mercury é obvio que o melhor papel do Ano foi o de Viggo Mortensen provavelmente até o melhor papel da sua carreira. Nos realizadores a estatueta dourada foi mais uma vez para um favorito da Academia Alfonso Cuarón (“Roma”) ficando o mal-amado Spike Lee (“BlacKkKlansman”) com um (compreensível) amargo de boca. E finalmente no melhor filme onde eram 8 os nomeados, a escolha a meu ver muito acertada recaiu sobre “Green Book”. Ficaram entregues os Óscares de 2019, na minha opinião bem na sua grande maioria, mas com a decrepita cerimonia a precisar urgentemente de ser repensada.

Sem comentários:

Enviar um comentário